Rádio Renovada

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Pragmatismo Religioso por Michael Horton

Sabe, porém isto: Nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis; pois os homens serão egoístas, avarentos jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, antes amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes. Pois entre estes se encontram os que penetram sorrateiramente nas casas e conseguem cativar mulherinhas sobrecarregadas de pecados, conduzidas de várias paixões, que aprendem sempre e jamais podem chegar ao conhecimento da verdade. E, do modo por que Janes e Jambres resistiram a Moisés, também estes resistem à verdade. São homens de todo corrompidos na mente, réprobos quanto à fé; eles, todavia, não irão avante: porque a sua insensatez será a todos evidente, como também aconteceu com a daqueles (II Tim. 3:1-9).
A Inglaterra, que uma vez já foi conhecida pela sua vitalidade espiritual, agora está mergulhada numa letargia espiritual e a visão missionária dos Estados Unidos está substituindo aquilo que a Inglaterra deixou de lado. Além disso, muita coisa do que Deus está fazendo hoje está acontecendo fora desses dois países. Eu espero que a Igreja no Brasil esteja em constante oração para que, a partir do Brasil, uma outra reforma e um grande despertamento venha e tome conta do mundo.
Não sabemos o que Deus vai fazer no mundo, mas seria muito emocionante se pudéssemos fazer parte daquilo que Ele deseja fazer no Brasil. É maravilhoso ser um cristão e saber que Deus tem todas as coisas debaixo do Seu controle. Todos nós sabemos da necessidade de um grande avivamento, mas ao mesmo tempo existe uma grande polêmica nesses dias sobre a questão. Sem sombra de dúvidas, se convidássemos as pessoas para uma reunião de avivamento, muitas delas viriam com conceitos diferentes do que é avivamento. Assim sendo, faz-se necessário ter uma definição clara em nossa mente do significado desse termo. Qual a diferença entre avivamento e avivalismo, se assim podemos chamar?
Avivalismo e Pragmatismo - Avivalismo, especialmente na tradição deixada por Charles Finney, é, na realidade, um fenômeno americano e queremos tratar de parte desse fenômeno. Não somente porque é um produto feito na América, mas porque muitos dos movimentos que estão vindo dos Estados Unidos para outras partes do mundo têm essa visão característica de entender avivamento segundo o modelo de Charles Finney.
Esse modelo tem como base o que nós chamamos de pragmatismo. Se você for abrir um negócio você tem que ser pragmático e se você vai criar uma família, existe uma série de considerações práticas que você precisa sempre ter em mente; e, certamente, o mesmo se aplica quando nós estamos fundando uma Igreja e queremos desenvolvê-la.
Todos sabemos que há preocupações práticas que devemos considerar, mas o pragmatismo é uma filosofia que empurra para a periferia uma série de princípios fundamentais e elege, como único fator relevante, a questão: “Isso funciona?”
Quais os perigos do pragmatismo? Voltando para o texto de II Tim. 3: 1-9, consideraremos primeiramente os aspectos relativos à nossa chamada para o ministério. Vejamos, então, o contexto do nosso ministério. Paulo se refere a esse contexto como sendo o dos “últimos dias”. Sabemos que os “últimos dias” começaram com o tempo dos apóstolos, e terminarão com a segunda vinda do nosso Senhor. Portanto, estamos vivendo nos “últimos dias”, como, também, Timóteo estava vivendo nos “últimos dias”. Qual é o contexto, então, do ministério nesse período entre as duas vindas de Cristo? Paulo diz, em primeiro lugar, que nos últimos dias os homens serão amantes de si mesmos.
Narcisimo e Auto-Estima - Christen Lash, um sociólogo americano bastante conhecido, escreveu um livro sobre a cultura americana cujo título é: “O culto do Narcisismo”. Essa é uma acusação difícil de se fazer, porque o que ela implica é que a cultura americana é uma cultura onde as pessoas se endeusam. E como vocês se lembram “Narciso” é o nome daquele jovem da lenda grega que costumava admirar o seu próprio reflexo no espelho das águas. Mas isso não somente é parte da nossa cultura, como também se tornou parte das nossas igrejas. Muitos dos movimentos que se entitulam “avivados”, em nossos dias, simplesmente estão reavivando o narcisismo, ou seja: a adoração do “eu”. Isso pode ser visto na declaração de um desses pastores que afirmou: “A Reforma errou porque foi centralizada em Deus e não no homem, como devia ser”. Esse pastor escreveu um livro cujo título é: “Crendo no Deus Que Crê em Você”. Uma certa ocasião, trouxemos esse cidadão para falar no nosso programa de rádio. Então eu li essa passagem, onde Paulo diz que as pessoas serão amantes de si mesmas, e perguntei-lhe: “Como você pode dizer às pessoas que a salvação começa com o amor próprio, quando Paulo diz que nos últimos dias as pessoas serão amantes de si mesmas? Não estaria ele dizendo que isso é uma coisa errada, e que nós não devíamos ser amantes de nós mesmos? E como Deus vai nos fazer felizes com esse falso evangelho narcisista?”
O que está acontecendo é que a piedade e a santidade deixaram de ser os referenciais pelos quais julgamos se um movimento é ou não é do Espírito. Assim, o critério que tem sido adotado é: “Funciona? Vai me fazer feliz? Vai me ajudar a criar minha família? Vai consertar o meu casamento?”. Todas essas questões são importantes, à luz das Escrituras, mas não são as mais importantes.
Em segundo lugar, Paulo diz que eles serão amantes do dinheiro. Porque as pessoas amam excessivamente a si mesmas, elas criam o evangelho da auto-estima; e porque as pessoas amam excessivamente o dinheiro, elas criam o evangelho da prosperidade.
Rebeldia, desprezo pelo passado e busca do prazer - Paulo diz ainda que haverá muito orgulho e revolta contra as autoridades. Haverá pessoas desobedientes aos pais. Uma geração não se preocupará com a geração anterior. O cantor Bob Marley escreveu uma música sobre a cultura americana dizendo: “Povo do futuro, onde está o teu passado? Povo do futuro, quanto tempo vocês vão durar?” O povo que não tem passado também não tem futuro. Não sei se Bob Marley era crente, mas com certeza esses versos refletem um ponto de vista bíblico ao tentar se segurar naquilo que pede o seu passado.
Eu quero lhes garantir que se levarem a doutrina bíblica a sério, muitos irmãos e irmãs vão lhes dizer que vocês não estão andando nos passos do Espírito; vão lhes dizer que o Espírito Santo hoje quer fazer uma coisa inteiramente nova, tal como nunca fez no passado. E o que vocês vão falar? Vão falar sobre os grandes avivamentos do passado, sobre a Reforma? Qual o valor disso para os amantes de si mesmos e materialistas? Eles responderão que Deus está fazendo algo completamente diferente nos dias de hoje. Mais uma vez eu quero lembrar que isso faz parte do narcisismo que diz o seguinte: - “eu é que sou importante e aqueles da minha geração é que são importantes e não os que vieram antes de nós”.
E ele diz também que as pessoas serão hedonistas, amantes do prazer, nos últimos dias; como ele diz no verso 4, serão mais “amigos dos prazeres que amigos de Deus”. Mais uma vez queremos enfatizar: Se você perguntar em uma Igreja: “Vocês concordam com o hedonismo?” Creio que ninguém vai responder sim a essa pergunta. Mas se você entrar numa livraria evangélica, se ouvir uma emissora de rádio evangélica, se prestar atenção a muitos sermões evangélicos, você ouvirá mensagens afirmando que o Cristianismo é a melhor maneira para você se auto-realizar. Quantos testemunhos temos visto que funcionam como comerciais de televisão? Nos Estados Unidos, temos aquelas propagandas de dieta que mostram uma pessoa antes e depois da dieta. Muitas vezes, os testemunhos dos crentes são assim: “Antes eu era triste, agora sou feliz; antes eu era deprimido, mas agora eu estou extremamente motivado para viver”. Esses são benefícios maravilhosos, mas, por vezes, a verdade é que nós, como cristãos, nos tornamos tristes. Algumas vezes, o caminho da cruz é o caminho do sofrimento, e nem sempre estamos tão entusiasmados a respeito disso. Apesar de tudo isso, a perspectiva que predomina nos nossos dias é que temos que viver para satisfazer a nós mesmos.
Moralidade sem piedade - No verso 5 do texto destacado, Paulo diz: “tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder”. Veja bem! O que Paulo está dizendo é que pode haver uma moralidade sem Deus. Existem pagãos que tem uma vida moral excelente, e há ímpios que acreditam ser errado você trair sua esposa. Há pessoas não cristãs que têm famílias muito boas. Mas será que este é o propósito do cristianismo? Consertar tudo aquilo que está moralmente errado no mundo, ou será que o foco está em Deus, nos Seus mandamentos justos, e no Evangelho pelo qual nós devemos viver?
É esse o contexto do nosso ministério. Então respondamos à pergunta: Qual o nosso chamado para o ministério? O exemplo de Paulo é alguma coisa que temos de imitar nesse sentido. Mas agora perguntamos: Como, historicamente, essa filosofia do pragmatismo dominou o pensamento moderno? A figura mais destacada no cenário evangélico, neste sentido, é a de Carlos Finney. Quantos de vocês já ouviram falar de Charles Finney? Quase todo mundo. Isso é significante porque Finney é uma pessoa muito importante para aqueles que são proponentes do movimento de crescimento da Igreja e do movimento de sinais e prodígios.
Evangelho ou Pragmatismo? - Charles Finney era presbiteriano, mas atacou a Confissão de Fé de Westminster que ele próprio subscrevera. Ele a chamou de: “um papa de papel”. Ele dizia, no século XIX em que viveu: “Nós já somos pessoas muito ilustradas e racionais para acreditar em todas essas coisas aí que a Confissão de Fé está dizendo”. Vejam algumas das coisas que Charles Finney escreveu:
Quando o homem se torna religioso - disse Finney - ele não recebe um poder que não tinha antes, ele simplesmente muda a sua vontade, e resolve seguir, agora, numa direção moral. Religião é obra do homem, não é um milagre e nem depende de um milagre em qualquer sentido; é simplesmente um resultado filosófico do uso correto de técnicas. O homem já possui, por natureza, toda a habilidade necessária para prestar perfeita obediência a Deus, portanto o objetivo do ministro é emocionar as pessoas até que se disponham a tomar essas decisões.
Foi dessa filosofia que nasceu o que ficou chamado naquela época de “novas medidas introduzidas por Finney”. Por exemplo: O sistema de apelo para que as pessoas se manifestem fisicamente e caminhem até à frente em resposta à pregação nasceu com Charles Finney, nesse período. Em sua Teologia Sistemática, Finney nega explicitamente a doutrina do pecado original. Ele diz ainda que a doutrina da substituição vicária de Cristo é uma ficção, e que a justificação pela graça, por meio da fé somente, é “outro evangelho”. Com certeza, é um evangelho diferente daquele que Finney estava pregando.
É isso que Paulo diz a Timóteo, quando fala de pessoas que têm forma de piedade mas negam, entretanto, o seu poder. Afinal de contas, onde reside o poder da piedade? É o poder de Deus para a salvação! E que poder é esse? É o evangelho de Jesus Cristo! Somente o Evangelho pode nos capacitar a viver a vida cristã. Portanto, é possível ter moralidade sem piedade; e esse é o resultado do pragmatismo.
Mais tarde, tornou-se conhecida a idéia de D.L. Moody. Ele disse no século XIX que não faz nenhuma diferença como você leva alguém a Deus; se você conseguir fazer isso, não importa o meio. O importante é levar, de qualquer maneira, a Deus.
Uma vez perguntaram a Moody: Qual é a sua teologia? Ele disse: “Minha teologia? nem sei se eu tenho uma!”. Vejam bem! Moody era um vendedor de sapatos, e um dia ele disse que ao se tornar evangelista não mudou de profissão, o que ele havia feito era trocado de produto.
Como abordamos o pragmatismo corporativo da nossa cultura? Alguns dizem que a contribuição distinta da América para a história da filosofia foi a criação do pragmatismo. Um dos grandes pais do pragmatismo e quem o transferiu da esfera religiosa para a esfera secular foi William James. Ele era filho de pastor; pastor, ele próprio, e também professor da Universidade de Harward. Ele disse: “Faça a seguinte pergunta: Como é que você define que determinada verdade é o que você deve crer?” E acrescentou: “A resposta é que você tem que determinar o seu valor em termos de experiência e resultado”. Então, com princípios pragmáticos, analisou a doutrina de Deus dizendo o seguinte: “Se a doutrina de Deus funciona, então é verdade. O pragmatismo tem que adiar questões dogmáticas porque no começo nós não sabemos qual reivindicação doutrinária vai produzir resultado”.
Acredito que quase ninguém iria marcar essas coisas num exame tipo teste dizendo que acredita nelas, mas, na prática, o que acontece é que esse é o credo do evangelicalismo mundial hoje. Um evangelista americano famoso disse: “Não tente entender, simplesmente comece a desfrutar, porque funciona; eu já tentei”. Ele estava falando a respeito da meditação transcendental da Nova Era. Na década de 50 do nosso século, esse pragmatismo se desenvolveu em termos de pensamento positivo. Foi então publicado um livro chamado “A Mágica do Crer”. Esse livro propõe que há uma certa qualidade mágica no simples ato de crer. Porém, a verdade é outra. No cristianismo, o que salva não é o ato da fé, mas sim o objeto da fé. Nós não somos salvos pela fé, não somos justificados pela fé; nós somos justificados pela justiça de Cristo que nos é imputada. Mas hoje em dia, desenvolveram essa equação de que fé é igual a pensamento positivo. Na realidade, essa última frase que mencionei foi uma citação de Peter Wagner.
Deus como objeto de consumo - Muito bem! Esses conceitos funcionam numa sociedade materialista, que está satisfeita e centralizada no ego; pode funcionar muito bem na América do final do século XX, pode ser até que funcione em São Paulo também, e pode funcionar em Londres. Mas imagine o seguinte quadro: Você vai a um cristão do século I e diz a ele que a razão principal pela qual ele está indo para a boca dos leões é porque o Cristianismo funcionou melhor do que as outras religiões!
Os testemunhos que temos no Novo Testamento são muito diferentes dos testemunhos que nós vemos hoje em dia. No Novo Testamento temos a palavra de testemunhas oculares, que é muito mais importante que o nosso próprio testemunho. O que é que Paulo disse em I Cor. 15? Ele disse: “E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação e é vã a vossa fé... Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens”. Ele não diz “pelo menos vocês têm uma vida feliz e saudável!”. E ele também não está dizendo “Bem! o que é que você pode perder?” Por que Paulo não fez isso? porque ele não era um pragmático. Paulo fundamentava todas as reivindicações da fé cristã no Evangelho verdadeiro.
Temos que nos perguntar: “Será que não estamos usando a Deus? Será que, finalmente, não embarcamos nesse consumismo da nossa sociedade? Será que não estamos tratando a Deus como tratamos um produto?” São perguntas muito importantes que devem ser feitas a nós mesmos. “Será que Deus está nos usando ou nós estamos usando a Deus?”
Reavivamento e Reforma não virão à Igreja até que a mentalidade dos crentes seja desviada desse egoísmo humano, da centralização no homem que Paulo descreve, para o verdadeiro Evangelho e para Deus.
Nos Estados Unidos, temos um adesivo que diz: “Jesus é a resposta”. Os incrédulos fizeram um outro adesivo para retrucar a esse: “Qual é a pergunta?” Considere, agora, o que diz o pragmatismo: “Eu não sei qual é o seu problema, mas qualquer que seja, Deus pode resolver. O seu carro está enguiçado? A sua vida familiar não está progredindo como devia? Deus pode consertar em um piscar de olhos!”. Assim, passamos a consumir a Deus. Nós usamos a Deus, ao invés de amá-Lo, servi-Lo e honrá-Lo.
Muito bem! Então qual é o propósito do nosso ministério? Vejamos o que diz Paulo:
Tu, porém, tens seguido de perto o meu ensino, procedimento, propósito, fé longanimidade, amor, perseverança, as minhas perseguições e os meus sofrimentos, quais me aconteceram em Antioquia, Icônio e Listra, - que variadas perseguições tenho suportado! De todas, entretanto, me livrou o Senhor. Ora todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos. Mas os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados. Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste. E que desde a infância sabes as sagradas letras que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção para a educação na justiça. a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra. Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: prega a palavra, insta, quer seja oportuno, que não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres, segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em todas as cousas, suporta as aflições, faze o trabalho de evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério (II Tim. 3:10-4:5)
O modelo apostólico - Em primeiro lugar, o propósito do nosso ministério é seguir o modelo apostólico. Paulo menciona aqui o seu ensino, a sua maneira de viver, o seu propósito, a sua fé, a sua paciência, o seu amor, e a sua perseverança diante das tribulações. Perseguições? Sim! É o que ele diz no verso 12. Todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos. Será que é isso o que estamos ouvindo hoje? Ou será que estamos ouvindo outra mensagem? Algumas vezes você vai pensar que não está dando certo, que as coisas não estão funcionando como deveriam, como lemos em Romanos, capítulo 7. Nós sofreremos como cristãos, e ainda vamos sofrer com os nossos pecados.
A proclamação da Lei e do Evangelho - Além de seguir o seu exemplo, Paulo quer que Timóteo também se firme naquelas verdades que aprendeu quando era jovem. Veja que Paulo, ao invés de nos levar à questão do pragmatismo: “Será que funciona?”, ele nos conduz para as Escrituras. Ele diz: “prega a Palavra”, com muita paciência instruindo as pessoas. Porque haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina. Ao contrário, cercar-se-ão de mestres, segundo as suas próprias cobiças, como quem sente coceira nos ouvidos (4:3).
Vejam! sempre temos coceira nos ouvidos. Pragmatismo não é uma coisa nova. Na realidade já foi praticado desde o jardim do Éden. Quando Eva viu que a árvore era agradável para se ver, para descobrir o conhecimento e desejável para trazer entendimento; então ela tomou do fruto e comeu. O que significa para nós “pregar a Palavra”? O que Paulo quer dizer no verso 5 “Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de evangelista”?. O que ele quer dizer com isso, “pregar a Palavra”? Vez após vez, Paulo e os demais escritores bíblicos nos dizem que isso é a proclamação da lei. Na verdade, é pela proclamação da lei santa de Deus que nós somos tocados e feridos. A lei de Deus vem até nós e ela não vem dizendo assim: “Eu vou transformar a tua vida numa vida feliz!”, ela não vem dizendo: “Vou te dar prosperidade!”. Na realidade, a lei vem para nos dizer exatamente aquilo que Deus tem dito que requer de nós. A lei nos confronta com a glória de Deus e a nossa pecaminosidade torna isso aterrorizante!
Finalmente, o Evangelho vem e causa também impressão em nós. Há uma Igreja no Estado do Arizona, cujo pastor, numa entrevista que foi publicada na revista Newsweek, disse: “As pessoas hoje em dia não estão preocupadas com doutrinas como justificação, salvação ou expiação. Nos dias de hoje, ninguém entende esses termos. O que nós precisamos fazer é atender as necessidades das pessoas!”
Imaginem um professor! Vocês não acham que seria muito estranho se o professor chegasse dizendo assim: “Não posso ensinar o alfabeto para esta criança porque ela ainda não sabe português”. Esse é o tipo de argumento que esse pastor estava apresentando. Tanto que o que hoje se passa com o nome de pregação, na realidade, não é pregação da Palavra. Porque não apresenta nem a Lei nem o Evangelho. Esses pastores começam decidindo o que é que as pessoas de sua igreja desejam ouvir. Quais são os pontos que estão em moda hoje? Quais são as necessidades das pessoas dos dias de hoje? E aí, então, eles vão às Escrituras e procuram e acham passagens que podem ser usadas para apoiar essa necessidade, ao invés de, indo ao texto, perguntarem primeiro como a santidade de Deus nos convence do nosso pecado e como o Evangelho de Cristo pode ser tão claro que até pecadores como nós podem se arrepender e crer.
Mas vocês, irmãos e irmãs, ouçam o que Paulo diz, sejam sóbrios em todas essas coisas, preguem a palavra, suportem as aflições, façam o trabalho de evangelista, e cumpram cabalmente o ministério.
* Palestra apresentada no V Simpósio “Os Puritanos”, realizado em Águas de Lindóia, SP, de 10 a 14 de junho de 1996. O autor é professor no Seminário Reformado em Orlando, Flórida (USA), fundador e presidente do movimento “Cristãos Unidos pela Reforma”, na Califórnia, e autor de diversos livros.
(Publicado em O Presbiteriano Conservador na edição de Maio/Junho de 1997)    Fonte:
www.monergismo.com

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Apêndice.



Importante: O texto a seguir é de autoria do Rev. William J. Grier (1868-19??).

As setenta semanas de Daniel 9.

As setenta semanas de Daniel (ou os setenta "setes") constituem a base de muitos esquemas de épocas. É bom observar o fim para o qual foram decretadas as setenta semanas:
"Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para cessar a transgressão, e para dar fim aos pecados, e para expiar a iniqüidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santíssimo." (Daniel 9:24)
De acordo com Daniel, esses seis resultados têm de ser obtidos antes que terminem as setenta semanas. É, portanto, errado considerar todos, ou alguns deles, como devendo ser cumpridos em um milênio depois das setenta semanas, como geralmente se faz.
O acabar com o pecado e a expiação da iniquidade tiveram lugar através dEle, que "se manifestou para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo" (Hb 9:26). Ele trouxe uma justiça que permanece para sempre (2ª Cor. 5:21). Após seu ministério e o de Seus apóstolos, nenhuma outra revelação profética seria necessária e Ele foi o Santíssimo, ungido com o Espírito (At 10:38).
Cristo é o personagem proeminente no trecho. Dele se diz, no versículo 26, que "já não estará" [1], isto é, será desprezado e rejeitado. É Ele quem "confirma" ou "faz prevalecer" a aliança (v. 27). Deve-se notar que a palavra empregada não significa "fazer aliança", e sim, "fazer prevalecer" a aliança, que é a Aliança da Graça, existente desde a antiguidade. (Ver nota abaixo).
Aquele que traz a desolação (fim do v. 27) é Tito, o comandante romano, cujas destruições horríveis são descritas por Josefo.
Não se justifica, absolutamente, o procedimento dos que tentam separar a 70ª semana da 69ª por um intervalo já muito mais longo que o total das 70 semanas. Se alguém alegar ter o próprio Daniel feito um intervalo, devemos responder que ele faz dois - 7 semanas e 62 semanas e 1 semana. Todos os intérpretes consideram as 62 semanas como vindo imediatamente depois das primeiras sete, sem qualquer interrupção. O intervalo assinala, apenas, um grande acontecimento na história de Israel: a restauração de Jerusalém sob a liderança de Esdras e Neemias. Semelhantemente, não há quebra de continuidade entre a 69ª e a 70ª semanas. Somente entre elas está o aparecimento portentoso de Cristo.
Não existe qualquer motivo para tomarmos os 70 "setes" como 490 anos. Em lugar algum do Velho Testamento se chama de "semana" ou "um sete" a um período de sete anos. É melhor interpretar esses "setes" como "uma designação propositadamente indefinida de um período de tempo medido pelo número 7, cuja duração cronológica tem de ser determinado sobre outras bases", conforme sugere Keil.

[1] Nota da tradutora: O autor segue uma versão inglesa que, conforme a tese de Edward J. Young ("The Preacher of Daniel"), representa melhor o sentido do texto hebraico. Duas frases de nossa Versão Revista e Atualizada no Brasil carecem de revisão. No v. 26 (cap. 9 de Daniel), a frase "já não estará" deve ser traduzida por "nada há para ele" ou "nada terá". No v. 27, "fará firme concerto" deve ser "fará o concerto prevalecer" (Novo Comentário da Bíblia) ou "confirmará a aliança", ou, ainda, "fará prevalecer a aliança".

Chegamos ao final da série de estudos intitulada "O Maior de Todos os Acontecimentos", pelo ponto de vista do amilenista Rev. William J. Grier.



quinta-feira, 8 de maio de 2014

BREVE APRESENTAÇÃO DO AMILENISMO


Por Danyllo Gomes



A volta de Cristo. Um tema que apesar de tantas divergências, é de grande importância para a vida da igreja. É uma doutrina que abraça o coração do povo de Deus e os faz ter esperança num Cristo que já veio, e que voltará. A esperança do Cristão, ou é a morte e o encontro com o Senhor, ou a Sua volta. De ambos os lados temos a felicidade e a esperança de estarmos com Ele. Com Aquele que “por meio Dele e para Ele foram” Deus fez todas as coisas.
A escatologia é o estudo das ultimas coisas, do alvo do plano de Deus, da consumação da história, entre outros, ou seja, é a matéria onde é estudado a respeito sobre: como será o fim? Cristo voltará? Como Ele voltará? Ele irá reinar por mil anos literalmente, ou apenas simbolicamente? Dentre essas perguntas tantas outras surgem nesse assunto que é tão bom e gostoso de ser estudado. Eu, particularmente, tenho um grande apreço por esse assunto, porque foi por meio dele que meus olhos se abriram para o verdadeiro evangelho. A partir dele minha busca pelo conhecimento do Senhor cresceu. Portanto, além de ser um assunto de esperança para o povo de Deus, também é um assunto que desperta uma certa curiosidade, e Deus, pela sua soberania pode levar pessoas a se interessarem mais a partir de assuntos como esse, como foi meu caso.
Então, qual a importância deste assunto para nós? A importância é saber que as promessas do Senhor nunca falham, que podemos e devemos ter esperança num Deus que enviará Seu filho mais uma vez, como já o fez no passado. Porém, com a consciência que a volta de Cristo será com um caráter diferente da primeira vinda. Na primeira vinda ele veio em amor, porém na segunda virá como reto juiz.
No estudo da escatologia temos uma divisão de assuntos que nos ajuda a entender melhor cada área. Temos a escatologia individual/pessoal que estuda: a morte; o estado intermediário, a ressurreição; céu; inferno e tantos outros assuntos que são tratados de forma pessoal. E do outro lado temos a escatologia geral/cósmica que estuda as ultimas coisas em relação ao mundo, como, por exemplo: volta de Cristo; o milênio, novos céus e nova terra. Neste estudo estarei apresentando apenas uma área da escatologia cósmica, que será o milênio.
Antes de entrarmos no assunto específico do amilenismo tentarei dar uma explanação geral e rápida das outras correntes para entendermos por completo.

  • Pré-milenismo:

Os pré-milenistas, antes de tudo, seguem uma linha de interpretação mais literal das Escrituras. Portanto, as conclusões que são feitas acerca desta posição, grande parte delas, são argumentadas nos textos bíblicos de forma literal. É importante discernirmos isto para termos um melhor entendimento de como há duas interpretações tão diferentes em um texto só.
O coração do pré-milenismo se dá na crença de que o reino terreno de Cristo será feito pelo próprio Jesus Cristo em um período de aproximadamente mil anos onde Cristo, presentemente em carne e osso, estará reinando na terra durante esse tempo. Portanto antes do milênio começar Cristo deverá ter voltado. Sua crença de baseia no texto de Apocalipse 20:4-6.
Dentro dessa ideia temos os seguintes pensamentos/características desta linha:
- haverá uma ressurreição antes do milênio (entende-se então que é depois da tribulação, porque o milênio ocorre depois da tribulação), e depois dos mil anos haverá a ressurreição dos descrentes.

- o milênio é considerado um reino futuro, que ainda irá acontecer.
- acredita-se que tudo se iniciará com o “evento cataclísmico” da volta de Cristo
- o milênio será um período de paz mundial, harmonia universal (inclusive com os animais). Período que os santos reinarão na terra.
No meio pré-milenista há outra divergência quanto ao lugar de Israel no reino milenar. As posições são:
- dispensacionalismo: acreditam que todas as promessas que foram feitas a Israel vão ser cumpridas em Israel (nação).
- não-dispensacionalistas pré-milenistas (pré-milenistas históricos): acreditam que Israel herdará as promessas sim, mas estando na igreja.
De forma geral esse é o pensamento dos pré-milenistas. Como o meu foco aqui não é expor todas as linhas, mas apenas explicar mais detalhadamente o amilenismo, não vou aprofundar.

  • Pós-milenismo

Diferentemente do pré-milenismo, o pós-milenismo não observa os textos bíblicos a respeito deste assunto de forma tão literal. Os pós-milenistas interpretam esses textos de forma mais simbólica.
A visão pós-milenista é uma visão conhecida como “otimista”, pois acreditam que a pregação do evangelho obterá um sucesso tão considerável que o mundo será convertido a Cristo. O reino de Cristo completará e será universal em toda a terra.
Características/pensamentos desta visão:
- Segundo o texto de Marcos 3:27, eles acreditam que na primeira vinda de Cristo Ele amarrou o valente, portanto, agora o evangelho está “livre para dominar todo o mundo”.
- normalmente são preteristas, ou seja, acreditam que os eventos de Mateus 24 e 25 e os eventos descritos no livro de Apocalipse se cumpriram no primeiro século da era cristã.
- acreditam que o reino está crescendo de forma gradual (otimismo) segundo Mateus 13.
- Entendem que o milênio é um período prolongado de tempo em que Cristo, embora ausente, Ele reina sobre o seu povo aqui e agora, e este reino está tendo sucesso. Está se expandindo. E o objetivo é que o reino de Cristo tome toda a terra.

  • Amilenismo

O termo “amilenismo” significa literalmente “não-mil anos”. A posição não defende a ideia de que a Bíblia fala que existe mil anos literais (pré-milenismo) e nem de que será um período de paz, tranquilidade e justiça sobre a terra antes do retorno de Cristo. O amilenismo defende a crença de que o milênio citado em Apocalipse 20 refere-se ao período entre a primeira vinda e a segunda vinda de Cristo, ou seja, os nossos tempos.
O livro de Apocalipse precisa ser entendido de forma simbólica. Os seus capítulos não retratam acontecimentos consecutivos, mas sim os mesmos acontecimentos retratados de forma diferente. Como evidencia de que o livro se apresenta de forma figurada temos uma grande quantidade de números. Os números requerem uma interpretação mais figurativa no contexto de apocalipse, portanto entende-se que o livro precisa ser interpretado de forma figurada. E além dos números também existem várias simbologias.
O diabo hoje tem um poder limitado. No milênio Satanás estará preso; esse é o ensinamento bíblico. Porém devemos entender também que hoje, com o diabo no mundo, com sua influencia sobre as pessoas, seus poderes estão totalmente limitados. Ele tem muitas maldades em mente a fazer, porém ele não tem o poder suficiente para fazê-lo, e por isso está limitado. Esse é o sentido da prisão de Satanás quando se refere ao milênio. Desde o tempo da vinda de Cristo, onde Ele amarrou o valente, até a Sua volta ele estará preso, limitado; até que Cristo volte gloriosamente e o mande para o lago de fogo.
O irmão Cleómines A. F. descreve muito bem em que sentido Satanás será solto, ele diz: Esta limitação, entretanto, terá fim, de certo modo, isto é, ele será solto (ou,quem sabe já esteja?); e quando for solto, isto será concomitante com a grande tribulação (MT 24.29-30), com a apostasia (II Ts 2.8), e isto por breve tempo (Ap.20.8), na iminência da volta do Senhor, que descerá dos Céus e destruirá o Anticristo e seus aliados. E então se seguirão o novo e a nova terra, onde, em justiça, habitaremos com o Senhor não por mil anos,para sempre (I Co 15.52).
Entende-se portanto que o milênio consiste no reinado espiritual de Cristo no Seu povo. Isto ocorreu na primeira vinda de Cristo onde o valente foi amarrado, e culminará na Sua volta em poder e glória como juiz. Além disso também existe o texto de 2 Pedro 3:8 que ele nos diz que “um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia.”. O texto é claríssimo ao afirmar a não-literalidade dos mil anos. Algumas pessoas vem com o argumento: “Ah, se realmente formos considerar isso vamos ter que acreditar que Deus não criou o mundo em 6 dias, porque um dia pra ele é como mil anos”. Esse pensamento está totalmente equivocado. O contexto deste texto se dá exatamente no assunto da Sua vinda, portanto não há problema em se referir aos mil anos de Apocalipse como não literal e continuar crendo que o mundo foi criado realmente em 6 dias literalmente. A ideia se aplica ao assunto do contexto, não podemos expandir.
A primeira ressurreição de Apocalipse 20 é entendida como sendo a ressurreição espiritual dos incrédulos. Em toda a Bíblia é apresentada a ideia de apenas uma ressurreição, como, por exemplo: Jo 5:28-29, Dn 12:2; At 24:15.
Por fim, Berkhof faz uma análise interessante acerca do suposto convívio entre pessoas glorificadas e pecadoras. Ele diz: “É impossível entender como uma parte da velha terra e da humanidade pecadora poderá coexistir com uma parte da nova terra e de uma humanidade já glorificada. Como poderão os santos em corpos glorificados ter comunhão com pecadores na carne? Como poderão os santos glorificados viver nesta atmosfera sobrecarregada de pecado e em cenário de morte e decadência?”
Apesar de ser um assunto complicado e longo, tentei ao máximo passar a visão simples e enxuta da visão amilenista das Escrituras. Depois disto mostrado, espero que a cada dia que passe tenhamos mais confiança no Deus que uma vez prometeu o messias e cumpriu a promessa. Esperemos nele agora a volta do glorioso filho Cristo Jesus para nos levar e viver com Ele eternamente. A nossa confiança não está apenas baseada no futuro, mas no passado também.
Soli Deo Gloria.
via; http://verdadedocristianismo.blogspot.com.br

domingo, 4 de maio de 2014

A Marca da Besta.




 “fez que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, lhes fosse posto um sinal na mão direita, ou na testa, para que ninguém pudesse comprar ou vender, senão aquele que tivesse o sinal…” (Ap 13:16-17)
Assim como é o caso do número da besta, a marca da besta também sempre foi causa de muita especulação. Muitos daqueles que interpretam a besta como significando algo contemporâneo ou futuro a nós que estamos no século XXI acreditam que a marca da besta será algum tipo de chip implantado sob a pele das pessoas de forma que esse se torne o único meio de efetuar transações econômicas. Costumam acreditar que existe em nosso próprio tempo uma conspiração mundial para unificar todo o sistema econômico do mundo de forma que tudo seja submetido ao poder da besta. Mas em um livro cheio de dragões, bestas e criaturas semelhantes, é fatal achar que não devemos pensar duas vezes antes de entender as visões literalmente. Devemos comparar Escritura com Escritura e não Escritura com nossa própria imaginação para chegar a conclusões sólidas sobre o que cada símbolo significa. Devemos procurar na própria Bíblia pistas pra compreender o que o Apocalipse significa em fez de deixar nossa imaginação voar com base no noticiário do dia.
A ideia de um povo sendo marcado na testa ou na mão tem origem no livro de Deuteronômio: “Ouve, ó Israel; o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças. E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos, e delas falarás sentado em tua casa e andando pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te. Também as atarás porsinal na tua mão e te serão por frontais entre seus olhos”. (Dt 6.4-8) Este mandamento foi citado por Jesus Cristo como sendo maior de todos os mandamentos da Lei de Deus: “Mestre, qual é o grande mandamento na lei? Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento”. (Mt 22.36-38) O coração, sendo um órgão de nosso corpo, não pode ser aberto por meio de uma cirurgia pra que literalmente escrevamos palavras lá. Também não era possível que toda a Lei de Deus fosse literalmente atada na mão ou na testa entre os olhos . A ordem de Deus aqui não pode possivelmente ser entendida literalmente. A linguagem aqui é evidentemente figurada.
Na Bíblia o coração costuma se referir figuradamente ao centro das vontades, desejos e intenções do homem. Quando Deus diz que sua Lei deve ser inscrita em nossos corações, ele não está mandando que façamos uma cirurgia. Ele está ordenando que nossas vontades e desejos sejam submissos aos seus mandamentos. Assim também, quando ele fala da Lei de Deus na testa diante de nossos olhos, ele está falando figuradamente que devemos amar a Deus “de todo o teu entendimento”. (Mt 22.37) E quando Deus fala de sua Lei atada em nossa mão, ele está falando figuradamente do dever de amá-lo “de todas as tuas forças”. (Dt 6.5)
Esse é o pano de fundo para a visão da marca da besta. Os servos da besta não tem a Lei de Deus atada na testa (mente) ou na mão (força). Eles não prestam obediência a Deus e sim a besta. O objetivo do Apocalipse não era alertar sobre um chip que só viria séculos depois. Era alertar sobre o perigo de prestar obediência e culto aos imperadores de Roma. Era alertar sobre o perigo de substituir os mandamentos de Jesus Cristo pelos mandamentos de deuses pagãos. Quando João mandou seus destinatários não fossem marcados pela besta, isso realmente era uma possibilidade a eles. Não seria possível somente para nós mais de dois mil anos depois, mas era algo para aqueles que estavam sendo perseguidos e caçados por Roma. Aqueles que se recusavam a adorar Nero eram brutalmente perseguidos. Não podiam levar suas vidas normalmente. Não podiam comprar ou vender. Perdiam a casa, a família, os bens, a honra e até a própria vida.
A marca da besta não é a única marca do Apocalipse. Alguns versos depois, lemos sobre outros que também foram marcados: “E olhei, e eis o Cordeiro em pé sobre o Monte Sião, e com ele cento e quarenta e quatro mil, que traziam na testa escrito o nome dele e o nome de seu Pai”. (Ap 14.1) Esta não era uma tatuagem que Deus faria na testa de seus eleitos. É somente uma forma figurada de falar da obediência daqueles que tiveram coragem de resistir ao Império. Podiam ser roubados, perseguidos e brutalmente assassinados. Mas “venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho; e não amaram as suas vidas até a morte”. (Ap 12.11) Isto é o que o próprio Jesus já havia ensinado: “Quem achar a sua vida perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim achá-la-á”. (Mt 10.39)

sábado, 3 de maio de 2014

O EVANGÉLICO SABOR DE MEL


Sua vida gira em torno de uma busca frenética por vitórias, campanhas de conquistas, por sentir algo de Deus. É produto midiático de pastores virtuais da TV e rádio. Suas orações não constam a frase "seja feita a tua vontade". Sua fé é baseada em frases prontas e sem qualquer conhecimento de causa. Apenas resultado de efeitos produzidos por teologias modernas e nada ortodoxas. Sua contribuição financeira em sua congregação é dada não com base na generosidade, gratidão ou fé. Mas, no anseio da barganha divina por estar dando dízimo ou oferta. Suas canções prediletas são aquelas pautadas na motivação, autoestima e triunfalismo. Não evangeliza ninguém, sua prática de evangelização consiste em flagrante proselitismo. Conhece superficialmente a mensagem do evangelho, desconhece totalmente os cinco pontos da reforma protestante. Discipular alguém nem passa por sua lembrança. Sua visão de igreja consiste meramente no prédio onde tem uma placa denominacional. Toda a responsabilidade de ser igreja é centrada na figura pastoral que é vista como “sacerdote” do Antigo Testamento em detrimento do: “consolar uns aos outros”, “amar uns aos outros”, “edificar uns aos outros”, “admoestar uns aos outros”, “honrar uns aos outros”, “servir uns aos outros”, “suportar uns aos outros”. Não tem maturidade se quer para discernir entre o bem e o mal. Precisa de uma listinha do que pode e não pode fazer publicada pelo vidente idolatrado do monte. Quem sabe você que ler esse texto, com muita má vontade (por ser fortemente pragmático), não seja esse tipo de evangélico?
 
Fonte:  http://anti-heresias.blogspot.com.br/

Cada Dia