quarta-feira, 24 de maio de 2017

COMO SER O SAL DA TERRA

A questão é: o que é que Jesus estava tentando ensinar com essa mensagem, com essa figura do sal, o qual não existe para estar dentro do saleiro; que não existe para estar protegido, guardado, mas que é sal da terra, e não sal dentro do sal; sendo sal dentro de um contexto totalmente diferente do seu próprio conteúdo de sal. O que Jesus está querendo dizer quando diz aos discípulos:
"Vocês vão viver em meio a diferenças, a coisas que lhes são estranhas. Vou jogá-los dentro de algo que é radicalmente o oposto de vocês. Vocês não estão no mundo para procurar uniformidade para as suas próprias vidas. Ao contrário, vocês vão viver num ambiente essencialmente avesso a vocês, para que possam alterá-lo."
O que Jesus estava querendo dizer com isso? Pelo menos três coisas. A primeira é acerca da mensagem existencial que nos é trazida por Jesus. Quando Ele diz "Vós sois o sal da terra", Jesus está afirmando um conteúdo existencial extremamente diferente. Ele quer dizer:
"Vocês vão ser o elemento diferenciador deste planeta, dando gosto à Terra."
A Terra a que Ele está-se referindo não é a terra arável e cultivável na qual se pode plantar uma semente; mas a sociedade humana. Segundo Jesus, viver neste mundo não tem sabor, é amargo; a existência é insípida e sem prazer. O que Jesus está dizendo é que a Sua expectativa, quanto à nossa existência no mundo, é a mais prazerosa possível. Ninguém fala de sal, de gosto, de tempero, sem falar de uma existência com sabor, alegria, incitamento, desafio e sem aventura. Quando Jesus nos diz que somos o sal da terra, Ele nos afirma que a nossa vida tem que ser a mais saborosamente fantástica que esse mundo já viu, uma vez que ela tem de ter, no seu cerne, um conteúdo de gosto para o desgosto da terra. Ele nos diz ainda que devemos ser o paladar de Deus nessa terra insípida, sendo o elemento que traz sabor a uma existência inteiramente destituída de sabor. Agora, o que isso tem a ver com o projeto da existência da Igreja no planeta? às vezes, vejo muitos projetos eclesiásticos existindo para tirar o sabor, estragar o prazer e arruinar a vida. Onde há gosto, nós o tiramos. Onde existe a esperança, passamos a pregar o pessimismo. A segunda coisa que Ele está dizendo quando afirma que somos o sal da terra é que há uma dimensão ética nessa vocação. Se por um lado levamos sabor ao mundo, levando-lhe um conteúdo existencial radicalmente diferente daquele que o mundo tem em si mesmo, por outro lado não somos iguais ao mundo. Aliás, a nossa utilidade, diz Jesus, está em que mantenhamos dentro da Terra, dentro da sociedade humana, enquanto damos sabor e gosto, a diferença. "Vós sois o sal da terra".
Nós somos o sal, a terra é a terra. Quando o sal fica com gosto de terra, tornando-se insípido, vira monturo, não sendo possível diferenciá-lo de um monte qualquer. Para ser sal, tendo sentido e significação, torna-se necessário manter o conteúdo imaculado. Destarte, a diferença não vai ser estabelecida e medida por critérios visíveis, como tamanho de cabelo, o uso ou não de batom, o porte ou não de jóias, o ter ou não ter... A diferença não é esta. A diferença é ética, a qual se relaciona com as demais dimensões da vida, começando com as de natureza mais privada e indo para aquelas mais públicas. Não se está falando, aqui, de legalismos ou de literalismos; porém da manutenção do espírito de justiça, de verdade, de bondade, que se traduz em comportamento bondoso, que jamais se torna frouxo, e de uma liberalidade humana que jamais se torna libertina, mas que mantém um conteúdo de verdade, a qual não se transforma num "justicismo" executor, mas de uma verdade vivida em amor. Essa dimensão é diferenciadora, a qual se carrega, juntamente com Jesus, para dentro do mundo. Isso não pode ser negociado; isso não pode ser alterado. Só quando se mantém isso é que, mesmo nos vestindo como os outros cidadãos à nossa volta; ainda que fazendo parte de uma mesma comunidade lingüística, portanto, falando uma mesma língua; embora sendo pessoas vivendo uma mesma época que outras, somos radicalmente diferentes da geração da qual fazemos parte. A terceira coisa que Jesus diz quando afirma que somos o sal da terra é algo relativo à natureza social.
A primeira dimensão é existencial (leva-se gosto ao desgosto do planeta) . A segunda dimensão é de natureza ética (é-ser sal na terra, e não da terra; é-ser sal não dentro do saleiro, mas na terra, fazendo-se parte de algo que é totalmente diferente da nossa natureza intrínseca, mantendo a diferença, porém, conservando o conteúdo) . A terceira diferença tem uma dimensão social. Jesus não diz:
"Você é o sal da terra."
Mas:
"Vós sois o sal da terra".
Isso é plural, é comunitário, é coletivo, é social. Não é uma andorinha sozinha trazendo o verão, porém é uma revoada de pássaros esperançosos com uma nova época, com uma nova estação. Não é um cavaleiro solitário com a intenção quixotesca de transformar o mundo, no entanto é alguém inserido numa comunidade de fé, olhando para fora e dizendo:
"Você, eu, nós enfim, vamos viver como o sal da terra."
Isso, portanto, conquanto não iniba nossos sonhos pessoais, nossas potencialidades individuais e nossos desejos mais íntimos, tal dimensão nos compele a rever a nossa vida, a nossa existência e o nosso projeto pessoal como tendo necessariamente que fazer parte de algo maior do que nós, que é o nosso próximo. Não é uma questão de ser o sal da terra, mas de nós sermos o sal da terra, em nome de Jesus.


Autor: Caio Fábio


terça-feira, 23 de maio de 2017

O evangelho verdadeiro e sua singularidade.A essência do Evangelho de Paulo

Após se apresentar como apóstolo de Cristo, Paulo repudia
vigorosamente qualquer evangelho que não se harmonize com
o que tem pregado, realçando que o aprendera do próprio
Cristo, sem mediação de ninguém, nem mesmo dos apóstolos
de Jerusalém.
SAUDAÇÕES INICIAIS
GÁLATAS 1.1-5
1. Paulo, apóstolo enviado, não da parte de homens nem
por meio de pessoa alguma, mas por Jesus Cristo e por
Deus Pai, que o ressuscitou dos mortos,
2. e todos os irmãos que estão comigo, às igrejas da Galácia:
3. A vocês, graça e paz da parte de Deus nosso Pai e do
Senhor Jesus Cristo,
4. que se entregou a si mesmo por nossos pecados a fim de
nos resgatar desta presente era perversa, segundo a vontade
de nosso Deus e Pai,
5. a quem seja a glória para todo o sempre. Amém.
O autor da carta, Paulo, apresenta-se logo no início como
“apóstolo enviado, não da parte de homens nem por meio de
pessoa alguma, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai...” (1).
o evangelho verdadeiro e
sua singularidade
1.
18 A ESSÊNCIA DO EVANGELHO DE PAULO
Conforme visto no estudo sobre os aspectos introdutórios, Paulo
vinha sofrendo ataques de falsos mestres que, atuando entre
as igrejas da Galácia, diziam que ele não tinha a mesma posição
e autoridade dos apóstolos de Jerusalém. Por isso, a fim de que
sua epístola não fosse recebida como uma carta qualquer, vazia
de credibilidade e poder e, assim, fosse de pronto desprezada,
Paulo, de antemão, enfatiza aos seus leitores que o que têm em
mãos são ensinos procedentes de um apóstolo verdadeiro;
alguém que recebeu essa função do Filho de Deus e do próprio
Pai. Nisto, entre outras coisas, ele se diferenciava daqueles que,
já em seu tempo, se autodenominavam apóstolos, movidos
apenas pelo desejo de se destacar entre os crentes comuns e,
assim, enganá-los (2Co 11.13; Ap 2.2).
No v. 1, Deus Pai é mencionado como aquele que ressuscitou
Jesus dentre os mortos. A menção da ressurreição de Cristo é
importante aqui porque foi o Cristo ressurreto quem
diretamente investiu Paulo no ofício apostólico (Rm 1.5).
Ademais, a ênfase na ressurreição era sempre conveniente
numa época em que os homens estavam tão familiarizados
com o pensamento grego que, em algumas de suas
manifestações, considerava a matéria má, a ponto de mais tarde,
dentro de uma roupagem cristã, negar a encarnação do Filho
(1Jo 4.2; Hb 2.14) e a ressurreição física (1Co 15.12; 2Tm 2.18).
Ao escrever a Carta aos Gálatas, Paulo estava na companhia
de um grupo de irmãos. Não sabemos onde o Apóstolo estava
quando escreveu essa epístola e, portanto, nem de que cidade
eram os irmãos que tinha em sua companhia. Seja como for,
Paulo faz alusão a eles como se fossem participantes da
composição da carta (2). Sem dúvida o objetivo disso era
sensibilizar os destinatários ao mostrar-lhes que os apelos
ali constantes não eram fruto das preocupações de uma mente
isolada, mas que essas preocupações eram compartilhadas
por irmãos na fé sinceros, que se uniam a Paulo em suas
exortações, fazendo com ele um coro.
O EVANGELHO VERDADEIRO E SUA SINGULARIDADE 19
Eis aqui uma forma produtiva de como a igreja deve
demonstrar unidade: aliando-se aos ministros em seus apelos
e exortações, dando assim maior força às suas mensagens e
mostrando aos que estão no erro a reprovação unânime do
povo de Deus. De fato, nada encoraja mais os rebeldes do que
a consciência de que há crentes que não concordam com as
reprovações que lhes são dirigidas.
Como é seu costume, Paulo deseja que seus destinatários
desfrutem da graça e da paz que vem de Deus Pai e do Senhor
Jesus Cristo (3). A graça é o favor de Deus ministrado aos
homens quando estes nada fizeram para merecê-lo. A paz é a
ausência de intrigas nas relações entre as pessoas e também
a serenidade interior experimentada por quem desfruta de
saúde e do suprimento das necessidades em geral. A fonte de
tudo isso, para Paulo, é Deus.
Se, por um lado, o Pai foi descrito como quem ressuscitou
Jesus dentre os mortos (1), no v. 4, ao mencionar novamente
as duas Pessoas, Paulo focaliza Cristo, apontando-o como
aquele que “se entregou a si mesmo por nossos pecados”. A
morte voluntária de Cristo é afirmada aqui (Jo 10.17-18), bem
como o seu sentido teológico, ou seja, o fato de sua morte ser a
satisfação pelos nossos pecados (1Jo 2.2; 4.10). Para os gálatas,
fascinados com a idéia de que a observância da Lei Mosaica
poderia salvá-los, era crucial que Paulo frisasse que somente a
morte de Cristo pôde satisfazer as exigências de Deus. Buscar
satisfazer a justiça divina através de obras humanas seria o
mesmo que afirmar a insuficiência da cruz (Gl 2.21).
Ao sofrer a morte que era a punição pelos nossos pecados,
Cristo não somente teve como alvo nos substituir no castigo
a nós devido. Ao tirar-nos dentre os condenados à morte, ele
conseqüentemente nos resgatou “desta presente era perversa”
(4). O verbo traduzido como “resgatar” é exairew e também
significa livrar ou libertar do poder de outra pessoa. Há aqui
um breve lampejo do tema “liberdade cristã”, presente em toda
´
20 A ESSÊNCIA DO EVANGELHO DE PAULO
a epístola. A “presente era” da qual Cristo nos resgatou é o
atual sistema cultural com seus valores, crenças e apelos.
Trata-se de um sistema que rejeita Deus e, por isso, é perverso
e merecedor de justo castigo.
Cristo sofreu a nossa condenação e, assim, nos libertou deste
mundo condenado. Não somos mais participantes do seu
destino e também não devemos mais ser participantes de suas
práticas e modo de pensar. Fomos tirados de uma Sodoma que
em breve conhecerá o fogo do juízo e, não sendo mais seus
cidadãos, não devermos adotar seu estilo de vida (Rm 12.1-2).
Paulo conclui dizendo que todo esse livramento aconteceu
pela vontade do Pai (Ef 1.5; Tg 1.18). A origem da salvação está
sempre em Deus. É ele quem parte em busca do homem (Gn 3.9;
Os 11.1-2; Lc 19.10). O contrário nunca acontece (Jo 5.40; Rm
3.11). Por isso é natural que a seção termine com o apóstolo
atribuindo e ele “a glória para todo o sempre. Amém.”

Pastor. Marcos Granconato.

domingo, 21 de maio de 2017

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Engano gospel

Vem ai no mês de Fevereiro no Brasil,   mais uma loucura pentecostal, que de fato é todo ano. O misticismo gospel com os mentores da bruxaria enganosa, desses lideres religiosos ,já, estamos cansados desse falso evangelho. É tanta mentira tanto engano que só Jesus com sua graça e o evangelho para nos livrar dessa desgraça. Refuto tais praticas com os textos do novo testamento. Se, então, alguém disser: 'Vejam, aqui está o Cristo!' ou: 'Ali está ele!', não acreditem. Pois aparecerão falsos cristos e falsos profetas que realizarão grandes sinais e maravilhas para, se possível, enganar até os eleitos. Vejam que eu os avisei antecipadamente. "Assim, se alguém disser: 'Ele está lá, no deserto!', não saiam; ou: 'Ali está ele, dentro da casa!', não acreditem.
Mateus 24:23-26:Admiro-me de que vocês estejam abandonando tão rapidamente aquele que os chamou pela graça de Cristo, para seguirem outro evangelho que, na realidade, não é o evangelho. O que ocorre é que algumas pessoas os estão perturbando, querendo perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou um anjo dos céus pregue um evangelho diferente daquele que pregamos a vocês, que seja amaldiçoado!
Gálatas 1:6-8 : O que receio, e quero evitar, é que assim como a serpente enganou Eva com astúcia, a mente de vocês seja corrompida e se desvie da sua sincera e pura devoção a Cristo. Pois, se alguém tem pregado a vocês um Jesus que não é aquele que pregamos, ou se vocês acolhem um espírito diferente do que acolheram ou um evangelho diferente do que aceitaram, vocês o toleram com facilidade.
2 Coríntios 11:3-4: Essa questão foi levantada porque alguns falsos irmãos infiltraram-se em nosso meio para espionar a liberdade que temos em Cristo Jesus e nos reduzir à escravidão. Não nos submetemos a eles nem por um instante, para que a verdade do evangelho permanecesse com vocês.
Gálatas 2:4-5: Pois tais homens são falsos apóstolos, obreiros enganosos, fingindo-se apóstolos de Cristo. Isso não é de admirar, pois o próprio Satanás se disfarça de anjo de luz. Portanto, não é surpresa que os seus servos finjam ser servos da justiça. O fim deles será o que as suas ações merecem.
2 Coríntios 11:13-15: No passado surgiram falsos profetas no meio do povo, como também surgirão entre vocês falsos mestres. Estes introduzirão secretamente heresias destruidoras, chegando a negar o Soberano que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. Muitos seguirão os caminhos vergonhosos desses homens e, por causa deles, será difamado o caminho da verdade. Em sua cobiça, tais mestres os explorarão com histórias que inventaram. Há muito tempo a sua condenação paira sobre eles, e a sua destruição não tarda.
2 Pedro 2:1-3 (Valdir Davalos)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

O CARNAVAL - DEFINIÇÃO, ORIGENS E COMEMORAÇÕES

O Brasil é o país do Carnaval - esta é a realidade conhecida quase que mundialmente. Todos os anos, independentemente de crises ou dificuldades, o país pára por alguns dias e celebra essa grande festa, com grande pompa, requintes e euforia. De uma forma ou de outra, seus participantes se envolvem com os festejos, dentro de suas próprias condições ou até acima delas, tudo no empenho de não perder o tal 'reinado de Momo'.

Neste contexto já estabelecido como realidade folclórica, estamos nós cristãos como Igreja de Jesus, e muitas vezes com dificuldades para encarar o nosso posicionamento sobre esse assunto. Desconhecendo a verdade nesse particular, alguns deixam de evidenciar sua fé, e com isso dão a impressão de que o Carnaval e o Cristianismo não são incompatíveis entre si.

O texto que o leitor irá acompanhar aborda essa questão, mostrando o Carnaval nas suas origens e comemorações gerais, e apresenta um posicionamento bíblico que deve definir a conduta cristã em relação ao assunto.

Assim, inseridos no contexto da maior festa popular, como servos de Deus que somos, existe a possibilidade de viver e evidenciarmos nossa fé cristã, cumprindo assim a nossa missão de "luzeiros no mundo" (Fp 2.15).


DEFINIÇÃO

O termo "Carnaval" não possui uma origem etimológica tão definida e clara. Os estudiosos do assunto levantam três possíveis origens para o termo: uma seria 'carnem levare', do latim 'abstenção de carne', ou do italiano 'carnevale' - 'adeus à carne' - termos esses que expressam o costume de se abster de carne no último dia que antecede a Quaresma. Outra possibilidade é que seja derivado do latim 'carnevamen' ou 'carnis levamen' - literalmente 'prazer da carne', como significando os apetites e exageros antes do período de respeito  e moralidade da Quaresma. E uma outra possibilidade é que o vocábulo venha do latim 'carrus navales' - 'carros navios', uma espécie de barcos com rodas, usados em cortejos festivos.

Para todas essas etimologias encontramos defensores e opositores, mas em essência, o termo expressa o período que antecede a Quaresma, seja com jejuns e continência para alguns, ou tal como se usa o termo para designar os festejos e exageros que precedem a quarta-feira de cinzas. Aliás, esse é o sentido predominante, pois independente da real origem etimológica, "carnaval" hoje é sinônimo de festa, euforia, exagero, farra, orgia, atrapalhadas ou confusões, tal como os linguistas colocam nos dicionários.

Portanto, o nosso estudo em pauta, "carnaval" será usado para referir-se aos festejos gerais que precedem a Quaresma, festejos esses que constituem a maior festa popular, com todos os seus requintes, euforias e as mais variadas celebrações, inclusive até fora de sua data ou período costumeiros.


NO EGITO ANTIGO

Em tempos remotos, o Egito festejava suas grandes divindades, o boi Ápis e Ísis, com grandes celebrações populares. Nestas o povo participava com procissões e oferendas, músicas e danças, num misto de devoção e euforia coletivas, prestando homenagem a essas divindades tão estimadas. Especificamente na festa ao boi Ápis, os egípcios pintavam um boi branco com vários símbolos e cores, o cortejavam festivamente pelas ruas, com toda a sociedade egípcia fantasiada ou mascarada e em grande devassidão, até que finalmente no rio Nilo afogassem esse boi. E a deusa Ísis também era homenageada com folguedos populares, com pompa, devoção e euforia dos seus adoradores.


NA GRÉCIA ANTIGA

O gregos foram a civilização mais intelectual do mundo antigo, não só criando e desenvolvendo uma cultura nova, como também assimilando e reformulando conceitos e costumes de outros povos. Em matéria de costumes religiosos, eles criaram e viveram em função de uma mitologia tão diversificada, que não havia nada no seu cotidiano que não fosse regido por uma divindade específica. E nessa diversidade de crenças e celebrações, algumas divindades tinham seus cultos que consistiam em festins de grande euforia popular, como no caso do culto a Dionísio, considerado filho de Júpiter. Dionísio era o deus do vinho, e em sua homenagem o povo bebia e se embriagava, saía em grandes procissões com toda sensualidade e devassidão.


NO IMPÉRIO ROMANO

O Império Romano, englobando muitas nações com seus vários costumes, sintetizou muito deles em certas comemorações novas, ou apenas adaptou os mesmos para sua mentalidade ou interesses próprios. É por isso que os deuses da mitologia antiga têm nomes gregos e latinos.

A Roma antiga era cheia das mais variadas diversões para agradar a todos, e assim tinham seus muitos 'carnavais'. Deu outra forma à crença e comemorações gregas a Dionísio, transformando-o em Baco e celebrando-lhe os famosos 'bacanais'.

Em meados de dezembro realizavam-se as 'Saturnais', que eram festividades a Saturno, que segundo a crença geral era o deus expulso do Olimpo, tornando-se o doador da alegria, em contraposição à miséria e pobreza, tão comuns na sociedade daquele tempo. Em fevereiro celebravam as 'lupercais', que eram cortejos dos sacerdotes do deus Pã, chamados 'lupercos', que despidos e sujos de sangue agitavam as multidões. Em março comemoravam com grande algazarra a festa ao deus Baco, os conhecidos 'bacanais' romanos, que possivelmente eram a maior celebração popular antiga, em que seus participantes embriagados cometiam todos os devaneios possíveis. Nessas festas os participantes, tais como os indus, usavam máscaras e invocavam seus antepassados mortos e lhes celebravam homenagens. Em todos esses festins o Império Romano praticamente parava, para que o povo ficasse por conta das comemorações. As diversas classes sociais se misturavam desfazendo-se as desigualdades, a ordem pública era quase abolida, escolas, tribunais e repartições públicas do governo fechavam suas portas, a imoralidade e a libertinagem ficavam liberadas. E como usava-se máscaras e fantasias, era difícil identificar os participantes em seus devaneios!

Nesta celebração abolia-se a decência, e o povo extravasava suas euforias sufocadas pela moral de outras épocas do ano, escarnecia-se das realidades gerais do seu cotidiano, e numa total liberdade de expressão física e verbal, sem restrição alguma, dramatizava e até ridicularizava tudo que era considerado motivo para farras. Acredita-se que a origem dos carros alegóricos seja a maneira de ridicularizar os carros dos generais romanos e suas entradas triunfais após as grandes vitórias militares...

Como Roma influenciou tantos povos e culturas, o seu Carnaval foi exportado para grande parte do mundo, sendo celebrado em cada lugar com os estilos próprios dos povos que o incorporaram ao seu folclore local.

E no decorrer da história, mesmo com o advento do Cristianismo, o Carnaval não foi abolido das celebrações anuais. Autoridades eclesiásticas de grande expressão como Tertuliano, Cipriano e Clemente de Roma se posicionaram contra tal costume, mas mesmo assim o Carnaval continuou e chegou inclusive a ser incentivado e patrocinado pelo Papa Paulo II, pois em meados do século XV durante seu pontificado, perto do seu palácio, na Via Lata, se celebrava os festejos carnavalescos com máscaras, corridas de cavalos, carros alegóricos e batalha de ovos, farinha e água entre os participantes!


O CARNAVAL BRASILEIRO

O Carnaval chegou ao Brasil com os colonizadores. No início estava vinculado mais à classe alta da nobreza e, com o tempo, foi também celebrado por outras classes sociais; tudo isso nas regiões mais influentes do período colonial, como a Bahia e principalmente Rio de Janeiro.

Segundo alguns historiadores, a primeira manifestação carnavalesca no Brasil se deu em 1641, no Rio de Janeiro, quando para comemorar a restauração do trono português, com muita pompa membros do governo carioca da época fizeram grande cortejo em saudação a D. João IV. Já nesse tempo os portugueses tinham seu festim eufórico, chamado 'entrudo', que consistia da entrada de cortejos pelas ruas e avenidas, com músicas, danças e fantasias, com o envolvimento dos que desejassem participar. Em tempos posteriores, mo século XIX, segundo se tem notícia, o próprio recatado D. Pedro II, na Quinta da Boa Vista, (Rio de Janeiro), participava dos festejos, atirando água aos membros da nobreza, pois era costume nestes festins, o jogar água, talos de hortaliças, farinha e ovos entre os foliões.

Em 1840 foi realizado o primeiro baile com máscaras, isso no Hotel Itália no Rio, por iniciativa da italiana sua proprietária. Alguns anos depois, em 1948, o sapateiro português José Nogueira de Azevedo Prates - (o Zé Pereira), saiu no cortejo tocando bumbo, dando origem assim aos ritmos carnavalescos, que nesse tempo já era de grande participação popular, onde as diversas classes sociais se misturavam na festa, sendo que escravos vestiam de ricos para ridicularizar seus patrões! Com o tempo esses cortejos foram sendo organizados em grupos, surgindo assim, em 1866, os 'cordões' ou as sociedades carnavalescas. Em 1885 já havia desfiles com carros alegóricos.

Na Bahia, por esse tempo, o Carnaval já era predominante, pois surgia em 1885, os 'afoxés', grupos ou sociedades carnavalescos formados pelos escravos. Essas sociedades sempre foram muito influentes no carnaval baiano, e ainda hoje têm seus blocos remanescentes, como 'os filhos de Gandhi' e o 'Olodum', internacionalmente conhecidos.

No Rio de Janeiro, em 1889, os blocos carnavalescos foram organizados e até licenciados pelas autoridades locais para as suas apresentações, tornando-se assim em desfile oficial, com carros alegóricos e muitas fantasias. Pouco tempo depois, em 1892, chegavam os confetes importados; depois as serpentinas substituíram as rosas que eram jogadas nos foliões... Mais tarde, em 1906, chegavam da França os 'lanças-perfume', proibidos futuramente na década de sessenta, por serem usados como entorpecente. Músicas eram compostas para cada Carnaval, com temas variados: Assim a renomada abolicionista Chiquinha Gonzaga compôs em 1899, o "Ô abre alas"; em 1917 o primeiro samba, o "Pelo telefone" de Donga. Em 1919 já havia concursos de músicas carnavalescas no Rio de Janeiro, algo que tanto floresceu que o prefeito Pedro Ernesto o oficializou em 1932.

A primeira escola de samba nasceu no Rio, no Bairro do Estácio, em 1928. Em 1933, o jornal carioca 'A Noite' instituiu o "Rei Momo", e o primeiro foi o compositor Silvio Caldas. Em 1935 ocorreu a legalização do desfile das escolas de samba, e no ano seguinte já havia concurso de fantasias. O primeiro grande desfile de fantasias aconteceu no Teatro Municipal do Rio, em 1937. Na década de sessenta surgiram as bandas, e mais recentemente os trios elétricos...

Em linhas gerais esse é o histórico do Carnaval brasileiro, sendo hoje uma das maiores festas do mundo. Gastos enormes são feitos pelo poder público para essa festividade, desde enfeites decorativos, até prevenção ou combate à doenças ou tragédias vinculadas ao evento. Sem se considerar crises ou fatores adversos, anualmente o país pára por alguns dias e celebra o Carnaval, que a cada ano se torna mais requintado, sensual e profano.

Sendo assim, o Carnaval é comemoração antiga, oriundas de várias culturas remotas, celebrado com objetivos diversos, sejam religiosos e pagãos, ou simples folclore de um povo que faz sua diversão nacional, conhecida como 'reinado de Momo'. Para fins de esclarecimentos, "Momo" ou 'Sarcasmo', segundo a mitologia grega, era um deus, filho do deus Sono e da deusa Noite, que no Olimpo criticou as maravilhas feitas pelos deuses Netuno, Vulcano e Minerva, o que provocou sua expulsão do Olimpo, vindo então para o reino dos homens na terra, sorrindo como se nada lhe tivesse acontecido e, perdido nesse contexto, com seus olhos escondidos por uma máscara, passou a observar todas as ações divinas e humanas, e nelas encontrando motivos para se divertir e fazer suas zombarias...

Portanto, o Carnaval é mesmo o reinado de Moma, e mesmo que não seja comemorado especificamente para esse suposto deus decaído, tal festa é a real expressão desse conceito pagão tão antigo, na qual predomina toda espécie de escárnio, zombaria ou ridicularizações bizarras, exatamente como o comportamento de Momo, considerado como 'Rei do Carnaval'.


Fonte Bibliográfica: FONSÊCA, Salvador Moisés. Respostas da Fé Cristã - O posicionamento cristão acerca de costumes do mundo atual. Patrocínio, Minas Gerais: CEIBEL, 2003. pag. 95-104.


Obs.: Esse texto teve pequenas alterações sem mudar ou distorcer a visão do autor sendo honesto à ideia de tal. Também é justo lembrar que o estudo exposto no livro "Respostas da Fé Cristã - O posicionamento cristão acerca de costumes do mundo atual" tem mais conteúdo acerca do assunto e é mais completo. Se quiserem ter acesso ao material (livro) entrem em contato com o CEIBEL pelo telefax: (34) 3831-2059; ou pelo e-mail: ceibel@wbrnet.com.br

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O Rev. Salvador Moisés da Fonsêca é bacharel em Teologia, ministro presbiteriano e professor no Instituto Bíblico Eduardo Lane (IBEL).
Via: reformandoideia.blogspot.com.b

COMO SER O SAL DA TERRA

A questão é: o que é que Jesus estava tentando ensinar com essa mensagem, com essa figura do sal, o qual não existe para estar dentro do ...