terça-feira, 22 de maio de 2018

As Duas Testemunhas e a Sétima Trombeta

As Duas Testemunhas e a Sétima Trombeta
“Foi-me dado um caniço semelhante a uma vara, e também me foi dito: Dispõe-te e mede o santuário de Deus, o
seu altar e os que naquele adoram...”. (Apocalipse11.1)
Este versículo é a prova de que o Apocalipse foi
Escrito antes da queda do templo de Jerusalém no ano 70 d.C.
Se a João é dito para medir o santuário é porque o mesmo
ainda estava de pé. Com base nesse versículo os dispensacionalistas afirmam que o templo de
Salomão será reconstruído no futuro. Não existe sequer uma
passagem em toda a Bíblia que sugira que o templo
de Jerusalém será reconstruído no futuro. Pode até ser que os judeus consigam reconstruí-lo, mas isto não seria cumprimento da profecia bíblica. Alguém poderá citar 2ª Tessalonicenses 2.1-
4 como prova de que no futuro o
templo será reconstruído e ocupado pelo Anticristo.
Veja o referido texto abaixo: “Irmãos, no que diz respeito
à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa reunião com ele, nós vos exortamos a que não vos demovais da vossa mente, com facilidade, nem vos perturbeis, quer
por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como se procedesse de nós, supondo tenha chegado o Dia do Senhor.
Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto não
acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou é objeto
de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus”.Para começo de conversa essa “vinda”de Cristo, “à nossa reunião com ele”
e o chamado “Dia do Senhor”foram eventos que
ocorreram no primeiro século, na geração dos discípulos. A“ vinda” de Cristo aqui descrita é a vinda em julgamento contra Jerusalém. A nossa reunião com ele é descrita em Mateus 24.31:“E ele enviará os seus anjos, com grande clangor de
trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus”
.(o grifo é meu)Este versículo se baseia no imaginário do Antigo Testamento simbolizando a grande obra que estava prestes a ter início que é justamente o grande
ajuntamento do povo de Deus em uma nova
nação. Se a “vinda” descrita por Paulo era de fato o arrebatamento, porque razão os tessalonicenses estavam preocupados sobre a possibilidade de esse dia haver
chegado?E para fechar com chave de ouro
os versículos seguintes de 2ª Tessalonicenses 2 mostram
claramente que o “homem da iniqüidade” que haveria de assentar-se no santuário de Deus, foi um personagem
que estava vivo naquela ocasião, no primeiro século da era cristã, veja:“Não vos recordais de que, ainda convosco, eu costumava dizer-vos estas coisas?E, AGORA, sabeis
o que o detém, para que ele seja revelado somente em ocasião própria.Com efeito, o mistério da iniqüidade já opera e aguarda somente que seja afastado aquele que AGORA o detém;
então, será, de fato, revelado o iníquo, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e o destruirá pela manifestação de sua vinda”.(2ª Tessalonicenses 2.5-8 –
o grifo é meu) Enquanto os dispensacionalistas discutem sobre quem é “aquele” detém o homem da iniqüidade, Paulo deixou claro que os tessalonicenses sabiam quem era. E, pior, a palavra “agora” é repetida duas vezes, provando assim que o homem da iniqüidade era alguém contemporâneo dos tessalonicenses. Diante de evidências tão simples, claras e objetivas, o grave problema que vejo no dispensacionalismo é que muitos de seus adeptos contornamos sentido claro das Escrituras apelando para especulações proféticas.
Muitos em suas apelações vão perguntar sobre quem foi, então, que era o homem da iniqüidade, qual base histórica
para identificá-lo etc. Tenho visto muito sobre isto!Identificar e situar historicamente o homem da iniqüidade não é o
problema. Tenho excelentes estudos que mostram a questão sobre vários ângulos. O que me incomoda é a leitura superficial do texto bíblico. Mesmo que não tivéssemos as obras do
historiador Flávio Josefo,e de nenhum historiador daquela época, deveríamos ficar agarrados ao texto da Escritura, ainda que sem evidências externas.
Está faltando mais respeito para com a Palavra de Deus
por parte de muitos.Os “dispensacionalistas reconhecem que deve haver um templo para que esta passagem [de Apocalipse 11.1] seja cumprida. Já que atualmente não há um, ele será reconstruído em breve [segundo eles]. Mas o pensamento aqui [em Apocalipse11.1] é o seguinte: esta passagem se cumpre na destruição do Templo no ano 70 d.C.!”1Apocalipse capítulo
11 ensina claramente que o templo será destruído durante a Grande Tribulação. Mas, o“Dispensacionalismo ensina-nos que haverá um templo durante o Milênio, que vem depois da
Grande Tribulação; o que significa que deve haver
dois templos reconstruídos, um reconstruído para ser destruído na Grande Tribulação e outro para a vinda do Milênio. Na verdade, eu nunca ouvi uma nota dispensacionalista assegurar
este ponto reconhecendo que sua teologia não abre
espaço para apenas um templo reconstruído, mas para dois!”
O fato é que o Dispensacionalismo é um sistema
recente com quase dois séculos de existência. Esse ensino foi ignorado durante os primeiros dezoito séculos da igreja cristã. Não é porque uma doutrina seja recente que poderia ser falsa,mas o Dispensacionalismo deixa
muito a desejar e ultrapassa o que está escrito
na Bíblia. O Dispensacionalismo é o causador de uma verdadeira confusão teológica, pois muitos autores dispensacionalistas listam até 22 eventos
separados sobre a vinda de Cristo e utilizam quadros
complicados para explicarem sua doutrina. Segundo
o reverendoD. H. Kuiper alguns dispensacionalistas ensinam sobre “sete dispensações, oito pactos, duas
segundas vindas, três ou quatro ressurreições, e pelo menos quatro julgamentos. É difícil conceber isto como sendo o ensino da Bíblia, que foi escrita numa linguagem
simples para pessoas simples; sim, para crianças”.3Por isto, devemos nos agarrar sempre a não complicada e clara Palavra de Deus, para obter luz nesses assuntos.Sobre “medir”
o santuário de Deus “João aqui não oferece detalhes, mas nos lembra da medição do templo em Ezequiel 40-42”.4Devemos observar “a importância das mensagens dos profetas
em relação ao cumprimento do mistério de Deus, notando que o contexto de Ezequiel 37-39 mostra o domínio do Messias sobre as nações. Em Ezequiel 40-42, o profeta assiste enquanto um homem mede o templo. A visão de Ezequiel mostra o povo de Deus
restaurado à glória e à proteção de Deus, o qual volta ao templo no capítulo 43.Zacarias 2:1-5 apresenta outra visão de medição, esta vez de Jerusalém. Como nos intervalos do Apocalipse, o propósito da visão de Zacarias é assegurar os fiéis da proteção divina: “Pois eu lhe serei,
diz o SENHOR, um muro de fogo em redor e eu mesmo serei, no meio dela, a sua glória” (Zacarias 2:5).
Ao ouvir a ordem para medir o santuário, João e seus leitores, sem dúvida, lembrariam dessas passagens proféticas e do consolo que oferecem aos servos do Senhor”.5O “objetivo p
ara medir o templo de Deus (11:1) foi para designar qual parte e rapara a preservação. Como Milligan diz: “...medir
expressa o pensamento de conservação, não de destruição”.
Embora o templo propriamente dito fosse bastante pequeno, o complexo do templo era muito grande. Apenas no templo, o que consiste no lugar santo e no santo dos santos, é o que está sendo medido simbolicamente para a proteção. E não é só o templo que está sendo medido, mas aqueles que adoram lá também. Como Carrington diz: “...ele só pode representar o corpo dos verdadeiros crentes que formam o templo espiritual onde Deus habita. Enquanto o pátio externo estão os judeus não-cristãos que serão“ entregues”ao poder dos gentios”.
Esta medida simbólica é para determinar que “
mede-se”no padrão de Deus. Na verdade, todo o templo foi destruído, não apenas o pátio dos gentios. No entanto, o povo de Deus não foi destruído: eles foram entregues. O resto que não estavam “à altura”foi destruído. Esta medição do Templo “
tem a ver com a edificação do templo
espiritual dos crentes verdadeiros, isto é, da igreja primitiva de
Jerusalém... Este círculo interno dentro do antigo Israel é
considerado por São João como o verdadeiro Israel reconhecido por Deus. O pátio externo, que é entregue aos gentios, simboliza os outros judeus que rejeitaram a Cristo e
que não estão sendo construídos em seu templo espiritual”.6“...
mas deixa de parte o átrio exterior do santuário e não o meças,
porque foi ele dado aos gentios; estes, por quarenta e dois meses, calcarão aos pés a cidade santa”.(Apocalipse 11.2)
A expressão “deixa de parte”vem da palavra grega ἐκβάλλω (ekballō)que é mais bem traduzida por“ jogar fora”ou “expulsar”. No Novo Testamento a expressão“ jogar para fora, ‘quase sempre se aplica a excomunhão ou exclusão’.7Aqui a nação de Israel está sendo excomungada. “
Os judeus não são mais o povo de Deus; a
Igreja agora preenche esse papel. Israel figurativamente e
literalmente Jerusalém foram expulsos, excomungados, e entregue aos gentios”.8“...porque foi ele dado aos gentios; estes, por quarenta e dois meses, calcarão aos pés a cidade santa”.O “átrio exterior do santuário”não é medido porque não está sob a proteção de Deus. O fato de ser dado aos gentios
foi anteriormente anunciado por Jesus em Lucas 21.20 24:“Quando, porém, virdes Jerusalém sitiada de exércitos, sabei que está próxima a sua devastação.Então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes; os que se
encontrarem dentro da cidade, retirem-se; e os que estiverem nos campos, não entrem nela.
Porque estes dias são de vingança, para se cumprir tudo o que está escrito.Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias! Porque haverá grande aflição na terra e ira contra este povo.Cairão
a fio de espada e serão levados cativos para todas as
nações; e, até que os tempos dos gentios se completem,Jerusalém será pisada por eles”.“
Vespasiano recebeu sua comissão de Nero, e declarou guerra
contra Jerusalém em fevereiro do ano 67d.C.O cerco terminou com a queda de Jerusalém, a queima da cidade e o templo, em agosto do ano70 d.C.Este cálculo de datas soma quarenta e
dois meses para Jerusalém ser ‘pisada’ [...]
Os “tempos dos gentios”em Lucas são os
tempos de julgamento em Jerusalém e não
os tempos de salvação dos gentios”.9“Os tempos dos gentios foram cumpridos quando os
romanos completaram a destruição de Jerusalém, que levou 42
meses”.

domingo, 20 de maio de 2018

A BESTA DO APOCALIPSE JÁ SE CUMPRIU.


“...e adoraram o dragão porque deu a sua autoridade à besta;
também adoraram a besta, dizendo: Quem é semelhante à besta?
Quem pode pelejar contra ela?(Apocalipse 13.4)
Seja o poder religioso ou governamental, as demonstrações de
poder ganham a admiração das pessoas. As pessoas podem ser
persuadidas pela autoridade de seus governantes e líderes religiosos
através de “todo poder, e sinais, e prodígios de mentira” (2ª
Tessalonicenses 2.9-10). Este é o caso aqui em questão. Não
precisamos saber detalhes específicos do que aconteceu em Roma
para crer que tudo isto se cumpriu no primeiro século da era cristã.
Basta somente o que Jesus disse que tudo seria cumprido ainda
naquela geração dos discípulos (Mateus 24.34).
Foi-lhe dada uma boca que proferia arrogâncias e blasfêmias e
autoridade para agir quarenta e dois meses; e abriu a boca em
blasfêmias contra Deus, para lhe difamar o nome e difamar o
tabernáculo, a saber, os que habitam no céu. (Apocalipse 13.5-6)
As blasfêmias da besta (Império Romano) foram:
1. Em seu tratamento contra o tabernáculo de Deus em Jerusalém;
2. Seu tratamento contra a igreja de Cristo;
3. Nos títulos de divindade e adoração que os imperadores
exigiram dos cidadãos de Roma.9
E como resultado, a besta teve seu castigo:
“E vi a besta e os reis da terra, com os seus exércitos,
congregados para pelejarem contra aquele que estava montado no
cavalo e contra o seu exército.
Mas a besta foi aprisionada, e com ela o falso profeta que, com os
sinais feitos diante dela, seduziu aqueles que receberam a marca da
besta e eram os adoradores da sua imagem. Os dois foram lançados
vivos dentro do lago de fogo que arde com enxofre”.
(Apocalipse 19.19-20)
“...e autoridade para agir quarenta e dois meses...”.
Os quarenta e dois meses em que a besta agiu são o equivalente há
três anos e meio ou mil duzentos e sessenta dias. É interessante que
―a perseguição de Nero contra a Igreja de fato durou um total de 42
meses, a partir de meados de novembro de 64 d.C. até o início do
mês de Junho 68 d.C.‖.10
Foi-lhe dado, também, que pelejasse contra os santos e os
vencesse. Deu-se-lhe ainda autoridade sobre cada tribo, povo,
língua e nação...”. (Apocalipse 13.7)
Fazer guerra contra os santos é a perseguição contra a igreja de
Cristo, e não uma perseguição contra Israel. Daniel 7.19-27 mostra
exatamente o proceder de Roma descrito aqui em Apocalipse 13.7:
“Então, tive desejo de conhecer a verdade a respeito do quarto
animal, que era diferente de todos os outros, muito terrível, cujos
dentes eram de ferro, cujas unhas eram de bronze, que devorava,
fazia em pedaços e pisava aos pés o que sobejava; e também a
respeito dos dez chifres que tinha na cabeça e do outro que subiu,
diante do qual caíram três, daquele chifre que tinha olhos e uma
boca que falava com insolência e parecia mais robusto do que os
seus companheiros.
Eu olhava e eis que este chifre fazia guerra contra os santos e
prevalecia contra eles, até que veio o Ancião de Dias e fez justiça
aos santos do Altíssimo; e veio o tempo em que os santos possuíram
o reino.
Então, ele disse: O quarto animal será um quarto reino na terra, o
qual será diferente de todos os reinos; e devorará toda a terra, e a
pisará aos pés, e a fará em pedaços.
Os dez chifres correspondem a dez reis que se levantarão daquele
mesmo reino; e, depois deles, se levantará outro, o qual será
diferente dos primeiros, e abaterá a três reis.
Proferirá palavras contra o Altíssimo, magoará os santos do
Altíssimo e cuidará em mudar os tempos e a lei; e os santos lhe
serão entregues nas mãos, por um tempo, dois tempos e metade de
um tempo.
Mas, depois, se assentará o tribunal para lhe tirar o domínio, para
o destruir e o consumir até ao fim.
O reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o
céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será
reino eterno, e todos os domínios o servirão e lhe obedecerão”.
Após a expansão do império, Roma conseguiu ter poder “sobre
cada tribo, povo, língua e nação”.
Nos escritos do historiador romano Tácito temos alguns detalhes
sobre como Roma (a besta) fazia guerra contra os santos:
―Para se livrar dos rumores, Nero criou bodes expiatórios e
realizou as mais refinadas torturas em uma classe odiada por suas
abominações: os cristãos (como eles eram popularmente chamados).
Cristo, de onde o nome teve origem, sofreu a penalidade máxima
durante o reinado de Tiberius, pelas mãos de um dos nossos
procuradores, Pôncio Pilatos. Pouco após, uma perversa superstição
voltou à tona e não somente na Judéia, onde teve origem, como até
em Roma, onde as coisas horrendas e vergonhosas de todas as partes
do mundo encontram seu centro e se tornam populares. Em seguida,
foram presos aqueles que se declararam culpados, então, com as
informações deles extraídas, uma imensa multidão foi condenada,
não somente pelo incêndio, mas pelo seu ódio contra a humanidade.
Ridicularizações de todos os tipos foram adicionadas às suas mortes.
Os cristãos eram cobertos com peles de animais, rasgados por cães e
deixados a apodrecer; crucificados; condenados às chamas e
queimados para que servissem de iluminação noturna quando a luz
do dia já tivesse se extinguido‖.11
“...e adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra, aqueles cujos
nomes não foram escritos no Livro da Vida do Cordeiro que foi
morto desde a fundação do mundo. (Apocalipse 13.8)
Já vimos algumas vezes neste comentário que a palavra ―terra‖ é
uma referência a ―terra de Israel‖ e não ao ―planeta Terra‖. Pode ser
que no contexto aqui do versículo 8 seja uma referência a todo o
império romano. Vemos uma situação semelhante no evangelho de
Lucas:
“E aconteceu, naqueles dias, que saiu um decreto da parte de César
Augusto, para que todo o mundo se alistasse”.
(Lucas 2.1 – Almeida Revista e Corrigida)
A palavra ―mundo‖ no grego é ―oikoumene‖ e significa ―terra
habitada‖. Esta palavra era usada em referência ao império romano.
Os tradutores corrigiram a tradução e trocaram ―todo o mundo‖ por
―império‖. Vemos isto na tradução Almeida Revista e Atualizada:
“Naqueles dias, foi publicado um decreto de César Augusto,
convocando toda a população do império para recensear-se.
Portanto, adorar a besta era praticar culto ao imperador, algo
comum no império romano. Com exceção dos cristãos todos os
povos do império praticavam esse ato idólatra.
Segundo Dennis Allan a ―adoração dos líderes romanos já se
tornou comum nas décadas antes de João receber a mensagem do
Apocalipse. Júlio César tinha uma estátua de si mesmo com a
inscrição «ao deus invencível». César Augusto, sobrinho e filho
adotivo de Júlio, continuou a adoração de seu predecessor com a
construção em Roma de um templo ao «Divino Júlio».
Durante o reino de Augusto, o primeiro imperador romano, o culto
imperial ganhou força e foi largamente difundido nas províncias,
inclusive na Ásia. Augusto promoveu a adoração do rei morto, Júlio
César. A própria Roma foi adorada, e a honra do imperador
aumentou cada vez mais, chegando ao ponto de reconhecê-lo como
um deus. Um templo para augusto foi erigido em Pérgamo. Seu
sucessor, Tibério, tinha seu templo em Esmirna.
A adoração dos imperadores ganhou mais importância durante os
reinados sucessivos. Cláudio (41-54 d.C.) foi chamado de «senhor» e
«salvador do mundo». Nero (54-68) foi citado em inscrições do seu
reinado como «o bom deus» e «o senhor do mundo inteiro».
Vespasiano (69-79) foi deificado depois de sua morte. Tito (79-81)
foi conhecido como «salvador do mundo» e foi deificado após a sua
morte.
Domiciano (81-96) foi o mais ousado, até então, exaltando-se
como a aparição de um deus oculto e chamando-se de «senhor e
deus». Sob seu domínio, a deificação de imperadores se tornou
obrigatória. Um templo foi construído em Pérgamo para honrar
Trajano (98-117).
No desenvolvimento do culto imperial, os primeiros gestos foram
feitos nas províncias, onde os líderes não encontrariam tanta
oposição política. Por esse motivo, o problema foi mais evidente em
lugares como a Ásia do que na própria cidade de Roma. Os cristãos,
que obviamente recusavam adorar os imperadores, sofriam
discriminação e, em algumas épocas, perseguição mais violenta‖.12
“...aqueles cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida do
Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.
O livro da vida do Cordeiro é o registro dos cidadãos salvos nos
céus (Hebreus 12.23). Ter o nome inscrito no livro da vida é motivo
de grande alegria. É de muito mais alegria do que expulsar demônios.
“Mas, não vos alegreis porque se vos sujeitem os espíritos; alegraivos
antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus”. (Lucas
10.20)
O livro da vida é de tão grande importância que Paulo o cita em
Filipenses 4.3: “E peço-te também a ti, meu verdadeiro
companheiro, que ajudes essas mulheres que trabalharam comigo no
evangelho, e com Clemente, e com os outros cooperadores, cujos
nomes estão no livro da vida”.
Estar inscrito no livro da vida é também segurança de salvação
para todo o sempre. Somente quem está inscrito é que pode ser salvo:
“E será que aquele que for deixado em Sião, e ficar em Jerusalém,
será chamado santo; todo aquele que estiver inscrito entre os
viventes em Jerusalém” (Isaías 4.3). “... será salvo o teu povo, todo
aquele que for achado inscrito no livro”. (Daniel 12.1) Palavras
semelhantes a essas se vê também em Apocalipse 20.15: “E aquele
que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de
fogo”. “E não entrará nela coisa alguma que contamine, e cometa
abominação e mentira; mas só os que estão inscritos no livro da vida
do Cordeiro”. (Apocalipse 21.27)
Quando o nome de uma pessoa é inscrito no livro da vida? Desde
antes da fundação do mundo. Os nomes que não foram inscritos no
livro da vida desde a fundação do mundo são os que se perdem para
sempre. Esta verdade se encontra mais claramente em Apocalipse
17.8: “E aqueles que habitam sobre a terra, cujo os nomes não
foram escritos no livro da vida desde a fundação do mundo, se
admirarão, vendo a besta...”.
Ser inscrito no livro vida desde a fundação do mundonão seria
fatalismo? Algumas pessoas já vêm predestinadas para vida eterna e
outras não? Ser escolhido e predestinado “desde a fundação do
mundo” é ser salvo fora do tempo-espaço. O tempo não existia antes
da fundação do mundo, mas somente a eternidade. E a eternidade
pertence somente a Deus. Deus está fora do tempo. Para Ele não
existe ontem, amanhã, mas somente um ETERNO AGORA. Deus
conhece e está em toda a história do principio ao fim num só golpe
de vista. A mente humana não pode compreender isto porque sempre
temos a tendência de prender as coisas dentro do tempo-espaço
(inclusive Deus). Sempre pensamos em categorias temporais de
passado, presente e futuro. Nossa mente não consegue captar além
disto!
Portanto, por falta de outra palavra no vocabulário humano, somos
ensinados que os nomes foram escritos no livro da vida antes da
fundação do mundo. E isto para Deus não é nem antes e nem depois,
mas ETERNAMENTE AGORA. Isto não é para entender, mas para
crer somente. Assim, cai por terra toda espécie de fatalismo em
relação à salvação e perdição.
Sobre este assunto, o reverendo Caio Fábio escreveu algo de
grande proveito:
―Sinceramente, acerca da "predestinação", acho que discutí-la do
modo como ainda se a discute é uma grande bobagem teológica.
Digo, não a sua dúvida, mas a celeuma que se criou sobre o Mistério.
Mistério é mistério.
Deus é Deus!
Deus é!
O resto é tentativa humana de linearizar aquilo que não é linear.
A História é linear, Deus não.
Na História há antes, durante e depois.
Mas para Ele tudo é.
Ele não é Deus de mortos, e sim de vivos, pois para Ele todos
vivem. O significado disto é a eternidade. Eternidade não linear. Se
fosse linear não seria eternidade, seria tempo.
Abraão viveu há alguns milênios em relação a mim. Mas para Deus
tudo está acontecendo a um tempo só.
Entendeu?
É claro que não!
Não é para entender, é para crer!
Trata-se de um ―saber em fé‖, não um saber racional‖.
[...]
Toda essa história sobre a predestinação é bobagem na medida em
que se pretende fazer de Deus um escravo da seqüência histórica do
tempo. O Cordeiro foi imolado antes da fundação do mundo. Tudo o
que foi criado nasce desse ato primordial e eterno. Para Deus, o que
é, é!
Hoje em dia até a física quântica ajuda a gente entender a tolice de
discutir com categorias temporais — do Macro Universo — aquilo
que pertence a categorias atemporais, e que não são nem do microcosmos,
mas da própria essencial do ser de Deus.
[...]
O resto é tentativa humana de expressar o inexprimível, e que só
pode ser apreendido pelo espírito, e pela fé.
O homem espiritual não ―entende‖ todas as coisas, ele as discerne,
conforme Paulo no ensinou.
A maravilha não é entender, é saber em fé!13
“...do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.
Os propósitos de Deus são mais reais que o próprio acontecimento.
O primeiro ato de Deus antes da criação foi à redenção. Sem a cruz
nada existiria. Há quem diga que quando Deus aparecia para Adão e
Eva no Paraíso, Ele já estava com as marcas da cruz, de tão real que
é a sua obra na cruz. Como diz Caio Fábio:
―A Cruz da História é somente a da Crucificação.
A Cruz é o que vem antes de tudo, inclusive da Crucificação.
O Cordeiro de Deus foi imolado antes da criação de qualquer
criação.
Por essa mesma razão Aquele que tem o poder de ―abrir o Livro e
lhe desatar os selos‖ é o Leão de Judá, a Raiz de Davi, mas quando
essas faces são procuradas por João — que antes chorava muito em
desesperança (Ap 5:4-5)—, quem ele vê é um Cordeiro ―como havia
sido morto‖.
Nós cristãos pensamos que nossa salvação veio do sofrimento de
Jesus por nós!
Sofrimento não salva, apenas amargura e mata!
Nossa salvação não vem da Crucificação, mas da Cruz!
A Crucificação é um cenário!
A Cruz é o sacrifício eterno que teve na Crucificação apenas o seu
cenário histórico!
Quando Paulo diz que só se gloriava na Cruz, ele não nos aponta
um espetáculo histórico, o qual ele nunca nem perdeu tempo em
―descrever‖ como evento martirizante e agonizante.
Para ele a Cruz era ―o mistério outrora oculto e agora revelado‖ —
com todas as implicações da Graça em nosso favor.
A Crucificação estava exposta à interpretação dos sentidos
humanos: ―Este era verdadeiramente Filho de Deus‖ — confessava o
centurião, perplexo com o modo como Jesus morrera. Também
reagia assustado diante do fato que a terra tremia enquanto a
escuridade envolvia subitamente a tarde daquele dia.
[...]
A Cruz é uma eterna decisão de Deus com Deus. O Sangue Eterno
é a Decisão da Graça!
Na história, o sangue foi derramado para manifestar aquilo que em
Deus já estava feito!
Jesus Consumou o que nEle já estava Consumado desde a
eternidade!
Na Páscoa, portanto, celebra-se o cordeiro simbólico que aparece
desde o Gênesis. Ganha rito instituído no Êxodo, é praticado durante
séculos e tem sua Realização Histórica na Crucificação. A Cruz, no
entanto, é o Fator Criador por trás de toda criação: o Cordeiro de
Deus foi imolado antes da fundação do mundo!
Nessa consciência o mundo está crucificado para mim e eu para o
mundo.
[...]
A Crucificação é o Cenário exterior!
A Cruz tem que ser a Realidade interior!
A Crucificação revela a maldade humana!
A Cruz revela a salvação de Deus!
Quem crê é Justificado e tem paz com Deus. Além disso, já passou
da morte para a vida!

As Duas Testemunhas e a Sétima Trombeta

As Duas Testemunhas e a Sétima Trombeta “Foi-me dado um caniço semelhante a uma vara, e também me foi dito: Dispõe-te e mede o santuário de...