Evangélicos não Praticantes – Isso é possível?




Tem saído na imprensa notícias de que o nº de pessoas que se dizem evangélicos, mas não são praticantes tem crescido. Isso é uma coisa que precisamos pensar sobre ela. Algumas reflexões cabem aqui.


Este discurso se parece muito com o antigo discurso comum na tradição brasileira de se dizer católico não praticante, o que na verdade  significa ser nada. Ou seja é ser alguém que normalmente não tem religião e para não se dizer sem identidade religiosa se diz católico não praticante, isto tornou-se uma expressão popular da religião católica dentro do contexto do jeitinho brasileiro.


Agora temos a famigerada versão gospel  disso. Pessoalmente entendo que o surgimento dessa nomenclatura social é um processo inexorável que expressa um pouco das conseguencias da falta de um ensino mais bíblico dentro do contexto dito evangélico no Brasil.


Na verdade a cada dia o termo evangélico tem  perdido o seu significado dentro da realidade brasileira e até mundial, pois há uma série de distorções teológicas, comportamentais e éticas, fruto de desvios teológicos bíblicos fundamentais firmando-se com o rótulo de evangélico.


O termo evangélico já deixou de identificar um cristão bíblico. Qualquer pessoa pode hoje ser chamada de evangélico no Brasil. Desde um ladrão que acabou de ser preso em flagrante até um líder sectário pregador de heresias  e fanatismos.


Ser evangélico deixou de ser um termo real, com pressupostos corretos e claros, por isso, à partir dessas constatações, afirmo que ser um  evangélico não praticante é perfeitamente possível. Pois na verdade ser um evangélico não praticante não significa nada em si mesmo. É simplesmente um rótulo vazio dado ou assumido por alguém que de alguma forma foi influenciado pela sub cultura cristã e por sua linguagem (muitas vezes nascido em um lar formado sob a influencia de igrejas ditas evangélicas). Mas que não expressa em sua vida nada  do verdadeiro cristianismo bíblico, apenas um pobre arremedo da verdadeira fé. Mas por se achar identificado com alguns valores, princípios, linguagens  e costumes ditos cristãos se diz evangélico não praticante. O problema é que este ser que se identifica assim acaba passando para muitos a idéia de que é possível ser um evangélico de fato sem ser praticante. Existe ai também um outro sério problema, que são aqueles que se dizem evangélicos ativos, mas que nada do evangelho praticam de fato. Mas isso merece outra reflexão.


O normal seria que todo evangélico fosse um verdadeiro cristão, ou seja, alguém que fora convertido, experimentou a graça salvadora com todos os seus efeitos e agora vive em novidade de vida para a glória de Deus em um compromisso crescente com a vontade do Senhor em sua jornada de vida.


Baseado nisso podemos afirmar categoricamente que um verdadeiro evangélico não praticante não pode existir, pois o real cristianismo não é uma sub cultura, ou um conjunto de costumes culturalmente estabelecidos ou adotados. Um verdadeiro cristão é e sempre será alguém nascido de novo. Isso significa algo muito mais radical e totalmente incompatível com a possibilidade da não praticabilidade dessa fé.


Encerro esta breve análise lembrando  Tiago, que  em sua linguagem caracteristicamente prática nos avisa: “Sejam praticantes da palavra, e não apenas ouvintes, enganando-se a si mesmos.” Tiago 1.22
Simples assim, que esta seja nossa busca sempre.




Ednilson Correia de Abreu
Pastor da P.I.B. em João Neiva-ES

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