quinta-feira, 24 de maio de 2012

Os Pecados dos Salvos

Os Pecados dos Salvos
por
C. M. Keen

  1. Texto Para Estudo – 1 João 1.1 a 2.2
  2. Filhinhos meus, estas cousas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo”. 1 João 2.1


    Introdução
  3. Há multidões de membros de igrejas que imaginam que são crentes por não haverem nascido na África ou na Índia. Têm a esperança de ir para o céu ao morrerem; mas desconhecem o milagre da regeneração ou novo nascimento. São iletrados bíblicos e ignoram seu estado de perdição. Estão espiritualmente mortos.
  4. Agora, porém, vamos tratar não desses, mas dos homens e mulheres que foram salvos mediante o sangue do crucificado. Muitas dessas pessoas, entretanto, ignoram as verdades reais do Evangelho da graça e não estão bem informados. Muitas têm aceitado a Cristo como seu Salvador, mas pensam que em adição à sua fé nEle devem fazer a sua parte e viver de conformidade com certos padrões a fim de poderem reter sua salvação. Tais pessoas não falam muito sobre a certeza da salvação. Entretém a idéia de que se, se tornarem culpados de certas espécies de pecados, perdem sua salvação e precisam ser novamente convertidas. Em última análise, isso é salvação pelas obras, e não pela graça de Deus. Essas pessoas, que não compreendem que a segurança do crente depende da fidelidade de Cristo e não do padrão de vida do crente, são muito infelizes. E os que sustentam tais doutrinas são chamados legalistas.


    Os Salvos Não Vivem Sem Pecado
  5. Quando nos damos conta do que é realmente pecado, temos de reconhecer que ninguém está isento de tornar-se culpado de praticar atos pecaminosos.


    As Escrituras Registram os Pecados dos Homens Salvos
  6. Uma das evidências da inspiração da Bíblia é que ela retrata os homens que ocupam suas páginas, tais quais eles eram. Seus pecados, tanto quanto as suas virtudes e atos de fé, são registrados. Se homens tivessem sido os autores das Escrituras, jamais teriam revelado certos fatos que ali são registrados. Mas Deus é fiel à realidade. Os fracassos e pecados dos homens são registrados na Bíblia a fim de que seja destacada a maneira providencial de Deus os tratar, bem como julgamentos divinos e Suas operações graciosas.
  7. Abraão enganou Faraó a respeito de Sara, sua esposa, e foi expulso do Egito por causa disso (Gn 12.10-20). Moisés perdeu a calma e feriu a rocha, quando, segundo foi instruído, deveria ter-lhe falado. Por causa dessa desobediência, morreu prematuramente e foi proibido de introduzir o povo de Israel na Terra Prometida (Nm 20.10,11). Davi pecou gravemente e foi severamente castigado por esse motivo (II Sm 11). Pedro amaldiçoou e jurou (Mt 26.70-74). Isaías, Paulo, Tiago, e João, todos admitiram seus erros (Is 6.5; Rm 7.15-24; Tg 3.2; 1 Jo 1.8-10).


    A Perfeição Impecável Não É Ensinada Nas Escrituras
  8. Alguns membros dos "grupos holiness" pensam [pensavam] que podem [podiam] viver sem pecado, mas estão [estavam] enganados. Os chamados "pregadores de santidade" pregam a perfeição impecável, mas ignoram as verdades reais da Palavra de Deus. Seu versículo favorito é 1 João 3.9. Tiram-no de seu contexto e usam-no como prova daquilo que o versículo não ensina. Conforme a Tradução de João Ferreira de Almeida, Edição Revista e Atualizada no Brasil, da Sociedade Bíblica do Brasil, deixa indicado, não "vive na prática de pecado" porque não "pode viver pecando" ou, em outras palavras, não vive mais dominado pelo princípio escravizador do pecado, não vive mais na esfera do pecado. Atos isolados de pecado, contudo, são possíveis em um crente verdadeiro, pois 1 João 3.9 precisa ser harmonizado com 1 João 1.8-10.


    Impecabilidade Não É Experimentada Por Ninguém
  9. Salomão, o homem mais sábio que já viveu, ao dedicar o Templo, disse: "... (pois não há homem que não peque)..." (1 Rs 8.46).
  10. João, o discípulo amado, escrevendo sob a inspiração do Espírito Santo, afirmou: "Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso e a sua palavra não está em nós" (1 Jo 1.10). O testemunho coerente das Escrituras é que a impecabilidade não é experimentada por qualquer mortal. Os homens salvos cometem atos pecaminosos.


    Os Salvos Não Têm Licença de Pecar
  11. Que ninguém imagine, porém, que estamos diminuindo a hediondez dos pecados ou diminuído a gravidade das ações pecaminosas. Os salvos não têm o direito de pecar.


    Os Salvos São Advertidos Contra o Pecado
  12. O sexto capítulo de Romanos é uma importante passagem que trata dessa importantíssima questão. Os homens são salvos mediante a graça de Deus, através da fé, e à parte de obras humanas. Isso, porém, não lhes dá o direito de viverem segundo o "homem velho" ou pecado no "íntimo". A união com Cristo em Sua morte, sepultamento e ressurreição, pela fé, repudia o "homem velho" e seus caminhos. O crente morreu em Cristo, pelo que o "homem velho" precisa ser "destruído". O termo "destruído", conforme aqui usado significa "tornar inútil, inoperante, ineficaz" (West). Em outras palavras, o "homem velho" precisa ser paralisado.
  13. O batismo em água é um testemunho, da parte do crente, sobre como ele foi salvo, e é uma declaração de seus propósitos para o futuro. Sua disposição espiritual é dramatizada. O batismo em água dramatiza as verdades de como a vida espiritual é obtida e como ela deve operar. Co-crucificação com Cristo é o meio de salvação. O método do morrer diário é dado nos versículos 11 a 13. Cada crente deveria considerar-se morto para o pecado e vivo para Deus, em Cristo Jesus. E isso deve fazer negando ao pecado que habita no íntimo e não permitindo que se entronize sobre sua vida, ao mesmo tempo em que cede cada membro de seu corpo a Deus, para a retidão e a vida santificada. Por outro lado, deve negar diariamente, ao pecado que habita no íntimo, o uso de qualquer membro de seu corpo.
  14. II Coríntios 5.17. O filho de Deus é "... nova criatura (criação) ...". Nunca poderá ser novamente ser o mesmo de antes. A regeneração lhe proporcionou a própria natureza de Deus (II Pedro 1.4). A posse da natureza de Deus impele o indivíduo a ter aversão a seus pecados. Os crentes foram "... criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas" (Ef 2.10).


    Inimigos Sutis Atacam os Salvos
  15. Os filhos de Deus têm de enfrentar inimigos perigosos – "o mundo", "a carne" e "o diabo". O mundo, ou seja, este sistema mundano de viver, é antagônico a Deus e aos Seus caminhos. O crente mundano não progride espiritualmente. Seu mundanismo lhe rouba sua alegria cristã e sua comunhão e utilidade espirituais. Ele é um crente derrotado, e freqüentemente serve de pedra de tropeço para outros. O mundo é inimigo declarado da espiritualidade. Ao filho de Deus foram dirigidas as palavras que se encontram em 1 João 2.15,16. Ninguém pode mostrar-se amigo do Pai e também do mundo. Muito da carnalidade existente entre os crentes é causado pelos seus esforços de obterem a aprovação do mundo ou de tentarem tornar o Cristianismo aceitável ao mundo. O Evangelho não pode ser feito atrativo ou popular perante o mundo. O mundo crucificou a Jesus Cristo e nunca será amigável para qualquer de Seus seguidores que queria ser fiel a Ele. Crente, o atual sistema mundano é teu inimigo.
  16. A carne, isto é, o "pecado" que habita no íntimo, também é um adversário da espiritualidade (Gl 5.16,17). Quando o Espírito é agradado, a carne é insultada. A carne é contrária ao Espírito, e essa oposição é mútua. Os crentes precisam reconhecer que têm um verdadeiro inimigo residindo em si mesmos.
  17. I Pedro 5.8,9. O diabo não está morto, e nunca tira "férias". Ele é contrário a tudo aquilo que Deus é a favor. Ele promove a incredulidade de mil maneiras diferentes. A religião é uma de suas especialidades. As religiões falsas do mundo são produtos seus. Além dos cultos sem sangue e os "ismos" que aumentam cada vez mais em número, há multidões de igrejas cristãs professas que não obtendo salvação de almas por meio da regeneração. De conformidade com a filosofia de tais, Jesus foi um mestre maravilhoso e um ótimo bom exemplo. Não salientam a redenção pelo sangue, a necessidade de arrependimento e do novo nascimento. Não fazem convite pessoal para que os homens aceitem a Cristo como Salvador e convite para que os homens aceitem a Cristo como Salvador e confessem-nO perante os homens. Gostaríamos de falar noutro tom, mas todas as igrejas que não estão pregando a redenção pelo sangue de Cristo nem estão pregando a redenção pelo sangue de Cristo nem estão obtendo conversões mediante a regeneração, são simulacros criados por Satanás. Chamam-se igrejas cristãs, mas em realidade não o são. São imitações habilidosas e sutis daquilo que é genuíno. Satanás se opõe à freqüência e à filiação nas igrejas que pregam a Bíblia, amam a Bíblia, crêem na Bíblia e são governadas pela Bíblia. Ele sabe que essas são suas mais eficazes adversárias. Odeia-as, portanto.


    Salvos e Seguros Pela Obra de Mediação de Cristo
  18. A morte de Cristo, sobre a cruz, satisfez a justiça divina. Quando Jesus Cristo instituiu a Ceia do Senhor, disse que Seu sangue era "... o sangue da aliança, derramado em favor de muitos, para a remissão de pecados" (Mt 26.28). Quando Pedro pregou aos judeus, em Jerusalém, no dia de Pentecostes, declarou que a fé em Cristo é o que outorga a "... remissão dos ... pecados ..." (At 2.38). E Pedro pregou aos gentios a mesma verdade, na casa de Cornélio (At 10.43). Paulo escreveu: "Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus" (Rm 8.1). E às igrejas de Éfeso e Colossos escreveu ele: "... no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça..." (Ef 1.7; Cl 1.14). João destacou a mesma verdade (1 Jo 1.7; Ap 1.5). Como é que algo poderia ser mais claro ou mais positivo e específico? Cristo pagou a penalidade, e os crentes recebem perdão. Os pecados da vida inteira do indivíduo são judicialmente perdoados quando Cristo é recebido pela fé, visto que Ele morreu por eles no Calvário.
  19. A presença de Cristo na Glória guarda os crentes. Os pecados do crente afetam sua comunhão, mas não sua relação. Cristo acha-se atualmente no Céu, na qualidade de nosso Sumo-Sacerdote e Advogado. Ele pleiteia constantemente a nosso favor, baseado nos méritos de Seu próprio sangue precioso, mediante o qual satisfez à justiça divina e tornou possível nossa comunhão com Deus (Rm 5.9; Hb 7.25; 1 Jo 2.1). Havendo feito um grande investimento em nós, Ele certamente cuidará desse investimento em nós, Ele certamente cuidará desse investimento. Suas realizações no Calvário, e Seu presente ministério na Glória, conservam cada crente salvo e seguro.
  20. A morte de Cristo garante a salvação do crente para o tempo e a eternidade. As "vestimentas de pele" feitas para Adão e Eva certamente foram aceitáveis a Deus porque Ele mesmo as fez (Gn 3.21). Os hóspedes que tinham vestes nupciais, fornecidas pelo rei, eram aceitáveis ao rei (Mt 22.1-14). A justiça que torna o pecador aceitável a Deus não é a justiça própria, não é a justiça humana, mas a justiça de Deus que o crente recebe como presente da parte de Deus (Rm 3.21,22). Aos crentes acha-se escrito: "... nele estais aperfeiçoados..." (Cl 2.10). Nada pode ser adicionado àquilo que é completo. Se o crente aceitar o que dizem João 3.16-18; 5.24; e 6.37, pode estar certo que todo crente está seguro e garantido. Jesus Cristo declarou: "As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, eternamente, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar" (Jo 10.27-29).
  21. A certeza da salvação é privilégio de todo filho de Deus, comprado pelo preço de sangue. A falta de segurança é um grande furto. Pois assim Deus é roubado da glória que Lhe é devida; assim o crente é roubado da alegria que lhe pertence por direito; e os contemporâneos do crente são roubados do testemunho que precisam ouvir. A certeza da salvação é um poderoso incentivo à vida santa. Crer naquilo que Deus diz acerca de Jesus Cristo salva o indivíduo. Acreditar naquilo que Deus diz acerca do crente torna o crente certo de sua salvação.
  22. ___________
  23. Fonte: Doutrina do Pecado, C. M. Keen
    Imprensa Batista Regular, 1984 - Págs. 40-46.

  24. www.monergismo.com


Os Cinco Solas da Reforma
Sola Scriptura, Sola Christus, Sola Gratia, Sola Fide, Soli Deo Gloria




SOLA SCRIPTURA: A Erosão da Autoridade
Só a Escritura é a regra inerrante da vida da igreja, mas a igreja evangélica atual fez separação entre a Escritura e sua função oficial. Na prática, a igreja é guiada, por vezes demais, pela cultura. Técnicas terapêuticas, estratégias de marketing, e o ritmo do mundo de entretenimento muitas vezes tem mais voz naquilo que a igreja quer, em como funciona, e no que oferece, do que a Palavra de Deus. Os pastores negligenciam a supervisão do culto, que lhes compete, inclusive o conteúdo doutrinário da música. À medida que a autoridade bíblica foi abandonada na prática, que suas verdades se enfraqueceram na consciência cristã, e que suas doutrinas perderam sua proeminência, a igreja foi cada vez mais esvaziada de sua integridade, autoridade moral e discernimento.
Em lugar de adaptar a fé cristã para satisfazer as necessidades sentidas dos consumidores, devemos proclamar a Lei como medida única da justiça verdadeira, e o evangelho como a única proclamação da verdade salvadora. A verdade bíblica é indispensável para a compreensão, o desvelo e a disciplina da igreja.
A Escritura deve nos levar além de nossas necessidades percebidas para nossas necessidades reais, e libertar-nos do hábito de nos enxergar por meio das imagens sedutoras, clichês, promessas e prioridades da cultura massificada. É só à luz da verdade de Deus que nós nos entendemos corretamente e abrimos os olhos para a provisão de Deus para a nossa sociedade. A Bíblia, portanto, precisa ser ensinada e pregada na igreja. Os sermões precisam ser exposições da Bíblia e de seus ensino, não a expressão de opinião ou de idéias da época. Não devemos aceitar menos do que aquilo que Deus nos tem dado.
A obra do Espírito Santo na experiência pessoal não pode ser desvinculada da Escritura. O Espírito não fala em formas que independem da Escritura. À parte da Escritura nunca teríamos conhecido a graça de Deus em Cristo. A Palavra bíblica, e não a experiência espiritual, é o teste da verdade.
Tese 1: Sola Scriptura
Reafirmamos a Escritura inerrante como fonte única de revelação divina escrita, única para constranger a consciência. A Bíblia sozinha ensina tudo o que é necessário para nossa salvação do pecado, e é o padrão pelo qual todo comportamento cristão deve ser avaliado.
Negamos que qualquer credo, concílio ou indivíduo possa constranger a consciência de um crente, que o Espírito Santo fale independentemente de, ou contrariando, o que está exposto na Bíblia, ou que a experiência pessoal possa ser veículo de revelação.

SOLO CHRISTUS
: A Erosão da Fé Centrada em Cristo

À medida que a fé evangélica se secularizou, seus interesses se confundiram com os da cultura. O resultado é uma perda de valores absolutos, um individualismo permissivo, a substituição da santidade pela integridade, do arrependimento pela recuperação, da verdade pela intuição, da fé pelo sentimento, da providência pelo acaso e da esperança duradoura pela gratificação imediata. Cristo e sua cruz se deslocaram do centro de nossa visão.
Tese 2: Solus Christus
Reafirmamos que nossa salvação é realizada unicamente pela obra mediatória do Cristo histórico. Sua vida sem pecado e sua expiação por si só são suficientes para nossa justificação e reconciliação com o Pai.
Negamos que o evangelho esteja sendo pregado se a obra substitutiva de Cristo não estiver sendo declarada e a fé em Cristo e sua obra não estiver sendo invocada.
SOLA GRATIA: A Erosão do Evangelho

A Confiança desmerecida na capacidade humana é um produto da natureza humana decaída. Esta falsa confiança enche hoje o mundo evangélico – desde o evangelho da auto-estima até o evangelho da saúde e da prosperidade, desde aqueles que já transformaram o evangelho num produto vendável e os pecadores em consumidores e aqueles que tratam a fé cristã como verdadeira simplesmente porque funciona. Isso faz calar a doutrina da justificação, a despeito dos compromissos oficiais de nossas igrejas.
A graça de Deus em Cristo não só é necessária como é a única causa eficaz da salvação. Confessamos que os seres humanos nascem espiritualmente mortos e nem mesmo são capazes de cooperar com a graça regeneradora.
Tese 3: Sola Gratia
Reafirmamos que na salvação somos resgatados da ira de Deus unicamente pela sua graça. A obra sobrenatural do Espírito Santo é que nos leva a Cristo, soltando-nos de nossa servidão ao pecado e erguendo-nos da morte espiritual à vida espiritual.
Negamos que a salvação seja em qualquer sentido obra humana. Os métodos, técnicas ou estratégias humanas por si só não podem realizar essa transformação. A fé não é produzida pela nossa natureza não-regenerada.

SOLA FIDE: A Erosão do Artigo Primordial


A justificação é somente pela graça, somente por intermédio da fé, somente por causa de Cristo. Este é o artigo pelo qual a igreja se sustenta ou cai. É um artigo muitas vezes ignorado, distorcido, ou por vezes até negado por líderes, estudiosos e pastores que professam ser evangélicos. Embora a natureza humana decaída sempre tenha recuado de professar sua necessidade da justiça imputada de Cristo, a modernidade alimenta as chamas desse descontentamento com o Evangelho bíblico. Já permitimos que esse descontentamento dite a natureza de nosso ministério e o conteúdo de nossa pregação.
Muitas pessoas ligadas ao movimento do crescimento da igreja acreditam que um entendimento sociológico daqueles que vêm assistir aos cultos é tão importante para o êxito do evangelho como o é a verdade bíblica proclamada. Como resultado, as convicções teológicas freqüentemente desaparecem, divorciadas do trabalho do ministério. A orientação publicitária de marketing em muitas igrejas leva isso mais adiante, apegando a distinção entre a Palavra bíblica e o mundo, roubando da cruz de Cristo a sua ofensa e reduzindo a fé cristã aos princípios e métodos que oferecem sucesso às empresas seculares.
Embora possam crer na teologia da cruz, esses movimentos a verdade estão esvaziando-a de seu conteúdo. Não existe evangelho a não ser o da substituição de Cristo em nosso lugar, pela qual Deus lhe imputou o nosso pecado e nos imputou a sua justiça. Por ele Ter levado sobre si a punição de nossa culpa, nós agora andamos na sua graça como aqueles que são para sempre perdoados, aceitos e adotados como filhos de Deus. Não há base para nossa aceitação diante de Deus a não ser na obra salvífica de Cristo; a base não é nosso patriotismo, devoção à igreja, ou probidade moral. O evangelho declara o que Deus fez por nós em Cristo. Não é sobre o que nós podemos fazer para alcançar Deus.
Tese 4: Sola Fide
Reafirmamos que a justificação é somente pela graça somente por intermédio da fé somente por causa de Cristo. Na justificação a retidão de Cristo nos é imputada como o único meio possível de satisfazer a perfeita justiça de Deus.
Negamos que a justificação se baseie em qualquer mérito que em nós possa ser achado, ou com base numa infusão da justiça de Cristo em nós; ou que uma instituição que reivindique ser igreja mas negue ou condene sola fide possa ser reconhecida como igreja legítima.
SOLI DEO GLORIA: A Erosão do Culto Centrado em Deus

Onde quer que, na igreja, se tenha perdido a autoridade da Bíblia, onde Cristo tenha sido colocado de lado, o evangelho tenha sido distorcido ou a fé pervertida, sempre foi por uma mesma razão. Nossos interesses substituíram os de Deus e nós estamos fazendo o trabalho dele a nosso modo. A perda da centralidade de Deus na vida da igreja de hoje é comum e lamentável. É essa perda que nos permite transformar o culto em entretenimento, a pregação do evangelho em marketing, o crer em técnica, o ser bom em sentir-nos bem e a fidelidade em ser bem-sucedido. Como resultado, Deus, Cristo e a Bíblia vêm significando muito pouco para nós e têm um peso irrelevante sobre nós.
Deus não existe para satisfazer as ambições humanas, os desejos, os apetites de consumo, ou nossos interesses espirituais particulares. Precisamos nos focalizar em Deus em nossa adoração, e não em satisfazer nossas próprias necessidades. Deus é soberano no culto, não nós. Nossa preocupação precisa estar no reino de Deus, não em nossos próprios impérios, popularidade ou êxito.
Tese 5: Soli Deo Gloria
Reafirmamos que, como a salvação é de Deus e realizada por Deus, ela é para a glória de Deus e devemos glorificá-lo sempre. Devemos viver nossa vida inteira perante a face de Deus, sob a autoridade de Deus, e para sua glória somente.
Negamos que possamos apropriadamente glorificar a Deus se nosso culto for confundido com entretenimento, se negligenciarmos ou a Lei ou o Evangelho em nossa pregação, ou se permitirmos que o afeiçoamento próprio, a auto-estima e a auto-realização se tornem opções alternativas ao evangelho.  Fonte:  www.monergismo.com

Pela Fé Somente Um assunto que geralmente passa batido em meio às nossas discussões teológicas é a questão da salvação individual. Parece que assumimos tacitamente que todos os que se declaram cristãos concordam sobre o que é a salvação eterna e como ela é obtida - ou dada. Ao meu ver, este ponto é da mais alta importância para todos. Foi ele o ponto central da Reforma protestante do séc. XVI. A Reforma obviamente teve aspectos políticos, econômicos e culturais, mas, ao final, foi um movimento essencialmente religioso deflagrado por esta questão no coração de Lutero, "o que faço para ser salvo?" A resposta de Lutero, seguida por Calvino, Zuínglio e todos os reformados até o dia de hoje, foi que o pecador é salvo pela graça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo somente, e não por seus méritos pessoais ou pela mediação da Igreja. A reação da Igreja Católica veio no Concílio de Trento, que consolidou a contra-Reforma católica, realizado sob a liderança do papa Paulo III em 13 de janeiro de 1547. Nos cânones aprovados neste Concílio, que salvo melhor juízo nunca foram revogados pela Igreja Católica de hoje, temos um que trata do assunto: Cânone 9 - Se alguém disser que o pecador é justificado pela fé somente, significando que nada mais é requerido para cooperar com o objetivo de se obter a graça da justificação, e que não é necessário de forma alguma que ele seja preparado e disposto pela ação de sua própria vontade, que seja anátema. (meu destaque) LUTERO Este cânone foi intencionalmente elaborado contra a doutrina protestante. Se ele continua mantido hoje, significa que a Igreja Católica defende que aqueles que acreditam na salvação pela graça mediante a fé somente são "anátema," que na terminologia católica significa exclusão definitiva da Igreja e, portanto, condenação eterna. Isto inclui todos os protestantes evangélicos que pensam, como Lutero, que a salvação é pela fé somente. Eu sou um deles. O que segue abaixo é o que entendo ser o pensamento padrão reformado sobre o assunto. Lembro ainda que não estou querendo ser exaustivo (e nem poderia!) e que só destaquei aqueles pontos que acredito são mais relevantes para nosso cenário. 1. Todas as pessoas são carentes de salvação, pois todas elas, sem qualquer exceção, são pecadoras. Isto significa que elas, em maior ou menor grau, quebraram a lei de Deus e se tornaram culpadas diante dele. Esta lei está gravada na consciência de todos, disposta nas coisas criadas e reveladas claramente nas Escrituras - a Bíblia. Ninguém consegue viver consistentemente nem com seu próprio conceito de moralidade, quanto mais diante dos padrões de Deus. Como Criador, Deus tem o direito de legislar e determinar o que é certo e errado e de julgar a cada um de acordo com isto. 2. Ninguém é bom o suficiente diante de Deus para obter sua própria salvação ou de fazer boas obras que o qualifiquem para tal. O pecado de tal maneira afetou a natureza do ser humano que sua vontade é inclinada ao mal, seu entendimento é obscurecido quanto às coisas de Deus e sua fé não consegue se firmar em Deus somente. Sem ajuda externa - a qual só pode vir do próprio Deus - pessoa alguma pode obter ou receber a salvação da condenação e do castigo que seus próprios pecados merecem. 3. Deus enviou Seu Filho Jesus Cristo ao mundo para morrer por pecadores, de forma que eles pudessem obter esta salvação a qual, de outra forma, seria inalcançável. Jesus Cristo, por determinação e desígnio de Deus, morreu na cruz como sacrifício completo, perfeito, único, suficiente e eficaz pelos pecados. Ele ressuscitou física e literalmente de entre os mortos ao terceiro dia, vencendo a morte e o inferno, e subiu aos céus. Assim, somente em Jesus Cristo as pessoas podem encontrar a salvação da culpa e condenação de seus pecados. E fora dele, não há qualquer possibilidade de salvação, diante dos pontos 1 e 2 expostos acima. 4. As pessoas tomam conhecimento da pessoa e da obra de Cristo mediante o Evangelho, o qual é pregado ao mundo todo. Sem o conhecimento do Evangelho, é impossível para as pessoas se salvarem. Cristo é a luz do mundo, o caminho, a verdade e a vida, e ninguém pode ir ao Pai senão por ele. Este Evangelho está claramente exposto na Bíblia, e é por ouvir a Palavra que vem a fé em Jesus Cristo. Com respeito àqueles que nunca ouviram falar de Cristo, o Deus justo haverá de tratá-los sem cometer injustiça e em conformidade com a luz que receberam, quer da sua própria consciência, quer da natureza. Todavia, não poderão alegar desconhecer a lei de Deus. 5. Mediante a fé em Jesus Cristo, como seu único e suficiente Salvador, as pessoas, quem quer que sejam, de qualquer país ou cultura, sem distinção alguma de raça, sexo, posição social ou educação, são perdoadas completamente de seus pecados, aceitas por Deus como filhos e recebem o Espírito de Deus como selo e penhor desta salvação, iniciando assim uma nova vida neste mundo. Nesta nova vida, elas demonstram arrependimento pelas obras más cometidas, humildade e constante penitência diante de Deus, aliadas a uma grande alegria e gratidão a Ele por tão grande e completa salvação. A certeza que eles têm aqui nesta vida de terem sido salvos da condenação eterna não decorre de seus méritos ou obras - os quais eles não possuem - mas da graça e do favor de Deus. Por isto falam desta salvação não em termos arrogantes, mas humildemente, como pessoas que foram misericordiosamente salvas do justo castigo que mereciam. 6. A fé salvadora não é uma força emocional mística. Antes, é a confiança que parte de um coração regenerado por Deus em todas as suas promessas, principalmente aquela de vida eterna na pessoa de Jesus Cristo, Seu Filho. Esta confiança envolve uma compreensão básica do que o Evangelho nos diz sobre Cristo e sua morte e ressurreição e um assentimento intelectual a estes fatos. Como nem esta compreensão e nem mesmo a fé têm origem na capacidade humana, afetada como está pelo pecado, segue-se que a salvação, tendo custado um alto preço que foi a morte de Cristo, é dada gratuitamente por Deus. Ela não depende de obras, mérito, esforço ou qualquer outra coisa que tenha origem no ser humano. É puramente pela graça, mediante a fé. É claro que estou falando somente da salvação da culpa e da condenação merecidas por nossos pecados. A obra de Cristo inclui muito mais, desde a santificação até a ressurreição dos mortos e a glorificação - que poderão ser assuntos de outros posts. Na verdade, o que Cristo fez e o que Ele é impactam todas as áreas da vida. Mas isto é assunto para mais adiante. Fonte: O Tempora O Mores Augustus Nicodemos Lopes



 Um assunto que geralmente passa batido em meio às nossas discussões teológicas é a questão da salvação individual. Parece que assumimos tacitamente que todos os que se declaram cristãos concordam sobre o que é a salvação eterna e como ela é obtida - ou dada. Ao meu ver, este ponto é da mais alta importância para todos. Foi ele o ponto central da Reforma protestante do séc. XVI. A Reforma obviamente teve aspectos políticos, econômicos e culturais, mas, ao final, foi um movimento essencialmente religioso deflagrado por esta questão no coração de Lutero, "o que faço para ser salvo?"

A resposta de Lutero, seguida por Calvino, Zuínglio e todos os reformados até o dia de hoje, foi que o pecador é salvo pela graça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo somente, e não por seus méritos pessoais ou pela mediação da Igreja. A reação da Igreja Católica veio no Concílio de Trento, que consolidou a contra-Reforma católica, realizado sob a liderança do papa Paulo III em 13 de janeiro de 1547. Nos cânones aprovados neste Concílio, que salvo melhor juízo nunca foram revogados pela Igreja Católica de hoje, temos um que trata do assunto:
Cânone 9 - Se alguém disser que o pecador é justificado pela fé somente, significando que nada mais é requerido para cooperar com o objetivo de se obter a graça da justificação, e que não é necessário de forma alguma que ele seja preparado e disposto pela ação de sua própria vontade, que seja anátema. (meu destaque)
LUTERO
Este cânone foi intencionalmente elaborado contra a doutrina protestante. Se ele continua mantido hoje, significa que a Igreja Católica defende que aqueles que acreditam na salvação pela graça mediante a fé somente são "anátema," que na terminologia católica significa exclusão definitiva da Igreja e, portanto, condenação eterna. Isto inclui todos os protestantes evangélicos que pensam, como Lutero, que a salvação é pela fé somente.

Eu sou um deles. O que segue abaixo é  o que entendo ser o pensamento padrão reformado sobre o assunto. Lembro ainda que não estou querendo ser exaustivo (e nem poderia!) e que só destaquei aqueles pontos que acredito são mais relevantes para nosso cenário.

1. Todas as pessoas são carentes de salvação, pois todas elas, sem qualquer exceção, são pecadoras. Isto significa que elas, em maior ou menor grau, quebraram a lei de Deus e se tornaram culpadas diante dele. Esta lei está gravada na consciência de todos, disposta nas coisas criadas e reveladas claramente nas Escrituras - a Bíblia. Ninguém consegue viver consistentemente nem com seu próprio conceito de moralidade, quanto mais diante dos padrões de Deus. Como Criador, Deus tem o direito de legislar e determinar o que é certo e errado e de julgar a cada um de acordo com isto.

 2. Ninguém é bom o suficiente diante de Deus para obter sua própria salvação ou de fazer boas obras que o qualifiquem para tal. O pecado de tal maneira afetou a natureza do ser humano que sua vontade é inclinada ao mal, seu entendimento é obscurecido quanto às coisas de Deus e sua fé não consegue se firmar em Deus somente. Sem ajuda externa - a qual só pode vir do próprio Deus - pessoa alguma pode obter ou receber a salvação da condenação e do castigo que seus próprios pecados merecem.

3. Deus enviou Seu Filho Jesus Cristo ao mundo para morrer por pecadores, de forma que eles pudessem obter esta salvação a qual, de outra forma, seria inalcançável. Jesus Cristo, por determinação e desígnio de Deus, morreu na cruz como sacrifício completo, perfeito, único, suficiente e eficaz pelos pecados. Ele ressuscitou física e literalmente de entre os mortos ao terceiro dia, vencendo a morte e o inferno, e subiu aos céus. Assim, somente em Jesus Cristo as pessoas podem encontrar a salvação da culpa e condenação de seus pecados. E fora dele, não há qualquer possibilidade de salvação, diante dos pontos 1 e 2 expostos acima.

4. As pessoas tomam conhecimento da pessoa e da obra de Cristo mediante o Evangelho, o qual é pregado ao mundo todo. Sem o conhecimento do Evangelho, é impossível para as pessoas se salvarem. Cristo é a luz do mundo, o caminho, a verdade e a vida, e ninguém pode ir ao Pai senão por ele.  Este Evangelho está claramente exposto na Bíblia, e é por ouvir a Palavra que vem a fé em Jesus Cristo. Com respeito àqueles que nunca ouviram falar de Cristo, o Deus justo haverá de tratá-los sem cometer injustiça e em conformidade com a luz que receberam, quer da sua própria consciência, quer da natureza. Todavia, não poderão alegar desconhecer a lei de Deus.

5. Mediante a fé em Jesus Cristo, como seu único e suficiente Salvador, as pessoas, quem quer que sejam, de qualquer país ou cultura, sem distinção alguma de raça, sexo, posição social ou educação, são perdoadas completamente de seus pecados, aceitas por Deus como filhos e recebem o Espírito de Deus como selo e penhor desta salvação, iniciando assim uma nova vida neste mundo. Nesta nova vida, elas demonstram arrependimento pelas obras más cometidas, humildade e constante penitência diante de Deus, aliadas a uma grande alegria e gratidão a Ele por tão grande e completa salvação. A certeza que eles têm aqui nesta vida de terem sido salvos da condenação eterna não decorre de seus méritos ou obras - os quais eles não possuem - mas da graça e do favor de Deus. Por isto falam desta salvação não em termos arrogantes, mas humildemente, como pessoas que foram misericordiosamente salvas do justo castigo que mereciam.

6. A fé salvadora não é uma força emocional mística. Antes, é a confiança que parte de um coração regenerado por Deus em todas as suas promessas, principalmente aquela de vida eterna na pessoa de Jesus Cristo, Seu Filho. Esta confiança envolve uma compreensão básica do que o Evangelho nos diz sobre Cristo e sua morte e ressurreição e um assentimento intelectual a estes fatos. Como nem esta compreensão e nem mesmo a fé têm origem na capacidade humana, afetada como está pelo pecado, segue-se que a salvação, tendo custado um alto preço que foi a morte de Cristo, é dada gratuitamente por Deus. Ela não depende de obras, mérito, esforço ou qualquer outra coisa que tenha origem no ser humano. É puramente pela graça, mediante a fé.

É claro que estou falando somente da salvação da culpa e da condenação merecidas por nossos pecados. A obra de Cristo inclui muito mais, desde a santificação até a ressurreição dos mortos e a glorificação - que poderão ser assuntos de outros posts. Na verdade, o que Cristo fez e o que Ele é impactam todas as áreas da vida. Mas isto é assunto para mais adiante.

Fonte: O Tempora O Mores
Augustus Nicodemos  Lopes



Uma vez salvo, salvo para sempre?

Wendell Lessa Vilela Xavier
2
– “Ao Senhor pertence a salvação” (Jonas 2:9)
Resumo
Será que é possível ao crente perder a salvação? Sem. Wendell responderá
a esta pergunta analisando textos bíblicos que dão base à doutrina clássica
da Perseverança dos Santos. Valendo-se do método histórico-gramatical de
interpretação e apoiado por diversos teólogos reformados citados no artigo,
o autor demonstra qual é nível de segurança que o cristão pode ter, em
relação à sua salvação em Cristo Jesus.1
Palavras-chave
Soteriologia; Perseverança dos Santos; Segurança da Salvação.
Abstract
Será que é possível ao crente perder a salvação? Sem. Wendell responderá
a esta pergunta analisando textos bíblicos que dão base à doutrina clássica
da Perseverança dos Santos. Valendo-se do método histórico-gramatical de
interpretação e apoiado por diversos teólogos reformados citados no artigo,
o autor demonstra qual é nível de segurança que o cristão pode ter, em
relação à sua salvação em Cristo Jesus.
Keywords
Soteriologia; Perseverança dos Santos; Segurança da Salvação.
"Ora o sétimo dia não tem crepúsculo. Não
possui ocaso, porque Vós o santificastes para
permanecer eternamente. Aquele descanso com
que repousastes no sétimo dia após tantas obras
excelentes e sumamente boas – as quais
realizastes sem fadiga – significa-nos, pela
palavra de vossa Escritura, que também nós,
depois dos nossos trabalhos, que são bons porque
no-los concedestes, descansaremos em Vós, no
sábado da Vida Eterna"2
Agostinho
1 O presente texto apareceu na revista Teologia para Vida, volume I, nº 1, Janeiro-Junho 2005,
publicado pelo Seminário Teológico Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição, e está sendo
postado no Monergismo mediante autorização do editor.
2 AGOSTINHO. Confissões. São Paulo: Abril, 1973, p. 315.
3
– “Ao Senhor pertence a salvação” (Jonas 2:9)
Introdução
Houve um período na história da Igreja em que um grupo de pensadores não
cria na perseverança dos santos. Eles eram seguidores do holandês Jakob Hermann
(1560-1609) – melhor conhecido como Arminius, forma latinizada de seu nome.
Estes ficaram conhecidos como arminianos. Um ano após a morte de Arminius, este
grupo resolveu fazer um “Protesto” contra a fé reformada ao parlamento Holandês.
Em 1618, reunido em Dort, o Sínodo3, em 154 sessões e mais de sete meses,
considerou as doutrinas dos arminianos como heréticas e conseqüentemente
contrárias às Escrituras.
Estes pontos apologéticos elaborados pelos membros de Dort ficaram
conhecidos em toda a história como os “Cinco Pontos do Calvinismo”4. Confira no
quadro abaixo a relação entre os pontos dos arminianos e dos calvinistas:
Os Cinco Pontos do Arminianismo Os Cinco Pontos do Calvinismo
1. Livre Vontade – O homem não perdeu a faculdade de
escolha e autodeterminação. Ele pode, a qualquer tempo,
dirigir-se até Deus e ser salvo. A queda é parcial. Ele é o
autor da fé e da salvação.
1. Depravação Total – o homem está completamente morto
em seus delitos e pecados e não pode ir até Deus. O resultado
da queda é total e o homem é totalmente incapaz de mover-se
em direção a Deus (Rm 5.12; Jr 17.9; Rm 3.11, 12; Pv 20.9;
Sl 58.3; Sl 51.5; Jo 3.3; Gn 8.21; Ef 5.8; 2Tm 2.25,26; Jo
3.19; Ef 2.2,3; 1Co 2.14)
2. Eleição Condicional – Significa que Deus escolheu
alguns homens pelo pré-conhecimento, ou seja, depois de ver
o que alguns homens seriam aprovados e fariam boas obras,
Deus os escolheu. As boas obras e a fé do homem precedem
a regeneração por parte de Deus.
2. Eleição Incondicional – Uma vez que o homem está
morto e não pode dar um passo sequer em direção a Deus,
somente uma escolha divina é que pode determinar alguns
para a vida eterna. Deus escolhe alguns para usufruírem das
bênçãos celestiais (Jo 15.16; At 13.48; Sl 65.4; Fp 2.13; Ef
1.11; 2Tm 1.9; Rm 8.28; Jo 6.44; Mt 11.27; Hb 12.2; At
16.14; Lc 17.5; Is 55.11)
3. Expiação Universal – Deus ama a todos os homens,
indistintamente e, por isso, Cristo morreu por todos os
homens. Toda a humanidade pode obter a salvação, basta
oferecer-se a Deus, de livre vontade.
3. Expiação Limitada – Após a escolha de Deus, ele manda
seu único Filho, sem pecado algum, nascido de mulher,
portanto Deus-Homem, para cumprir a sentença de morte e
receber o castigo imputado a todos os homens, pois todos
pecaram e qualquer sacrifício é inócuo, insuficiente para
aplacar a ira divina. Cristo morreu pelos eleitos do Pai (Jo
3.37; Jo 14.15; Rm 5.8; Gl 1.3,4; Rm 8.32; Ef 5.25; Jo 17.9;
Mt 1.21; 2Pe 3.9; Cl 1.12-14; 2Ts 2.13; 1Ts 1.3,4; Cl 3.12)
4. Graça resistível – O homem pode resistir à vontade
salvífica de Deus. Se o homem é livre e possui
autodeterminação, ainda que o Evangelho ofereça o convite a
todos os homens, ele pode obstruir esta chamada e negar o
convite de Deus.
4. Graça Irresistível ou Vocação Eficaz – O Espírito Santo
aplica a verdade aos corações dos eleitos. Mostra-lhes o
grande mistério da salvação. Revela-lhes a maravilhosa graça
de Deus, pela qual os eleitos são vivificados em Cristo,
recebendo nova vida e todas as bênçãos da filiação (Dn 4.33;
Is 46.9-10; Is 55.11; Jo 6.37; Tg 1.18; Jo 1.13; Jo 5.21; Ef
2.4,5; At 11.18; Tt 3.5; 2Co 3.18; At 9)
5. Perda da salvação ou queda da graça – Se dependem do
homem todas as outras ações, significa também que ele pode
cair da graça ou perder a salvação. Se ele inicialmente
aceitou a Cristo e depois resolveu voltar à prática das más
obras e resolveu negar a fé, cairá da graça e perderá a
salvação.
5. Perseverança dos Santos – Se de Deus dependem todas
as outras ações salvíficas, portanto, somente Deus pode
manter o homem no caminho da vida eterna. Deus quis
salvar por meio de Cristo e quer manter salvos os eleitos.
Eles irão firmes até o fim, porque Deus os conduzirá à vitória
(Jd 24; Ez 11.19,20; Ez 36.27; Dt 30.6; 1Pe 1.5; 2Tm 1.12;
2Tm 2.18; Sl 37.28; 1Ts 5.14; Jo 6.39; Fp 1.6; Jo 10.27-29;
Rm 8.37-39)
3 O Sínodo de Dort foi composto por 84 teólogos, 18 deputados seculares. Reuniu-se em 154 sessões,
de 13 de novembro de 1618 até maio de 1619.
4 Uma curiosidade interessante é que o grande reformador João Calvino (1509-1564) já havia morrido
nesta época. Seus ensinamentos eram a base da teologia Reformada na Holanda.
4
– “Ao Senhor pertence a salvação” (Jonas 2:9)
Neste estudo, trataremos do quinto ponto, a Perseverança dos Santos.
Encontraremos nas Escrituras os argumentos que autenticam esta tese reformada de
que “uma vez salvo, salvo para sempre”5. Você pode se perguntar agora: “será que
sou salvo?”, “quais são as marcas do verdadeiro salvo?”, “posso ter a certeza plena
de que se eu morrer agora estarei imediatamente no céu com o Senhor ou corro o
risco de estar enganado a respeito de minha própria salvação?”.
1. Considerações iniciais sobre a doutrina da Perseverança dos Santos
1.1. Definição
A palavra perseverança vem do latim perseverantia, do verbo persevero, que
por sua vez vem de per + severus, e significa "constância", "persistir", "sustentar",
"continuar", "prosseguir"6. No grego, é diamevnw, que significa também
"persistir", "continuar", "permanecer"7. Podemos vê-la no Novo Testamento
traduzida como "permanecer", por exemplo, em Hebreus 1.11; Lucas 1.22 e 22.28; 2
Pedro 3.4 e Gálatas 2.5. No português, a palavra toma um sentido de luta pessoal
intensa contra alguma força externa. Perseverar significa resistir contra algum ataque
e manter-se firme ao final; não variar de intento, manter-se inabalável, preservar a
força8.
No sentido teológico, alguns estudiosos tomam caminhos distintos quanto ao
emprego do termo perseverança dos santos. Packer, por exemplo, prefere o termo
preservação, pois entende que o termo perseverança dos santos não representa bem o
verdadeiro sentido bíblico da doutrina, uma vez que quem persevera não é o homem
e sim Deus. Ele afirma:
"Diga-se primeiramente que, afirmada a eterna segurança do
povo de Deus, fica mais claro falar de sua preservação, como
se faz comumente, do que de sua perseverança. Perseverança
significa persistência sob desânimo ou pressão. A asserção
de que os crentes perseveram na fé e obediência a despeito
de todas as coisas é verdadeira, mas a razão disso é que
Jesus Cristo, por meio do Espírito, persiste em preserválos."
9
Seguindo um outro paradigma, Hoekema, apoiando-se em John Murray,
prefere o termo "perseverança dos verdadeiros crentes". Diferentemente da
5 Vale ressaltar que esta proposição não é aceita por alguns estudiosos. Segundo eles, a frase não é
suficiente para descrever com clareza e totalidade a doutrina. Belcher, por exemplo, afirma: “O ensino
dos batistas de “uma vez salvo, salvo para sempre” é apenas um dos lados da moeda e, sendo apenas
um dos lados da moeda, tal doutrina pode ser perigosa. A doutrina da perseverança dos crentes, de
conformidade com o calvinismo, tem dois lados – segurança e perseverança. Um não pode existir sem
o outro. A doutrina batista da eterna segurança (uma vez salvo, salvo par sempre) despreza e
negligencia a necessidade de perseverança como prova da verdadeira salvação.” (BELCHER, Richard
P. Uma jornda na graça: Uma novela teológica. São José dos Campos: Fiel, 2002, p. 204).
6 LEVERETT, F.P. New and Copius Lexicon of the Latin Language. Boston: Bazin & Ellsworth,
1850.
7 SCOTT. LIDDELL. Greek-English Lexicon. Oxford: Clarendon, 1983.
8 FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro:
Nova Fronteira, s.d.
9 PACKER, James I. Teologia Concisa. Campinas: LPC, 1999, p. 223.
5
Monergismo.com – “Ao Senhor pertence a salvação” (Jonas 2:9)
preocupação de Packer, embora mantendo o mesmo sentido, ele afirma, citando
Murray:
"Murray coloca isso ainda mais forte: "Perseverança
significa o empenho de nossa pessoa, na mais intensa e
concentrada devoção, aos meios que Deus ordenou para a
realização do seu propósito salvífico." Por essa razão, prefiro
usar a expressão "perseverança do verdadeiro crente" para
designar essa doutrina"10
Não há nenhum problema sério quanto à terminologia em si mesma. O que
basta entender é que, de fato, o crente persevera. Deus lhe dá capacidade, pelo
Espírito Santo, de prosseguir até ao fim. Aqui entram a soberania dos propósitos de
Deus nos seus decretos e a responsabilidade humana. O crente deve manter-se firme,
embora Deus é quem lhe fornece poder para isso.
Os Cânones de Dort, por exemplo, reconhecendo esta duplicidade de sentido,
utiliza as duas expressões quando afirma: "Os crentes podem estar certos e estão
certos dessa preservação dos eleitos para a salvação e da perseverança dos
verdadeiros crentes na fé"11
Palmer distingue bem quando afirma: “Enquanto o termo perseverança dos
santos enfatiza a atividade do cristão, preservação dos santos enfatiza a ação de
Deus”12. As duas ações devem acontecer juntas, pois Deus preserva o verdadeiro
crente a fim de que ele persevere até o fim.
1.2. A doutrina da Perseverança dos Santos nas Confissões de Fé e Catecismos
Reformados
A Confissão de Fé de Westminster diz:
“Os que Deus aceitou em seu Bem-amado, eficazmente
chamados e santificados pelo seu Espírito, não podem cair
do estado de graça, nem total nem finalmente; mas com toda
a certeza hão de perseverar nesse estado até ao fim, e estarão
eternamente salvos” (CFW, XVII, I).
A pergunta número 1 do Catecismo de Heidelberg é:
“Qual é o único conforto na vida e na morte?”. A resposta
que se segue afirma que Cristo nos protege e “Ele nos
protege tão bem que, contra a vontade de meu Pai do céu
não perderei nem um fio de cabelo. Na verdade tudo coopera
para o meu bem o seu propósito para a minha salvação.
Portanto, pelo Espírito Santo ele também me garante a vida
10 HOEKEMA, Anthony. Salvos pela Graça: A doutrina bíblica da salvação. São Paulo: Cultura
Cristã, 1997, p. 243.
11 Os Cânones de Dort. Os cinco artigos de fé sobre o arminianismo. São Paulo: Cultura Cristã, s.d.,
art. 9, p. 47. Grifos meus.
12 PALMER, Edwin H. The Five Points of Calvinism. Michigan: Baker Book House, 1972, p. 69.
6
– “Ao Senhor pertence a salvação” (Jonas 2:9)
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eterna e me torna disposto a viver para ele daqui em diante,
de todo o coração.” (CH, Domingo 1, Pergunta 1).
O Catecismo Maior de Westminster afirma na resposta à pergunta 79 o
seguinte:
“Não poderão os crentes verdadeiros cair do estado de graça,
em razão das suas imperfeições e das muitas tentações e
pecados que os surpreendem? Os crentes verdadeiros, em
razão do amor imutável de Deus, e do decreto e pacto de
lhes dar a perseverança, da união inseparável entre eles e
Cristo, da contínua intercessão de Cristo por eles, e do
Espírito e da semente de Deus permanecendo neles, nunca
poderão total e finalmente, cair do estado de graça, mas são
conservados pelo poder de Deus, mediante a fé para a
salvação” (CMW, pergunta 79).
A Confissão de Fé Batista de 1689 afirma:
"Os que Deus aceitou no Amado, aqueles que foram
chamados eficazmente e santificados por seu Espírito, e
receberam a fé preciosa (que é dos eleitos), estes não podem
cair totalmente nem definitivamente do estado de graça.
Antes, hão de perseverar até o fim e ser eternamente salvos,
tendo em vista que os dons e a vocação de Deus são
irrevogáveis, e Ele continuamente gera e nutre neles a fé, o
arrependimento, o amor, a alegria, a esperança e todas as
graças que conduzem à imortalidade. Ainda que muitas
tormentas e dilúvios se levantem e se dêem contra eles,
jamais poderão desarraigá-los da pedra fundamental em que
estão firmados pela fé." (CFB, 17, 1)13
2. Alguns aspectos teológicos da doutrina da Perseverança dos Santos
2.1. A perseverança não depende do homem; mas, de Deus.
Na verdade, a perseverança não é uma atitude do homem primeiramente.
Assim como a eleição, a morte de Cristo na cruz e a salvação não dependem do
homem, a perseverança também é dom de Deus. O termo perseverança dá a idéia de
que o homem luta ardentemente para manter-se firme e qualquer vacilo pode pôr a
perder seu bem-estar eterno. Porém, o perseverar é de Deus, pois é Deus quem
continua a obra que iniciou (Fp 1.6) quando escolheu, antes da fundação do mundo,
aqueles que seriam salvos e prontamente enviou Cristo, seu único Filho, para pagar a
dívida que nenhum homem era capaz de pagar.
A perseverança é uma atitude de Deus primeiramente, pela qual ele capacita
os eleitos, pelo poder do Espírito Santo, a se manterem firmes no caminho da vida
eterna, seguindo a boa jornada até ao céu – Jd 24, 25; Ez 11.19-20; Ez 36.27; Dt
13 Apud ANGLADA, Paulo. As Antigas Doutrinas da Graça. 2 ed. São Paulo: Puritanos, 2000, p. 86.
7
– “Ao Senhor pertence a salvação” (Jonas 2:9)
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30.6; 1Pe 1.5; 2Tm 1.12; 2Tm 4.18. Deus deseja que os seus eleitos sejam
completamente guardados, preservados para sempre, a fim de que a obra de Cristo
seja efetivamente percebida e que todo o joelho se dobre diante daquele que é o
Salvador dos escolhidos (Sl 37.28; 1Ts 5.14; Jo 10.27-29).
Spencer afirma:
“Sim, os santos perseverarão porque o Salvador declara que quer
perseverar em favor deles, e quer guardá-los! Se a perseverança
depende do homem volúvel, com sua pecaminosa natureza
decaída, então ele não tem esperança. A perseverança dos santos
depende da graça irresistível que nos é assegurada porque Cristo
morreu por nós, uma vez que a expiação que temos, por seu
sangue, é limitada aos eleitos. Essa eleição, graças a Deus, não
está baseada em qualquer condição de bem pré-conhecido em
nós, pois “bom não há sequer um!” Pela graça de Deus, a eleição
é incondicional e não se pode encontrar nenhuma condição por
parte do homem, visto que ele é totalmente depravado, isto é,
totalmente incapaz de exercer boa vontade para com Deus,
totalmente impotente para, por isso mesmo, alcançar a vida ou,
por sua livre vontade, totalmente incapaz de livrar-se do super
poder do deus da morte!” 14
2.2. A perseverança depende também do homem.
Não é contraditório afirmar que a perseverança depende também do homem
depois que afirmamos que somente de Deus ela depende, pois quando Deus fornece
poder ao homem, através do Espírito Santo, o verdadeiro crente agora tem o dever de
manter-se fiel até à morte.
Horton afirma que “Temos a responsabilidade de “deixarmo-nos levar para o
que é perfeito” (Hb 6.1). Assim, somos responsáveis por perseverar, mas não pela
nossa perseverança. Somos responsáveis por sermos salvos, não pela nossa
salvação”15. Há algumas razões para isso:
A. Perseverar significa cumprir os decretos de Deus (Is 55.11; Sl 33.11; Ef
1.11) - Todos os acontecimentos naturais e sobrenaturais estão previstos nos decretos
de Deus. “Os decretos são o eterno propósito de Deus, segundo o conselho da sua
vontade, pelo qual, para sua própria glória, ele preordenou tudo o que acontece.”16
B. Perseverar significa obedecer a Deus (1Pe 1.2) - Uma vez que o homem
foi alvo da transformação sobrenatural de Deus e nele não impera mais a condenação
do pecado, não estando obrigado a pecar, Deus lhe capacita a negar o pecado e a
viver uma vida de santidade e consagração.
14 SPENCER, Duane Edward. Tulip – Os Cinco Pontos do Calvinismo à Luz das Escrituras. 2 ed. São
Paulo: Parakletos, 2000, p. 63.
15 HORTON, Michael. As Doutrinas Maravilhosas da Graça. São Paulo: Cultura Cristã, 2003, p.196.
16 Pergunta número 7 do Breve Catecismo de Westminster.
8
– “Ao Senhor pertence a salvação” (Jonas 2:9)
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2.3. A perseverança é fruto da eleição
As Escrituras declaram que Deus “... nos escolheu antes da fundação do
mundo para sermos santos e irrepreensíveis e em amor nos predestinou para ele, para
adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade”
(Ef 1.3,4).
Todas as ações salvadoras de Deus derivaram da eleição. Deus nos elegeu
antes da fundação do mundo. Antes, portanto, que o homem caísse e que toda a raça
humana morresse espiritualmente, Deus já havia escolhido o seu povo. Vemos em
toda a Escritura a proteção de Deus para com o seu povo em decorrência de ter ele
escolhido um povo exclusivamente seu, o qual ele ama com amor perfeito e que
guardará eternamente (Tt 2.14).
Por causa da munificência paternal de Deus através da eleição, ninguém pode
nos acusar (Rm 8.33). Não há acusação contra os eleitos de Deus. Calvino expressa:
“Daqui procede tanto a certeza da salvação quanto a tranqüila segurança da alma,
pelas quais as adversidades são suavizadas, ou, pelo menos, a crueza da dor é
mitigada”17
2.4. A perseverança é fruto da justificação
A justificação é o ato livre de Deus pelo qual ele nos torna justos diante dele,
por causa do sacrifício de Cristo, que se apresentou sem pecado e cumpriu a sentença
de Deus, tendo morrido em nosso lugar.
A Confissão Belga afirma:
"A justiça imputada. Cristo tomou sobre si mesmo e
carregou os pecados do mundo, e satisfez a justiça divina.
Portanto, é só por causa dos sofrimentos e ressurreição de
Cristo que Deus é propício para com nossos pecados e não
no-los imputa, mas imputa-nos como nossa a justiça de
Cristo (2Co 5.19 ss; Ro 4.25), de modo que agora não só
estamos limpos e purificados de pecados ou somos santos,
mas também, sendo-nos dada a justiça de Cristo, e sendo nós
assim absolvidos do pecado, da morte ou da condenação,
somos finalmente justos e herdeiros da vida eterna.
Propriamente falando, portanto, só Deus justifica, e justifica
somente por causa de Cristo, não nos imputando os pecados,
mas a sua justiça." (Grifos meus).18
Crer que Deus sustentará os crentes até o último dia, preservando-os de
caírem em pecado de morte e livrando-os de serem condenados ao inferno depende
da obtenção da fé verdadeira (Ap 14.12, 1Jo 5.13) e da justificação de Cristo (Rm
5.1,2,5). Quando Cristo recebeu a justiça de Deus ele pagou a exigência da ira de
Deus que pesava sobre os homens em decorrência da sentença de morte pronunciada
em Gênesis 2.16,17.
17 CALVINO, João. Romanos. 2 ed. São Paulo: Parakletos, 2001, p. 311.
18 BULLINGER, Heinrich. Segunda Confissão Belga. Disponível em
<http://www.geocities.com/arpav/biblioteca/segundaconfissaohelvetica.html>. Acesso em: 21 maio
2005.
9
– “Ao Senhor pertence a salvação” (Jonas 2:9)
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2.5. A perseverança é fruto da adoção
Pela adoção nos tornamos filhos de Deus e temos o direito a todos os
privilégios. Um desses privilégios é a certeza da salvação, a convicção de que
perseveraremos até o fim de nossas vidas, não por causa de nossa luta, mas
confiantes na sustentação do próprio Deus que, em Cristo, prometeu conduzir-nos ao
céu.
Jesus disse aos discípulos: “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus,
crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora,
eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar
lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que onde eu estou estejais
vós também.” (Jo 14.1-3) (Grifos meus).
Packer afirma que “a adoção é o mais alto privilégio que o evangelho oferece
(...) porque a adoção dá a idéia de família, concebida em termos de amor e vendo a
Deus como pai. Na adoção, Deus nos recebe em sua família e comunhão e nos
estabelece como seus filhos e herdeiros” 19 e, em decorrência disso, continua
afirmando que a adoção nos dá a segurança da vida eterna. Ele afirma: “A fonte de
segurança, entretanto, não são as nossas deduções como tais, mas a obra do Espírito
tanto à parte como através de nossas conclusões, convencendo-nos de que somos
filhos de Deus e de que o amor salvador e as promessas de Deus se aplicam
diretamente a nós”20.
Estamos seguros da perseverança dos santos quando sabemos que fomos
adotados por Deus em sua família, somos herdeiros da herança, co-herdeiros com
Cristo. Spurgeon afirma com razão:
“Deus é fiel em seus propósitos: não começa uma obra e a
deixa inacabada. Ele é fiel em seus relacionamentos: como
Pai, não abandonará seus filhos; como amigo, não negará
seu povo; como Criador, não esquecerá a obra de suas
mãos”21.
2.6. Perseverança e Santificação estão relacionadas
As Escrituras afirmam que a santificação é o passo posterior à conversão. A
vida cristã não termina na conversão. Ao contrário, a conversão é apenas o fato que
determina o lavar regenerador do Espírito, por meio do qual ele purifica o homem de
todo o pecado e manifesta o desígnio de Deus quanto à eleição daquela pessoa.
A vida cristã tem o seu começo na conversão. Prossegue adiante através do
que chamamos de santificação. “Santificação é a obra da livre graça de Deus, pela
qual somos renovados em todo o nosso ser, segundo a imagem de Deus, habilitados a
morrer cada vez mais para o pecado e a viver para a retidão” (2Ts 2.13; Ef 4.23,24;
Rm 6.4,6,14; Rm 8.4).
Quando usamos a conhecida expressão “uma vez salvo, salvo para sempre”
não podemos nos esquecer de que a doutrina da perseverança não sugere que o
indivíduo leve qualquer tipo de vida. A vida do eleito, justificado e perseverante é
19 PACKER, James I. O Conhecimento de Deus. 4 ed. São Paulo: Mundo Cristão, 1992, pp. 188, 190.
20 Idem, p. 209.
21 SPURGEON, Charles H. Por que os crentes perseveram? In Fé para Hoje, São José dos Campos,
São Paulo: Fiel, 2004, n. 23, p.18.
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– “Ao Senhor pertence a salvação” (Jonas 2:9)
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uma vida que luta contra o pecado e que renuncia a todos os prazeres que
desobedecem a Deus.
Michael Horton chama a nossa atenção de modo especial a fim de que não
relaxemos na maneira de viver, tratando a graça da salvação e da conseqüente certeza
da vida eterna com libertinagem, vivendo dissoluta e irresponsavelmente. Horton
afirma:
“Alguns que crêem que os cristãos estão eternamente
seguros dão à sua doutrina o slogan “uma vez salvo, sempre
salvo”, mas este slogan é muito ilusório. O slogan sugere
que uma vez que as pessoas fazem uma decisão por Cristo,
elas podem então sair e levar a vida do seu próprio jeito,
totalmente confiantes de que não importa o que façam ou
como vivam, estão “salvas e seguras de toda preocupação”.
Isso simplesmente não é bíblico. (...) Assim, então, quando
falamos de “uma vez salvo, sempre salvo”, não estamos
levando em conta toda a extensão da salvação. Fomos salvos
(justificados), estamos sendo salvos (santificação), e um dia
seremos salvos (glorificados). Você não pode alegar ter sido
“salvo” (justificado) a não ser que esteja sendo santificado.
Jesus Cristo é Salvador e Senhor”22
Portanto, não podemos ter certeza da salvação a menos que vivamos nesta
vida presente obedecendo a Deus em tudo e tenhamos a imagem de Cristo sendo
formada em nós. Somente aqueles que estão sendo “cristificados” é que podem
alegar a certeza da vida eterna pela fé na Palavra e na promessa de Deus. Viver como
Cristo é tomar a forma de Cristo. Como afirmou Bavinck,
“Os crentes estão em Cristo da mesma forma que todas as
coisas, em virtude da criação e da providência, estão em
Deus. Eles vivem em Cristo como os peixes vivem na água,
os pássaros vivem nos ares, o homem em sua vocação, o
erudito em seu estudo. (...) Os crentes assumem a forma de
Cristo e mostram em seu corpo tanto o sofrimento quanto a
vida de Cristo e são aperfeiçoados (completados) nele. (...)
Essa íntima relação entre Cristo e os crentes é compartilhada
com os crentes através do Espírito”23
Embora alguns julguem impossível a perfeição, e de fato nesta vida não a
alcançaremos, Deus a requer de nós em sua Palavra. Portanto, devemos buscá-la em
santificação. Deus mesmo nos fortalece e nos capacita para isso. De certa forma, a
santificação é fruto da fidelidade de Deus de manter firmes os seus filhos. Spurgeon,
acertadamente, assevera que
“A fidelidade de Deus é o fundamento e a pedra angular de
nossa esperança de perseverança até ao final. Os crentes hão
de perseverar em santidade, porque Deus se mantém
22 HORTON, Michael. As Doutrinas Maravilhosas da Graça. São Paulo: Cultura Cristã, 2003,
pp.192, 193.
23 BAVINCK, Hermann. Teologia Sistemática. Santa Bárbara do Oeste: Socep, 2001, p. 436
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perseverante em graça. Ele persevera em abençoar; por
conseguinte, os crentes perseveram em serem abençoados.
Deus continua guardando seu povo; conseqüentemente, os
crentes continuam guardando os mandamentos dele. Este é o
solo firme e excelente sobre o qual podemos descansar”24
3. Evidências bíblicas da doutrina
O uso do termo “vida eterna” que aparece várias vezes na Bíblia (Jo 3.16,36;
5.2,13, por exemplo) já seria suficiente para provar esta doutrina. Entretanto, alguns
não crêem na perseverança dos santos. Pensam que podemos perder a salvação e
sermos novamente condenados ao inferno por toda a eternidade.
Por isso, precisamos evidenciar os argumentos da Perseverança dos Santos
que podem estar claros nas Escrituras ou delas podem ser depreendidos por
inferência das demais doutrinas, como eleição, justificação, adoção e glorificação.
3.1. Fundamentada nas demais doutrinas da graça – Em Romanos 8.29-30
é claro o ensino do apóstolo Paulo de que há uma cadeia de ações de Deus em
relação ao homem. O texto nos diz: "Porquanto aos que de antemão conheceu,
também os predestinou para serem conformes a imagem de seu Filho, a fim de que
ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também
chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses
também glorificou.” (Grifos meus).
Muitos estudiosos chamam esse texto de cadeia da graça, em que Deus
mostra o seu plano e o processo redentor do homem. A glorificar significa o ato de
Deus.
3.2. Fundamentada na fidelidade de Deus (1Co 1.9) – Deus é fiel ao seu
próprio plano redentivo. Se ele prometeu que sustentaria os seus filhos, ele vai
preservá-los até a eternidade. Como afirmou Spurgeon,
“Se somos fiéis, isto acontece porque ele é fiel. Toda a nossa
salvação descansa na fidelidade de nosso Deus da aliança.
Nossa perseverança se fundamenta neste glorioso atributo de
Deus. Somos instáveis como o vento, frágeis como a teia de
aranha, volúveis como a água (...) Deus é fiel à sua aliança,
que estabeleceu conosco em Cristo Jesus e ratificou com o
sangue de seu sacrifício. Deus é fiel ao seu Filho e não
permitirá que o sangue dele tenha sido derramado em vão.
Deus é fiel ao seu povo, ao qual ele prometeu a vida eterna e
do qual jamais se afastará ”25 (p.18).
3.3. Fundamentada no amor e na misericórdia de Deus (Jo 3.16, Jd 21) –
O amor de Deus pelos eleitos é o início de toda a jornada salvífica. Deus amou de tal
maneira que ofereceu o seu próprio Filho para remir os pecados deles (Mt 1.21) e
garantir-lhes a vida eterna. Aqueles a quem Deus amou não perecerão, porque Deus
24 SPURGEON, Charles H. Por que os crentes perseveram? In Fé para Hoje, São José dos Campos,
São Paulo: Fiel, 2004, n. 23, p.18.
25 Idem, p. 18.
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– “Ao Senhor pertence a salvação” (Jonas 2:9)
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os sustentará até o final. As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos
consumidos (Lm 3.22).
3.4. Fundamentada no poder de Deus (Jd 24, 1Pe 1.3-9) - A soberania de
Deus na escolha dos eleitos e na execução de seus propósitos é marca de seu poder.
Deus é Todo Poderoso e somente alguém de poder excelso poderia executar tão
grandiosa obra. O Deus que tem poder para mudar a natureza de um homem tem,
naturalmente, poder para sustentar este homem no seu caminho até o fim, por toda a
eternidade.
3.5. Fundamentada na graça de Deus (Jr 31.32,22; 32.38-40) - A aliança ou
pacto da graça, como conhecemos, ensina-nos que Deus fez conosco uma aliança
firmada em sua graça, não nas obras da lei. Deus prometeu imprimir em nossos
corações sua lei de modo que nunca nos apartássemos dela.
3.6. Fundamentada na imutabilidade de Deus (Ml 3.6; Is 46.9,10) – O
Deus que é imutável e que mantém todos os seus decretos conforme planejado. Seus
atos são duradouros e eternos e não podem ser frustrados porque ele os rege e
controle a todos (Jó 42.2; Hb 1.3).
3.7. Fundamentada no sacrifício de Cristo (Rm 8.32; Hb 12.2; Jo 6.39) – O
sacrifício de Cristo garantiu o acesso a Deus por parte dos verdadeiros crentes. Todos
quantos crêem no Senhor Jesus obtêm a garantia da vida eterna (Jo 5.24). Cristo é o
Redentor dos eleitos e o consumador da fé. Se os crentes pudessem a salvação, o
sacrifício de Cristo teria sido completamente em vão.
3.8. Fundamentada na proteção do Espírito Santo (Jo 14.6; Ef 1.13,14;
4.30) - O Espírito Santo é o outro consolador ou confortador dos crentes. Ele nos
guardará do maligno e de toda tentação. Observe que Jesus disse outro consolador.
Cristo mesmo já é consolador, mas enviaria outro, o Espírito Santo, a fim de que
permanecesse conosco para sempre. Além disso, ele é o selo ou penhor de nossa
herança. É o Espírito Santo que “... confirma em nossos corações a certeza das
promessas de Deus concernentes à graça e à salvação”.26
4. Aplicações práticas da doutrina
Além de todas as bênçãos que já estudamos até aqui, ainda nos cabe observar
que a doutrina da perseverança dos santos reserva para nós outras bênçãos.
4.1. Certeza de todas as bênçãos nesta vida presente – Sabemos que o
“Senhor é o nosso pastor e nada nos faltará” (Sl 23.1). Sabemos, ainda, que “Todas
as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são
chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28). A Palavra ainda nos diz que somos
abençoados com toda sorte de bênçãos nas regiões celestiais (Ef 1.3) e que todas as
coisas necessárias à vida e à piedade nos foram dadas (2Pe 1.3). Somos livres de
todos os nossos inimigos a nada pode nos acusar (Rm 8.31-39). O diabo não tem
poder sobre nós e não pode nos tocar (1Jo 5.18). Temos a certeza da companhia de
Deus conosco (Jo 14-17). Temos a garantia de todas as bênçãos e sabemos que são
26 TURRETIN, Francis. Institutes of Elentic Theology. New Jersey: P & R, 1994, Vol. 2, p. 602.
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– “Ao Senhor pertence a salvação” (Jonas 2:9)
incontáveis. Poderíamos enumerar algumas delas somente aqui, mas nunca
atingiremos, nem aproximadamente, o número delas. São inúmeras as promessas de
subsistência e proteção que o Senhor nos dá.
4.2. A Certeza da Vida Eterna – Além de todas bênçãos de que tratamos, a
vida eterna é a maior de todas as bênçãos. A certeza de que estaremos com o Senhor
nos céus durante toda a eternidade, onde estaremos seguros e livres de todos os
males. Temos a certeza de que Jesus voltará para nos buscar (Jo 14.3,28; Ap 22.7,20)
e reunirá todos os eleitos do Pai a fim de nos apresentar a ele imaculados (Jd 24) para
que vivamos a eternidade com o Senhor (Ap 7.9-12; 21).
Sobre Romanos 8.31, Packer afirma:
“O que está sendo proclamado aqui é que Deus garante nos
sustentar e proteger quando os homens e as coisas estão
ameaçando; cuidar de nós durante todo o tempo de nossa
peregrinação na terra e levar-nos afinal para o gozo total de
Si mesmo, não importa quantos obstáculos pareçam, no
presente, estar no caminho que nos leva até lá.”27
Tendo Deus como nosso defensor não precisamos temer nada, estamos
seguros de todas as adversidades. Não que elas não sobrevirão sobre nós, mas que
seremos sustentados e venceremos. Calvino afirma:
“Não há poder debaixo do céu ou acima dele que possa
resistir o braço de Deus. Se porventura o temos como nosso
Defensor, então não precisamos recear mal algum. Ninguém,
pois, demonstrará possuir verdadeira confiança em Deus,
senão aquele que se satisfaz com sua proteção, que nada
teme nem perde sua coragem. Certamente que os crentes às
vezes tremem, porém nunca ficam irremediavelmente
destruídos”.28
5. O propósito das advertências contra a apostasia.
Poderíamos questionar o porquê de a Bíblia apresentar vários textos
exortando os crentes a perseverarem. Ora, se a máxima "uma vez salvo, salvo para
sempre" é verdade, por que as Escrituras dizem que alguns podem cair ou dizem que
"aquele que está em pé veja que não caia"?
O pastor Paulo Anglada diz que
"Assim como o arrependimento e a fé são meios pelos quais
a salvação é aplicada ao coração dos eleitos, pela ação
soberana do Espírito Santo – daí as exortações ao
arrependimento e à fé – assim também, as exortações
alertando o homem para que não se aparte de Deus (ou não
caia), são o meio (a graça, o livramento) que o Espírito
Santo usa poderosamente para fazer com que o eleito
persevere na salvação. Estas advertências se constituem em
27 PACKER, James I. O Conhecimento de Deus. 4 ed. São Paulo: Mundo Cristão, 1992, p. 243.
28 CALVINO, João. Op. cit., p. 310.
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– “Ao Senhor pertence a salvação” (Jonas 2:9)
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estímulos à humildade, à vigilância, à diligência e à
dependência da graça de Deus"29
O objetivo das Escrituras é nos incitar à santidade e à obediência prática ao
Senhor. Dizer-se salvo, mas não viver pura e fielmente a Deus é contradição.
Somente os verdadeiramente salvos, os crentes eleitos por Deus podem ter a certeza
da salvação, vivendo para sua honra e glória.
Hebreus 6.4-8 é o texto mais utilizado por aqueles que defendem que o crente
pode perder a salvação. O versículo seis diz: “Se caírem, sim, é impossível outra vez
renová-los para arrependimento...”. O texto é verdadeiro, porém, a referência aqui é
para os que experimentaram uma fé passageira, temporal. São aquelas pessoas que
vivenciaram as bênçãos de Deus, tiveram contato com a Palavra, viram
manifestações poderosas do Senhor, mas rejeitam a verdadeira vida cristã, porque
não eram eleitos e não eram, efetivamente, dos nossos. João nos diz que aqueles que
saíram do nosso meio e abandonaram a fé não eram dos nossos (1Jo 2.19). É
interessante como que nesses textos há sempre o contraste entre os que são de Deus e
os que não são de Deus. Tanto em 1 João quanto em Hebreus isso acontece.
Acompanhe os versículos seguintes e veja que os escritores começam a falar dos
verdadeiros cristãos, aqueles que permanecem firmes na fé, sustentados pela graça e
pela promessa de Deus.
Palmer afirma que “Perseverança dos santos significa que os santos
perseverarão em sua fé. E esta fé é composta de tristeza e arrependimento pelo
pecado. Se alguém não se entristece por seus pecados e os abandona, então ele nunca
teve fé em primeiro lugar e não foi salvo”. E continua: “É exatamente quando o
cristão compreende totalmente a verdade bíblica da perseverança dos santos, é que
ele não será inclinado à licenciosidade, mas à santidade”30.
O diabo tentou a Cristo com o argumento de que se ele era realmente
protegido de Deus, poderia lançar-se da montanha. Jesus replicou-lhe dizendo que o
diabo não deveria tentar ao Senhor. (Mt 4.6). O verdadeiro cristão sempre recusará
uma vida descuidada e jamais aceitará pecar contra o Senhor. Se é guardado de Deus,
será sempre servo obediente e fiel, assim como é o seu Senhor.
29 ANGLADA, Paulo. Op. cit., p. 98.
30 PALMER, Edwin H. Op. cit, p. 79.


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