quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Regeneração: Uma Obra Divina



Regeneração: Uma Obra Divina
Rev. HermanHoeksema

A verdade da condição sem esperança do homem implica que esse
renascimento ou regeneração2 não pode ser estabelecido por alguma obra do
homem ou pelo poder da vontade do homem. Essa impossibilidade já está
implícita no termo renascimento ou regeneração. Assim como nenhum homem
pode ser a causa eficiente do seu nascimento natural da carne, tampouco pode
ser a causa eficiente do seu segundo nascimento ou concepção espiritual. O
homem não pode renovar a si mesmo.
Isso está implícito também na condição natural do homem. Quando ele
ama as trevas e não a luz (João 3:19), ele certamente não fará nenhuma
tentativa de vir para a luz. Antes, ele evitará, desprezará e odiará a luz. Quando
por natureza está em tal condição que não pode ouvir a palavra de Cristo, por
sua própria surdez ele está certamente excluído de todas as influências
externas que poderiam induzi-lo a entrar no reino de Deus. Quando a
mentalidade da carne, com a qual o homem nasce por natureza, é sempre
inimizade contra Deus, de forma que ele não pode se submeter à lei de Deus,
sim, não pode se sujeitar a essa lei (Rm. 8:5-7), é claro que seu coração estará
fechado contra a influência do amor de Deus em Cristo Jesus. Para o homem
natural não existe nenhuma esperança de melhora ou reforma no caminho da
educação, no caminho de um exemplo melhor, ou no caminho de exercer-se
na disciplina da virtude externa. Dessa forma, ele nunca entrará no reino de
Deus.
Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que
nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou
juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente
com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus (Ef. 2:4-6).
O que é impossível para os homens é possível para Deus (Lucas 18:27).
Ele é capaz de criar no homem um coração puro e renovar nele um espírito
reto (Sl. 51:10). Ele é capaz de circuncidar o coração do seu povo e sua
semente, para que amem o Senhor Deus deles com toda a sua existência e
vida (Dt. 30:6). Ele é capaz e está disposto a dar-lhes um coração para
conhecerem ao Senhor; eles então serão o seu povo, e ele será o Deus deles.
Eles se voltarão para ele de todo o coração (Jr. 24:7).
Ele está disposto a dar-lhes um coração e colocar um espírito novo
dentro deles. Ele tirará o coração de pedra deles e lhes dará um coração de
carne, para que possam andar nos seus estatutos e guardar as suas ordenanças.
Assim, eles serão o seu povo, e ele será o Deus deles (Ez. 11:19, 20). Ele
aspergirá sobre eles água pura, para que sejam purificados de sua imundícia e
de todos os seus ídolos. Ele lhes dará um novo coração e colocará um novo
espírito dentro deles. Ele tirará o coração de pedra da carne deles, e lhes dará
um coração de carne. Dessa forma, eles andarão em seus estatutos e guardarão
os seus juízos para cumpri-los (Ez. 36:25-27).
Contra esse pano de fundo, os apóstolos pregaram o evangelho do
reino num mundo de trevas, enfatizando a necessidade dessa mudança radical
através da qual o homem é transladado primeiro na própria profundeza de sua
existência interior e, então, também em toda a sua vida consciente e andar
público no mundo. Algumas vezes os apóstolos referem-se a essa mudança
radical nos homens como renascimento ou regeneração:
Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que
fôssemos como primícias das suas criaturas (Tiago 1:18).
Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua
grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela
ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos (1Pe. 1:3).
Esse renascimento ou regeneração, portanto, é a obra do Deus e Pai de
nosso Senhor Jesus Cristo. Ele realiza essa obra de acordo com sua grande
misericórdia, uma misericórdia que livra o seu povo da miséria do pecado e da
morte, e que é chamada “grande” porque não simplesmente liberta da miséria
para fazer o seu povo voltar ao seu estado e condição original, mas exalta-os
acima daquele estado, fazendo-lhes serem participantes de uma nova, celestial
e gloriosa vida.
Por conseguinte, essa regeneração é mediada através da ressurreição de
Jesus Cristo dentre os mortos, pois não somente é essa ressurreição de Cristo
o fundamento jurídico para a regeneração e a certeza da salvação deles, mas é
também o princípio da regeneração de todos os crentes. Assim como Cristo
em sua ressurreição não retornou à terra, mas foi vestido com uma vida mais
sublime e celestial, assim os filhos de Deus recebem em seu renascimento o
princípio de uma nova vida, a mesma vida com a qual Cristo levantou do
sepulcro. Porque está fundamentada na ressurreição de Cristo, essa
regeneração é também o princípio de uma esperança viva, que se desenvolve
na esperança da realização e revelação futura da salvação completa. O eleito
renascido se tornou peregrino na terra, pois recebeu o princípio de uma vida
celestial através da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos. Em virtude
desse princípio, ele não busca as coisas que são de baixo, mas aquelas que são
de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus (Cl. 3:1, 2).

Fonte: Reformed Dogmatics – Volume 2, Herman Hoeksema,
Reformed Free Publishing Association, pg. 26-9

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