Pular para o conteúdo principal

Apêndice.



Importante: O texto a seguir é de autoria do Rev. William J. Grier (1868-19??).

As setenta semanas de Daniel 9.

As setenta semanas de Daniel (ou os setenta "setes") constituem a base de muitos esquemas de épocas. É bom observar o fim para o qual foram decretadas as setenta semanas:
"Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para cessar a transgressão, e para dar fim aos pecados, e para expiar a iniqüidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santíssimo." (Daniel 9:24)
De acordo com Daniel, esses seis resultados têm de ser obtidos antes que terminem as setenta semanas. É, portanto, errado considerar todos, ou alguns deles, como devendo ser cumpridos em um milênio depois das setenta semanas, como geralmente se faz.
O acabar com o pecado e a expiação da iniquidade tiveram lugar através dEle, que "se manifestou para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo" (Hb 9:26). Ele trouxe uma justiça que permanece para sempre (2ª Cor. 5:21). Após seu ministério e o de Seus apóstolos, nenhuma outra revelação profética seria necessária e Ele foi o Santíssimo, ungido com o Espírito (At 10:38).
Cristo é o personagem proeminente no trecho. Dele se diz, no versículo 26, que "já não estará" [1], isto é, será desprezado e rejeitado. É Ele quem "confirma" ou "faz prevalecer" a aliança (v. 27). Deve-se notar que a palavra empregada não significa "fazer aliança", e sim, "fazer prevalecer" a aliança, que é a Aliança da Graça, existente desde a antiguidade. (Ver nota abaixo).
Aquele que traz a desolação (fim do v. 27) é Tito, o comandante romano, cujas destruições horríveis são descritas por Josefo.
Não se justifica, absolutamente, o procedimento dos que tentam separar a 70ª semana da 69ª por um intervalo já muito mais longo que o total das 70 semanas. Se alguém alegar ter o próprio Daniel feito um intervalo, devemos responder que ele faz dois - 7 semanas e 62 semanas e 1 semana. Todos os intérpretes consideram as 62 semanas como vindo imediatamente depois das primeiras sete, sem qualquer interrupção. O intervalo assinala, apenas, um grande acontecimento na história de Israel: a restauração de Jerusalém sob a liderança de Esdras e Neemias. Semelhantemente, não há quebra de continuidade entre a 69ª e a 70ª semanas. Somente entre elas está o aparecimento portentoso de Cristo.
Não existe qualquer motivo para tomarmos os 70 "setes" como 490 anos. Em lugar algum do Velho Testamento se chama de "semana" ou "um sete" a um período de sete anos. É melhor interpretar esses "setes" como "uma designação propositadamente indefinida de um período de tempo medido pelo número 7, cuja duração cronológica tem de ser determinado sobre outras bases", conforme sugere Keil.

[1] Nota da tradutora: O autor segue uma versão inglesa que, conforme a tese de Edward J. Young ("The Preacher of Daniel"), representa melhor o sentido do texto hebraico. Duas frases de nossa Versão Revista e Atualizada no Brasil carecem de revisão. No v. 26 (cap. 9 de Daniel), a frase "já não estará" deve ser traduzida por "nada há para ele" ou "nada terá". No v. 27, "fará firme concerto" deve ser "fará o concerto prevalecer" (Novo Comentário da Bíblia) ou "confirmará a aliança", ou, ainda, "fará prevalecer a aliança".

Chegamos ao final da série de estudos intitulada "O Maior de Todos os Acontecimentos", pelo ponto de vista do amilenista Rev. William J. Grier.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O Dia da Reforma Protestante; conheça as 95 teses de Martinho Lutero