domingo, 25 de março de 2018

A História da canonização do Novo Testamento


Trabalho de doutorado em Exegese do Novo Testamento

Introdução. O que virá adiante faz parte do meu doutorado, onde exclui o evangelho de Lucas, em especifico como ponto de partida o capítulo 16 e em especial o versículo 19 em diante.

I. Considerações Preliminares.
O cânon é a coleção de 27 livros que a igreja (geralmente) recebe como parte construtiva do Novo Testamento. A história do cânon é a história do processo pelo qual estes livros foram reunidos e o valor deles oficialmente gerou o Novo Testamento oficialmente reconhecido. O processo de canonização foi gradual, sendo avançado por necessidades definidas, e, entretanto inquestionavelmente contínuo. Há duas considerações de sua construção. Estes são:

1. Os cristãos primitivos tiveram o Antigo Testamento:

Os cristãos primitivos tiveram em mãos o que para eles era a Bíblia, isto é, os livros do Antigo Testamento. Estes foram usados a uma extensão surpreendente na instrução Cristã. Durante um século inteiro depois da morte de Jesus.

2. Nenhuma intenção de escrever um Novo Testamento:
Quando iniciaram o trabalho de escrever uma carta, ninguém teve o propósito definido de contribuir para a formação do que nós chamamos hoje de “Bíblia.” Todos os escritores do Novo Testamento olharam para “o fim” como algo próximo. As suas palavras eram apenas para satisfazer as necessidades definidas em suas nas vidas e com pessoas a eles relacionadas. Não houve nenhum pensamento de criar uma literatura sagrada nova. As circunstâncias e influências que provocaram este resultado serão brevemente fixado adiante.

II. O processo em três fases.

Para conveniência de definição de impressão o processo inteiro pode ser separado em três fases:

a) O tempo dos apóstolos até 170 d.C;

b) Os anos finais do 2º século e o inicio do 3º (170-220 d.C);

c) Do 3º ao 4º século.
No primeiro se busca as evidências do crescimento em avaliação ao valor estranho das escritas do Novo Testamento; no segundo se descobri o reconhecimento claro, uma grande parte destas escritas como sagrado e autorizado; no terceiro a aceitação do cânon completo tanto no Leste como no Oeste.


1. Dos Apóstolos a 170 d.C:


1.1. Clemente de Roma; Inácio; Policarpo:
O primeiro período estende-se a 170 d.C. Ao final do 1º século todos os livros do Novo Testamento eram existentes. Eles eram, como tesouros de determinadas igrejas, extensamente separados e honrados como contendo a palavra de Jesus ou o ensino dos apóstolos. Os primeiros livros a serem reconhecidos eram aqueles que gozavam a autoridade de Jesus.

O crescimento da igreja e a partida dos apóstolos para terras distantes enfatizaram o valor dos escritos do Novo Testamento. No inicio de período primitivo houve o desejo de que cada igreja obtivesse instrução de cada carta para que houvesse um meio de conduta ideal.

Policarpo (110 d.C?) escrevendo aos Filipenses: “eu recebi as vossas cartas como também as de Inácio. Vocês recomendam que eu envie para a Síria; Eu tão farei pessoalmente ou por outros meios. Em retorno, eu lhes envio a carta de Inácio como também outras que eu tenho em minhas mãos as quais vocês pediram. Elas servirão para edificar a fé e a perseverança" (Carta aos Filipenses, XIII).

Esta é uma ilustração do que deve ter acontecido para avançar o conhecimento das escritas dos apóstolos. Até que ponto os livros do Novo Testamento começaram a serem difundidos é impossível dizer, mas é justo deduzir que uma coleção das epístolas de Paulo já existia no período de Policarpo quando escreveu aos filipenses e quando Inácio escreveu as suas sete cartas para as igrejas da Ásia Menor, i.e. aproximadamente 115 d.C.

Clemente de Roma, em 95 d.C, escreveu uma carta em nome dos cristãos de Roma para os de Corinto. Na carta ele faz menção de registros encontrados em Mt, Lc, dando isto uma retribuição grátis (veja capítulos 46 e 13); ele foi influenciado muito pela Epístola aos hebreus (veja capítulos 9, 10, 17, 19, 36). Ele reconhece romanos, coríntios, e também há menção de 1 Tm, Tt, 1 Pe e Ef.

As Epístolas de Inácio (115 d.C) tem muita semelhança ao conteúdo dos evangelhos em vários lugares (Ef 5; Rm 6; 7) e incorpora muitas relações em sua cartas semelhantes a das epístolas Paulinas. A Epístola de Policarpo faz uso de filipenses, e além disto cita nove das outras epístolas de Paulo. Inácio cita Mateus, aparentemente de memória; também 1 Pedro e 1 João.

Com respeito ao que Clemente, Policarpo e Inácio escreveram não é o bastante para dizer que eles nos trazem reminiscências ou cotações disto ou daqueles livros. O ensino dos doze apóstolos (aproximadamente 120 d.C em sua forma presente); a Epístola de Barnabé (aproximadamente 130 d.C) e o Pastor de Hermas (aproximadamente 130 d.C). Estes exibem os mesmos fenômenos assim como está atestado nas escritas de Clemente, Inácio e Policarpo.



2. O valor dos escritos:


2.1. Os gnósticos, Marcion:
Basilides considerado o grande mestre que ensinou na Alexandria durante o reinado de Adriano (d.C 117-38), teve por tradição a autoridade dos apóstolos Matias e Glaucias, intérprete alegado de Pedro, ele testemunhou Mateus, Lucas, João, Romanos, 1 Coríntios, Efésio, e Colossenses no esforço para recomendar as suas doutrinas.

O mais notável dos Gnósticos era Marcion, um nativo de Pontus. Ele foi para Roma (aproximadamente 140 d.C). Em defesa das suas visões, ele formou o seu próprio cânon que consistia no Evangelho de Lucas e dez das epístolas de Paulo. Ele rejeitou as Epístolas Pastorais, Hebreus, Mateus, Marcos, João, Atos, as epístolas católicas e o Apocalipse, e fez uma recensão do evangelho de Lucas e as epístolas de Paulo que ele aceitava. A importância do seu trabalho está no fato de que é ele quem dá a primeira evidência clara da canonização das epístolas de Paulo.

2.2. De 170 d.C a 220 d.C:
O período de 170 d.C a 220 d.C. Inicia a idade de uma literatura teológica volumosa, ocupando os grandes assuntos do cânon da igreja e do credo. É o período dos grandes nomes como: Irineu, Clemente de Alexandria, e Tertuliano, representando a Ásia Menor, Egito e a África.

2.2.1. Irineu.
Nasceu na Ásia Menor, viveu e ensinou em Roma e se tornou o bispo de Lions posteriormente. Fora discípulo de Policarpo, o qual, também fora discípulo do apóstolo João. Defensor sério da verdade, ele fez do Novo Testamento em grande parte a sua autoridade. Os quatro Evangelhos, Atos, as epístolas de Paulo, e a maioria das epístolas católicas e o Apocalipse é para ele a Bíblia em o sentido mais pleno da verdade o qual ele considerou genuínos e autorizados, assim como em seu tempo o Antigo Testamento já era. Tertuliano segue a mesma posição, enquanto Clemente de Alexandria aceita apenas os quatro evangelhos como a “Bíblia.” No final do 2º século foi resolvido o cânon dos evangelhos. O mesmo aconteceu com as epístolas de Paulo.

Irineu fez mais de duzentas citações de Paulo, ele foi considerado o maior defensor das epístolas de Paulo. Pode se dizer que o cânon do Novo Testamento era para ele os evangelhos e os apóstolos. O título Novo Testamento parece ter sido usado pela primeira vez por um escritor desconhecido contra o Montanhismo (aproximadamente 193 d.C). Após Orígenes e escritos posteriores é que esse termo é utilizado.


2.3. O Fragmento Muratoriano.
O fragmento muratoriano é assim denominado porque sua descoberta em 1740 se deu pelo bibliotecário de Milão, Muratori. Sua datação está perto do fim do 2º século, é de interesse vital no estudo da história do cânon, pois registra uma lista dos livros do Novo Testamento. Contêm os Evangelhos (inicia com Marcos, mas Mateus é claramente incluído), Atos, as epístolas de Paulo, Apocalipse, 1 e 2 João e Judas.

Não menciona 1 e 2 Pedro, Hebreus, Tiago. Nesta lista se tem a posição do cânon do final do 2º século. Sete livros não tiveram contudo um lugar seguro ao lado dos evangelhos, e as cartas de Paulo como também as igrejas da palestina e síria rejeitaram o Apocalipse por muito tempo, enquanto algumas das epístolas católicas estavam no Egito considerado duvidoso. A história da aceitação final do Cânon e seus livros só se deram perto do inicio do terceiro século.

3. 3º e 4º Séculos:


3.1. Orígenes:
Nasceu na Alexandria aproximadamente em 185 d.C. Em 203 foi designado bispo, e morreu em 254. A sua fama se deu na habilidade com os manuscritos, ele foi considerado como o maior exegeta, entretanto ele trabalhou laboriosamente e prosperamente em outros campos.

O seu testemunho é de valor alto, não simplesmente por causa dos seus próprios estudos, mas também por causa do seu conhecimento o qual estar em debates em centros do cristianismo no mundo em seu tempo. Apenas os Evangelhos, as epístolas de Paulo e Atos, que ele aceitou como canônico.

3.1. Dionísio:
Outro nome notável deste século é Dionísio de Alexandria, um discípulo de Orígenes (morreu 265). A discussão mais interessante dele está em considerar o livro do Apocalipse a um João desconhecido, mas ele não ignora sua inspiração.

É um fato singular que a igreja ocidental o aceitou logo de inicio, enquanto sua posição no oriente foi variável. Com respeito às epístolas católicas Dionísio apóia Tiago, 2 e 3 João, mas não 2 Pedro e Judas.

3.2. Cipriano:
No Oeste o nome de Cipriano, bispo de Cartago (248-58 d.C), era muito influente. Ele estava muito comprometido em controvérsia, mas um homem de grande força pessoal. O livro do Apocalipse que honrou altamente, mas concernente ao livro de hebreus ele não considerava como canônico. Ele também recorre a só dois das epístolas católicas, 1 Pedro e 1 João.

3.3. Eusébio:
Inicio do 4º século (270-340 d.C), bispo de Cesárea antes de 315. Os critérios para cada um deles eram: autenticidade e apostolicidade, e na lista houve os Evangelhos, Atos, e as epístolas de Paulo. Entretanto os livros disputados, i.e. Os que foram reconhecimento parcialmente foram: Tiago, Judas, 2 Pedro e 2 João. Já o livro do Apocalipse ele não estava seguro. Vê-se que não houve muito avanço no 3º século. Tudo isso demonstra que nenhuma decisão oficial e nem uniformidade ao canon foi uso da igreja. Na metade do 4º século repetiu-se e foram feitos esforços para acabar com a incerteza.

3.4. Atanásio:
Atanásio em uma de suas cartas pastorais com relação à publicação do calendário eclesiástico dá uma lista dos livros que ele teve como Bíblia, e na porção do Novo Testamento são incluídos todos os 27 livros que nós reconhecemos agora. “Estes são a fonte da salvação", ele escreve.

Gregório de Nazianzo (morreu 390 d.C) também publicou uma lista que omite Apocalipse, como fez Cirilo de Jerusalém (morreu 386), e totalmente ao término do século (4º) Isidoro fala do “cânon de verdade, como Escritura Divina”. Durante um tempo considerável o livro do Apocalipse não foi aceito nas igrejas palestinas ou sírias.
Atanásio ajudou para a sua aceitação na igreja de Alexandria. Porém, algumas diferenças de opinião continuaram. A igreja da síria não aceitou todas as epístolas católicas.

4. Concilio de Cartago, Jerônimo; Agostinho:

O Concilio de Cartago em 397, decretou que os livros que não estavam inseridos na Bíblia não deveriam ser lidos nas igrejas e nem considerados como Escrituras Divinas.

Depois que houve um empenho para atestar a unanimidade, mesmo assim houve divergência de julgamento. Os livros que tinham variado por estes séculos eram o Apocalipse e as cinco epístolas católicas. O avanço do Cristianismo por Constantino teve muito significado para a recepção do grupo inteiro dos livros em sua época.
A tarefa que o imperador deu a Eusébio para preparar “cinqüenta cópias da Escritura Divina” estabeleceu um padrão que ao seu tempo deu reconhecimento aos livros que até então eram duvidosos. No Oeste, Jerônimo e Agostinho eram os protagonistas na determinação do cânon. A publicação da Vulgata fez determinar o assunto.

A conclusão que se chega é que o elemento humano fora o envolvimento no processo inteiro de formar o Novo Testamento. Ninguém disputou um dominio providencial de tudo. É bom ter em mente que todos os livros não têm o mesmo título no cânon até a sua história de atestação. Porém, claro e cheio e unânime foi desde o princípio o julgamento nos Evangelhos, Atos, as epístolas de Paulo, 1 Pedro e 1 João.



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