terça-feira, 22 de maio de 2018

As Duas Testemunhas e a Sétima Trombeta

As Duas Testemunhas e a Sétima Trombeta
“Foi-me dado um caniço semelhante a uma vara, e também me foi dito: Dispõe-te e mede o santuário de Deus, o
seu altar e os que naquele adoram...”. (Apocalipse11.1)
Este versículo é a prova de que o Apocalipse foi
Escrito antes da queda do templo de Jerusalém no ano 70 d.C.
Se a João é dito para medir o santuário é porque o mesmo
ainda estava de pé. Com base nesse versículo os dispensacionalistas afirmam que o templo de
Salomão será reconstruído no futuro. Não existe sequer uma
passagem em toda a Bíblia que sugira que o templo
de Jerusalém será reconstruído no futuro. Pode até ser que os judeus consigam reconstruí-lo, mas isto não seria cumprimento da profecia bíblica. Alguém poderá citar 2ª Tessalonicenses 2.1-
4 como prova de que no futuro o
templo será reconstruído e ocupado pelo Anticristo.
Veja o referido texto abaixo: “Irmãos, no que diz respeito
à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa reunião com ele, nós vos exortamos a que não vos demovais da vossa mente, com facilidade, nem vos perturbeis, quer
por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como se procedesse de nós, supondo tenha chegado o Dia do Senhor.
Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto não
acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou é objeto
de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus”.Para começo de conversa essa “vinda”de Cristo, “à nossa reunião com ele”
e o chamado “Dia do Senhor”foram eventos que
ocorreram no primeiro século, na geração dos discípulos. A“ vinda” de Cristo aqui descrita é a vinda em julgamento contra Jerusalém. A nossa reunião com ele é descrita em Mateus 24.31:“E ele enviará os seus anjos, com grande clangor de
trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus”
.(o grifo é meu)Este versículo se baseia no imaginário do Antigo Testamento simbolizando a grande obra que estava prestes a ter início que é justamente o grande
ajuntamento do povo de Deus em uma nova
nação. Se a “vinda” descrita por Paulo era de fato o arrebatamento, porque razão os tessalonicenses estavam preocupados sobre a possibilidade de esse dia haver
chegado?E para fechar com chave de ouro
os versículos seguintes de 2ª Tessalonicenses 2 mostram
claramente que o “homem da iniqüidade” que haveria de assentar-se no santuário de Deus, foi um personagem
que estava vivo naquela ocasião, no primeiro século da era cristã, veja:“Não vos recordais de que, ainda convosco, eu costumava dizer-vos estas coisas?E, AGORA, sabeis
o que o detém, para que ele seja revelado somente em ocasião própria.Com efeito, o mistério da iniqüidade já opera e aguarda somente que seja afastado aquele que AGORA o detém;
então, será, de fato, revelado o iníquo, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e o destruirá pela manifestação de sua vinda”.(2ª Tessalonicenses 2.5-8 –
o grifo é meu) Enquanto os dispensacionalistas discutem sobre quem é “aquele” detém o homem da iniqüidade, Paulo deixou claro que os tessalonicenses sabiam quem era. E, pior, a palavra “agora” é repetida duas vezes, provando assim que o homem da iniqüidade era alguém contemporâneo dos tessalonicenses. Diante de evidências tão simples, claras e objetivas, o grave problema que vejo no dispensacionalismo é que muitos de seus adeptos contornamos sentido claro das Escrituras apelando para especulações proféticas.
Muitos em suas apelações vão perguntar sobre quem foi, então, que era o homem da iniqüidade, qual base histórica
para identificá-lo etc. Tenho visto muito sobre isto!Identificar e situar historicamente o homem da iniqüidade não é o
problema. Tenho excelentes estudos que mostram a questão sobre vários ângulos. O que me incomoda é a leitura superficial do texto bíblico. Mesmo que não tivéssemos as obras do
historiador Flávio Josefo,e de nenhum historiador daquela época, deveríamos ficar agarrados ao texto da Escritura, ainda que sem evidências externas.
Está faltando mais respeito para com a Palavra de Deus
por parte de muitos.Os “dispensacionalistas reconhecem que deve haver um templo para que esta passagem [de Apocalipse 11.1] seja cumprida. Já que atualmente não há um, ele será reconstruído em breve [segundo eles]. Mas o pensamento aqui [em Apocalipse11.1] é o seguinte: esta passagem se cumpre na destruição do Templo no ano 70 d.C.!”1Apocalipse capítulo
11 ensina claramente que o templo será destruído durante a Grande Tribulação. Mas, o“Dispensacionalismo ensina-nos que haverá um templo durante o Milênio, que vem depois da
Grande Tribulação; o que significa que deve haver
dois templos reconstruídos, um reconstruído para ser destruído na Grande Tribulação e outro para a vinda do Milênio. Na verdade, eu nunca ouvi uma nota dispensacionalista assegurar
este ponto reconhecendo que sua teologia não abre
espaço para apenas um templo reconstruído, mas para dois!”
O fato é que o Dispensacionalismo é um sistema
recente com quase dois séculos de existência. Esse ensino foi ignorado durante os primeiros dezoito séculos da igreja cristã. Não é porque uma doutrina seja recente que poderia ser falsa,mas o Dispensacionalismo deixa
muito a desejar e ultrapassa o que está escrito
na Bíblia. O Dispensacionalismo é o causador de uma verdadeira confusão teológica, pois muitos autores dispensacionalistas listam até 22 eventos
separados sobre a vinda de Cristo e utilizam quadros
complicados para explicarem sua doutrina. Segundo
o reverendoD. H. Kuiper alguns dispensacionalistas ensinam sobre “sete dispensações, oito pactos, duas
segundas vindas, três ou quatro ressurreições, e pelo menos quatro julgamentos. É difícil conceber isto como sendo o ensino da Bíblia, que foi escrita numa linguagem
simples para pessoas simples; sim, para crianças”.3Por isto, devemos nos agarrar sempre a não complicada e clara Palavra de Deus, para obter luz nesses assuntos.Sobre “medir”
o santuário de Deus “João aqui não oferece detalhes, mas nos lembra da medição do templo em Ezequiel 40-42”.4Devemos observar “a importância das mensagens dos profetas
em relação ao cumprimento do mistério de Deus, notando que o contexto de Ezequiel 37-39 mostra o domínio do Messias sobre as nações. Em Ezequiel 40-42, o profeta assiste enquanto um homem mede o templo. A visão de Ezequiel mostra o povo de Deus
restaurado à glória e à proteção de Deus, o qual volta ao templo no capítulo 43.Zacarias 2:1-5 apresenta outra visão de medição, esta vez de Jerusalém. Como nos intervalos do Apocalipse, o propósito da visão de Zacarias é assegurar os fiéis da proteção divina: “Pois eu lhe serei,
diz o SENHOR, um muro de fogo em redor e eu mesmo serei, no meio dela, a sua glória” (Zacarias 2:5).
Ao ouvir a ordem para medir o santuário, João e seus leitores, sem dúvida, lembrariam dessas passagens proféticas e do consolo que oferecem aos servos do Senhor”.5O “objetivo p
ara medir o templo de Deus (11:1) foi para designar qual parte e rapara a preservação. Como Milligan diz: “...medir
expressa o pensamento de conservação, não de destruição”.
Embora o templo propriamente dito fosse bastante pequeno, o complexo do templo era muito grande. Apenas no templo, o que consiste no lugar santo e no santo dos santos, é o que está sendo medido simbolicamente para a proteção. E não é só o templo que está sendo medido, mas aqueles que adoram lá também. Como Carrington diz: “...ele só pode representar o corpo dos verdadeiros crentes que formam o templo espiritual onde Deus habita. Enquanto o pátio externo estão os judeus não-cristãos que serão“ entregues”ao poder dos gentios”.
Esta medida simbólica é para determinar que “
mede-se”no padrão de Deus. Na verdade, todo o templo foi destruído, não apenas o pátio dos gentios. No entanto, o povo de Deus não foi destruído: eles foram entregues. O resto que não estavam “à altura”foi destruído. Esta medição do Templo “
tem a ver com a edificação do templo
espiritual dos crentes verdadeiros, isto é, da igreja primitiva de
Jerusalém... Este círculo interno dentro do antigo Israel é
considerado por São João como o verdadeiro Israel reconhecido por Deus. O pátio externo, que é entregue aos gentios, simboliza os outros judeus que rejeitaram a Cristo e
que não estão sendo construídos em seu templo espiritual”.6“...
mas deixa de parte o átrio exterior do santuário e não o meças,
porque foi ele dado aos gentios; estes, por quarenta e dois meses, calcarão aos pés a cidade santa”.(Apocalipse 11.2)
A expressão “deixa de parte”vem da palavra grega ἐκβάλλω (ekballō)que é mais bem traduzida por“ jogar fora”ou “expulsar”. No Novo Testamento a expressão“ jogar para fora, ‘quase sempre se aplica a excomunhão ou exclusão’.7Aqui a nação de Israel está sendo excomungada. “
Os judeus não são mais o povo de Deus; a
Igreja agora preenche esse papel. Israel figurativamente e
literalmente Jerusalém foram expulsos, excomungados, e entregue aos gentios”.8“...porque foi ele dado aos gentios; estes, por quarenta e dois meses, calcarão aos pés a cidade santa”.O “átrio exterior do santuário”não é medido porque não está sob a proteção de Deus. O fato de ser dado aos gentios
foi anteriormente anunciado por Jesus em Lucas 21.20 24:“Quando, porém, virdes Jerusalém sitiada de exércitos, sabei que está próxima a sua devastação.Então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes; os que se
encontrarem dentro da cidade, retirem-se; e os que estiverem nos campos, não entrem nela.
Porque estes dias são de vingança, para se cumprir tudo o que está escrito.Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias! Porque haverá grande aflição na terra e ira contra este povo.Cairão
a fio de espada e serão levados cativos para todas as
nações; e, até que os tempos dos gentios se completem,Jerusalém será pisada por eles”.“
Vespasiano recebeu sua comissão de Nero, e declarou guerra
contra Jerusalém em fevereiro do ano 67d.C.O cerco terminou com a queda de Jerusalém, a queima da cidade e o templo, em agosto do ano70 d.C.Este cálculo de datas soma quarenta e
dois meses para Jerusalém ser ‘pisada’ [...]
Os “tempos dos gentios”em Lucas são os
tempos de julgamento em Jerusalém e não
os tempos de salvação dos gentios”.9“Os tempos dos gentios foram cumpridos quando os
romanos completaram a destruição de Jerusalém, que levou 42
meses”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Os Últimos Dias - David Chilton

Os Últimos Dias - David Chilton Os Últimos Dias   David Chilton  Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto Como começamos a ve...