HISTORIA DA REFORMA PROTESTANTE.

1. INTRODUÇÃO
Os reformadores do século dezesseis ficaram marcados pela defesa de princípios
relevantes para a vida cristã. João Calvino, um dos mais importantes personagens desta
época, se destacou, entre outros fatores por aplicar o valioso princípio da Sola Scriptura
na cidade que estava sob sua “responsabilidade espiritual”. Genebra, nestes dias, foi
marcada por um governo baseado nos ensinamentos do pastor Calvino, grande defensor
da suficiência das Escrituras.
Vivemos em uma época que, conquanto marcada pelo avanço tecnológico e
científico, em muito se parece, no aspecto religioso, com a Igreja pré-reforma. Os
púlpitos não mais podem ser identificados com os de outrora. A incerteza da suficiência
das Escrituras tem levado a igreja à utilização de diversos recursos para atração de
pessoas.
As cátedras, sobretudo no Brasil, têm sido ocupadas por homens
desconhecedores das mais profundas verdades sustentadas na Reforma; verdades estas
que deveriam nortear nossa linha de pensamento. O fervor que se via nos reformadores
na defesa da suficiência da Bíblia como Palavra de Deus é notado apenas numa pequena
parcela de pregadores atuais. A Igreja brasileira carece de homens que clamem: Sola
Scriptura!
Diante disso, surge o desejo de discorrer sobre tão valioso assunto: A
importância da aplicação do conceito da Sola Scriptura nos púlpitos brasileiros, de
acordo com o pensamento de Calvino, partindo de sua aplicação na cidade de Genebra.
O princípio da Sola Scriptura, se bem compreendido, ajudará a resgatar os preciosos
valores ensinados por Jesus, sustentados pelos apóstolos, bem como pelos pais da Igreja
e reformadores.
2 - O CONCEITO DE SOLA SCRIPTURA NO PENSAMENTO DE CALVINO.
Conhecido como o grande pastor de Genebra, João Calvino foi um dos mais
importantes teólogos que a igreja protestante conheceu. Sem dúvida, o mais destacado
no século dezesseis. Gonzalez, sobre ele, afirma:
Enquanto Lutero foi o espírito fogoso e propulsor do novo
movimento, Calvino foi o pensador cuidadoso que forjou, das
diversas doutrinas protestantes, um todo coerente[...]Calvino, como
homem da segunda geração, não permitiu que a doutrina da
justificação eclipsasse o restante da teologia cristã e por isso deu
maior atenção a aspectos do cristianismo que foram postergados por
Lutero.2
Como afirmado por Gonzalez, Calvino foi um reformador da segunda geração.
No período de seu nascimento, em 10 de Julho de 1509, na França setentrional, Lutero
já estava dando conferências em universidades. Quando Calvino tornou-se protestante,
na década de trinta, herdou uma tradição e uma teologia já bem definida por quase duas
décadas de controvérsias.
Sua relação com a teologia de Lutero foi, de imediato, positiva. A brilhante
capacidade que tinha de organizar idéias e pensamentos o levou a aprofundar as
doutrinas já defendidas pelos reformadores que o precederam. Como disse Timothy
George, “A grande realização de Calvino foi tomar os conceitos clássicos da Reforma e
dar-lhes uma exposição clara e sistemática, que nem Lutero, nem Zuínglio jamais
fizeram”3. Entre tais conceitos clássicos estava o da suficiência das Escrituras.
Calvino rejeitou a teologia natural de sua época, optando pela Bíblia como o
meio mais seguro para conhecer a Deus. Com isso, enalteceu as Escrituras como
autoridade única e suprema para a fé e prática cristãs. Como Lutero, afirmava que elas
eram o ventre de onde a igreja nascia, e não vice-versa. Em sua obra magna, as
Institutas, Calvino discorre sobre tal fato:
Entre a maioria, entretanto, tem prevalecido o erro perniciosíssimo
de que [apenas] tanto de valor assiste à Escritura quanto lhe é
concedido pelos alvitres da Igreja. Como se, de fato, a eterna e
inviolável verdade de Deus se apoiasse no arbítrio dos homens! 4
Seu trabalho como teólogo teve como objetivo, dentre outros, capacitar seus
contemporâneos a verem nas Escrituras o que muitos tinham visto, mas nunca haviam
reconhecido. Sua teologia era a teologia da Palavra de Deus. A revelação dada por meio
das Escrituras era a única fonte confiável do conhecimento de Deus.
2 Gonzalez, Justo. In: Uma História Ilustrada do Cristianismo:A Era dos Reformadores. Vol. 6. São
Paulo: Ed. Vida Nova. 2003. p.107
3 George, Timothy, Teologia dos Reformadores. São Paulo: Vida Nova. 2000, p.166
4 Calvino, João. As Institutas. Vol. I. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana. 1985. p. 89
Sua