terça-feira, 28 de abril de 2015

Por que não há mais apóstolos hoje?

Augustus Nicodemus  Teologia
Em sua polêmica contra os escribas e fariseus, Jesus de certa feita se referiu a seus apóstolos como aqueles que, à semelhança dos profetas, sábios e escribas enviados por Deus ao antigo Israel, seriam igualmente enviados, rejeitados, perseguidos e mortos (Lc 11.49 com Mt 23.34). Desta forma, ele estabelece o paralelo entre os apóstolos e os profetas como enviados de Deus ao seu povo.
Tem sido observado que os sucessores dos profetas do Antigo Testamento, como Isaias, Jeremias, Ezequiel, Daniel e Amós, por exemplo, não foram os profetas do Novo Testamento, que tinham ministério nas igrejas locais, mas os apóstolos de Jesus Cristo, mais especificamente os doze e Paulo.1
Conforme já vimos acima, os profetas foram diretamente vocacionados e chamados por Deus (cf. Is 6.1-9; Jr 1.4-10; Ez 2.1-7; Am 7.14-15). A palavra mais usada para “profeta” no Antigo Testamento   (nabi), que transmite o conceito de alguém que fala por outro, como “sua boca” (Ex 4.16; 7.1; cf. ainda Dt 18.14-22). O profeta era, então, primariamente, alguém que falava da parte de Deus, inspirado e orientado por ele. Os profetas falaram ousadamente da parte dele sua mensagem ao povo de Israel (Lc 1.70; Hb 1.1-2). Parte destas profecias veio a ser escrita e registrada no Antigo Testamento, que é chamado por Paulo de “escrituras proféticas” (Rm 16.26, cf. ainda 2Pe 1.21; 2Tm 3.16).2 Notemos que a mensagem dos profetas não consistia apenas da predição de eventos futuros relacionados com a ação de Deus na história, os quais se cumpriram infalivelmente (Dt 18.20-22; cf. 1Rs 13.3,5; 2Rs 23.15-16). A mensagem deles consistia, em grande parte, na exposição desses eventos e sua aplicação aos seus dias. Os profetas introduziam suas palavras com as fórmulas “assim diz o Senhor” e “veio a mim a Palavra do Senhor dizendo,” o que identificava sua mensagem como inspirada e infalível. Como tal, deveria ser recebida pelo povo de Deus como a própria palavra do Senhor.
A literatura intertestamentária produzida pelos judeus nos séculos depois de Malaquias considerava que o ministério desses profetas encerrou-se com Malaquias.3 Da mesma forma, os escritores do Novo Testamento se referem aos profetas antigos como um grupo fechado e definido (cf. Mt 23.29-31; Mc 8.28; etc.). A pergunta é: através de quem Deus continuou a se revelar? Quem foram os sucessores dos profetas do Antigo Testamento como receptores e transmissores da Palavra de Deus? Resta pouca dúvida de que foram os doze apóstolos e o apóstolo Paulo, e não os profetas cristãos das igrejas locais, como aqueles que haviam em Jerusalém, Antioquia e Corinto, por exemplo (At 11.27; 13.1; 1Co 14.29). Ao contrário do que ocorria no Antigo Testamento, profetizar, na igreja cristã nascente, era um dom que todos os cristãos poderiam exercer no culto, desde que seguindo uma determinada ordem (1Co 12.10; 14.29-32). E, diferentemente dos grandes profetas de Israel, as palavras dos profetas cristãos tinham de ser julgadas pelos demais (1Co 14.29) e eles estavam debaixo da autoridade apostólica (1Co 14.37).
Em contraste com os profetas cristãos, os apóstolos  do Novo Testamento, isto é, os doze e Paulo, receberam uma chamada específica de Jesus Cristo, receberam revelações diretas da parte de Deus, como os antigos profetas (At 5.19-20; 10.9-16; 23.11; 27.23; 2Co 12.1), e assim predisseram futuros eventos relacionados com a história da salvação, entre os quais a segunda vinda do Senhor, a ressurreição dos mortos e o juízo final – isso não quer dizer que sua chamada se deu porque tinham o “dom” de apóstolo. (1Co 15.51-52; 2Ts 2.1-12; 2Pe 3.10-13).4 Lembremos que o livro de Apocalipse é uma profecia (ver Ap 1.3; 22.18-19) escrita por um apóstolo.5 Ao contrário dos profetas cristãos das igrejas locais, que não deixaram nada escrito, os apóstolos foram inspirados para escrever o Novo Testamento (1Ts 2.13; 2Pe 3.16) e a palavra deles deveria ser recebida, à semelhança dos profetas antigos, como Palavra de Deus, sem questionamentos, ao contrários dos profetas das igrejas locais (Gl 1.8-9; 1Co 14.37). Os autores neotestamentários que não foram apóstolos, como Marcos, Lucas, Tiago e Judas eram, todavia, parte do círculo apostólico e associados aos apóstolos, escrevendo a partir do testemunho deles.6
Como sucessores dos profetas de Israel e canais da revelação, os apóstolos aparecem juntos com eles na base da igreja. Nas palavras de Jesus, “Enviar-lhes-ei profetas e apóstolos, e a alguns deles matarão e a outros perseguirão” (Lc 11.49). Paulo junta os dois grupos duas vezes na carta aos Efésios como aqueles designados por Deus para lançar as bases da igreja; “edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas” (Ef 2.20); “o qual, em outras gerações, não foi dado a conhecer aos filhos dos homens, como, agora, foi revelado aos seus santos apóstolos e profetas, no Espírito” (Ef 3.5). Muitos estudiosos entendem que os “profetas” mencionados nestas duas passagens de Efésios são profetas das igrejas neotestamentárias, que vieram depois dos apóstolos. Todavia, mesmo estando numa sequência temporal invertida, “profetas” se entende melhor como os grandes profetas de Israel, que vieram antes dos apóstolos. A sequência “apóstolos e profetas” não precisa ser entendida como uma sequência temporal. Os apóstolos são mencionados primeiro por estarem no foco do contexto.7
Em sua segunda carta, Pedro admoesta seus leitores a se recordarem tanto das palavras que foram ditas pelos “santos profetas” como do mandamento ensinado por “vossos apóstolos” (2Pe 3.2). Alguns entendem que “vossos apóstolos” aqui é uma referência aos missionários pioneiros que haviam fundado as igrejas às quais Pedro escreve. Contudo, a carta de Pedro não foi destinada a igrejas locais específicas e sim aos cristãos em geral (cf. 2Pe 1.1). O único grupo de “apóstolos” que se encaixaria como “vossos apóstolos” seriam os doze, que eram apóstolos para todas as igrejas.8 A carta de Judas, cuja similaridade com a segunda carta de Pedro tem levado estudiosos a acreditarem numa dependência literária entre elas,9 ao se referir aos apóstolos neste mesmo contexto, designa-os como “os apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo,” numa clara referência ao grupo dos doze (Jd 17).10 Estas passagens refletem a consciência de que os apóstolos de Jesus Cristo foram os continuadores dos profetas do Antigo Testamento como canais pelos quais Deus revelou sua vontade.11
Uma vez que a revelação de Deus quanto ao plano da salvação foi totalmente escrita e registrada de maneira final, completa e infalível pelos apóstolos, no Novo Testamento, completando assim a revelação dada através dos profetas de Israel no Antigo Testamento, encerrou-se o ministério de ambos os grupos.
Já que os apóstolos foram os sucessores dos profetas do Antigo Testamento, não há, pois, hoje, possibilidade de haver apóstolos como os doze e Paulo, pois eles foram recipientes e transmissores da revelação final de Deus para seu povo, que se encontra registrada no Novo Testamento.
Fonte: Trecho do livro “Apóstolos”, futuro lançamento da Editora Fiel.
1 - Cf. Heber Carlos de Campos, “Profecia Ontem e Hoje” em Misticismo e Fé Cristã (São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2013), pp. 63-126; Christiaan J. Beker, Paul the Apostle - The Triumph of God in Life and Thought (Philadelphia: Fortress Press, 1980), p. 113.
2 - Alguns estudiosos, como E. E. Ellis, sugerem que “escrituras proféticas” é uma alusão de Paulo a escrituras que haviam sido produzidas por profetas neotestamentários, escritos estes que haviam circulado pelas igrejas, mas nunca foram preservados (E. Earle Ellis, The Old Testament in Early Christianity em WUNT, 54 [Tübingen: Mohr/Siebeck, 1991], 4-5; E. Earle Ellis, Pauline Theology: Ministry and Society [Grand Rapids: Eerdmans; Exeter: Paternoster Press, 1989], 138 n. 79). Todavia, Cranfield corretamente considera esta interpretação de Ellis como “desesperada” (C. E. B. Cranfield, A Critical and Exegetical Commentary on the Epistle to the Romans, 2 vols, em International Critical Commentary [Edinburgh: T. & T. Clark, 1979], 2:811, n.8).
3 - “Desde que os últimos profetas Ageu, Zacarias e Malaquias morreram, o Espirito Santo cessou em Israel” (T. Sota, 13, 2). Cf. πνε?μα no TDNT.
4 - O livro de Atos registra duas ocasiões em que Ágabo, um profeta de Jerusalém, anunciou acontecimentos futuros, relacionados com uma fome que veio a acontecer nos dias do imperador Cláudio (At 11.27-30) e com a prisão de Paulo em Jerusalém (At 21.10-11). O fato de que somente estes dois casos de profecias predictivas (e feitas por um único profeta) estão registrados pode indicar que a previsão do futuro não era comum fora do círculo apostólico, especialmente ainda se considerarmos que ambas as profecias de Ágabo estavam relacionadas com o ministério de Paulo. White tenta colocar estas profecias de Ágabo no mesmo nível daquelas revelações fundacionais que foram dadas aos apóstolos (Ef 3.5; cf. R. Fowler White, "Gaffin and Grudem on Eph 2:20: In Defense of Gaffin's Cessationist Exegesis," em Westminster Theological Seminary, 54 [1992], 309-310), mas é evidente que elas estavam relacionadas com a vida pessoal do apóstolo Paulo, tanto sua em ida a Jerusalém levando ajuda para os crentes da Judeia, como em sua posterior prisão naquela cidade.
5 - Assumimos aqui que foi o apóstolo João quem escreveu o livro de Apocalipse.
6 - Marcos escreveu a partir do testemunho de Pedro. Lucas foi companheiro de Paulo. Tiago era o irmão de Jesus, líder da igreja de Jerusalém e próximo do círculo (Gl 1.19). Judas era outro irmão de Jesus e também relacionado com o círculo apostólico. Lembremos por fim que Hebreus entrou no cânon porque sua autoria era atribuída ao apóstolo Paulo, como até hoje é defendido por vários estudiosos.
7 - Que Ef 3.5 se refere aos profetas do Antigo Testamento é também defendido por F. Mussner, Christus, das All und die Kirche: Studien zur Theologie der Epheserbriefes (Trierer: Paulinus, 1955), 108. Deve-se admitir, contudo, que grande parte dos comentaristas pensa que Paulo está se referindo aos profetas neotestamentários, como Andrew T. Lincoln, por exemplo. (Ephesians em Word Biblical Commentary, vol. 42, eds. D. Hubbard, et al. [Dallas, TX: Word Books, 1990], 153. Tanto Gaffin (Richard B. Gaffin, Jr. Perspectives on Pentecost: New Testament Teaching on the Gifts of the Holy Spirit [Grand Rapids: Baker, 1979], 93) quanto Grudem (Wayne Grudem, The Gift of Prophecy in 1 Corinthians [Washington: University Press of America, 1982], 47) entendem que “profetas” em Efésios 2.20 se refere aos do Novo Testamento, mas eles fazem esta defesa no contexto do debate cessacionismo-continuismo. Um dos principais argumentos contra o entendimento de que Paulo aqui se refere aos profetas do Antigo Testamento é a ordem “apóstolos e profetas,” o que tornaria isto cronologicamente impossível. Entretanto, a menção que Paulo faz dos profetas do Antigo Testamento, depois de Jesus em 1Ts 2.15, “os quais não somente mataram o Senhor Jesus e os profetas, como também nos perseguiram” certamente inverte a sequência histórica dos eventos e mostra que Paulo nem sempre está preocupado com a cronologia, como estudiosos modernos estão. Cf. F. F Bruce, 1 & 2 Thessalonians, WBC, vol. 45, eds. D. Hubbard, et al. (Dallas, TX: Word Books, 1982), 47; Robert Jamieson, A. R. Fausset, e David Brown, Commentary Critical and Explanatory on the Whole Bible (Oak Harbor, WA: Logos Research Systems, Inc., 1997).
8 - Cf. A. T. Robertson, Word Pictures in the New Testament (Nashville, TN: Broadman Press, 1933) in loco; D. A. Carson, R. T. France, J. A. Motyer, e G. J. Wenham, orgs. New Bible commentary: 21st century edition. 4th ed. (Leicester, England; Downers Grove, IL: Inter-Varsity Press, 1994) in loco.
9 - Veja Augustus Lopes, II e III de João e Judas (São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 2009).
10 - Cf. Jamieson, Commentary, in loco.
11 - É preciso observer que a declaração de Jesus de que “todos os Profetas e a Lei profetizaram até João” (Mt 11.13) significa o encerramento do ministério dos profetas do Antigo Testamento, mas não o término da revelação que começou a ser dada através deles. Os apóstolos do Novo Testamento – e não os profetas do Novo Testamento – foram os canais pelos quais esta revelação continuou a ser dada. É neste sentido que os consideramos como sucessores dos profetas de Israel.

Fonte: http://www.ministeriofiel.com.br

Desmascarando os falsos profetas

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Eu deixo aqui meu comentário!.

Os falsos profetas não é fácil de ser reconhecidos,porque eles falam em nome de Jesus,e falam de muitos milagres,e prodígios.Eles tem uma vida que parecem verdadeira religiosa,legalista cheia de piedade.Eles parecem verdadeiros se possível enganam e muito bem como diz : Billy Graham Note que a Bíblia não diz que Satanás é um anjo de luz; diz que se disfarça de anjo de luz. Ou seja, por vezes, Satanás coloca um disfarce (por assim dizer), e faz parecer que realmente se ergue pelo bem e não pelo mal. Quando o diabo se ofereceu-para alimentar Jesus através da transformação das pedras em pão, ele estava disfarçado de alguém que queria fazer o bem - ou como anjo de luz (Mateus 4:1-11).



     Mas Satanás não é um anjo de bem nem de luz; é o oposto. Jesus disse que Satanás "foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira" (João 8 : 44). Satanás tenta enganar-nos e fazer-nos pensar que o seu caminho é o melhor - porém nunca é. Martinho Lutero rotulou-o correctamente de "príncipe das trevas". Não caia nas suas mentiras!


     Sim, Satanás é nosso inimigo - porém nunca se esqueça que ele não vencerá! Pela Sua cruz e ressurreição Cristo derrotou Satanás, e um dia "o diabo, que os enganava, [será] lançado no lago de fogo e enxofre ... para todo o sempre" (Apocalipse 20:10). De que lado está? "E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos." [Mateus 24:11].
A característica dos falsos apóstolos é distorcer o evangelho.
 Falsos profetas só pedem ser desmascarados pela Bíblia, não podem ser desmascarados pelos os milagres porque isso eles fazem também usando o nome de Jesus. E nem pela sua vida exemplar pelas suas palavras convincente,eles falam do poder de Deus dos milagres de Jesus,e arrastam multidões.O culto deles é cheio de objetos consagrados e de manifestações desordenadas. Ex: Que os falsos profetas costumam usar extraido da Revista de Estudo Crescimento Bíblico pagina (4): "Não sei quando ela chegará, mas, (...) coloco esse momento nas
mãos da mãe de meu Mestre". Tal declaração foi feita por Karol Józef
Wojty?a - Papa João Paulo II - pouco antes de morrer, colocando a sua
confiança na virgem Maria. É assim que a humanidade caminha, sem
paz, sem Deus e sem salvação, confiando em mentiras. Foi por esta e
outras situações presenciadas nestes últimos dias, na esfera religiosa,
que decidimos por um tema que traga luz aos que estão nas trevas e
desembarace os que, uma vez iluminados, se deixaram levar "por todo
vento de doutrina, pelo engano dos homens que, com astúcia, enganam
fraudulosamente" (Ef 4.14). Daí o tema: "Doutrinas falsas
contestadas pela Bíblia".
Mas a nossa preocupação não é só com as religiões e seitas que
estão em derredor do cristianismo, procurando a quem possa tragar.
Levamos em conta, também, as heresias e os modismos que estão em
nosso meio, cegando e arrastando muitos para a perdição. São falsos
mestres e agentes do anticristo que torcem as Escrituras e iludem com
palavras persuasivas, usando todos os meios possíveis, como mágica,
ilusionismo, lavagem cerebral, catarse coletiva (técnica de regressão)
para lucrar e se manterem no auge, pois querem fama, sucesso e
riquezas a qualquer custo.
Um testemunho bizarro conta que aves foram batizadas com o
Espírito Santo, em um galinheiro no qual uma das galinhas falava em
línguas e o galo interpretava. O pior é que multidões creem neste tipo
de "milagre".
Diante do exposto acima, decidimos que urge uma revista da
Escola Dominical que trate com seriedade deste assunto. Não
pretendemos ofender esta ou aquela religião, seita ou filosofia, mas
contestar todo e qualquer tipo de ensino que esteja em desacordo com
a Palavra de Deus. Esperamos, sinceramente, que os alunos a estudem
com afinco. No mais, orem no Espírito Santo (Jd 20) e procurem
compreender as verdades que podem salvar os que a amam.
Obs. cuidado com esses que recebem visões extras alem da bíblia,e abrem igrejas por ai e dizem que são apóstolos e bispas não existem apóstolos no nosso tempo e nem bispa.Isso já virou moda,em nosso Brasil por isso o cristianismo não vai bem,devido esses mentirosos.  Tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder. Afaste-se desses também. 2 Timóteo 3:5
Valdir Dádavalos

sábado, 18 de abril de 2015

Artigo

As Sete Igrejas de Apocalipse: Filadélfia
Mark Bates
Muitas igrejas evangélicas têm se esforçado por encontrar estratégias que as capacitem a alcançar efetivamente as pessoas com o evangelho de Jesus Cristo. A despeito da rica herança de ensinamento evangélico neste continente, há um senso de desencorajamento, até de desânimo, entre muitos cristãos quanto às perspectivas para a evangelização em nosso tempo. Por isso, uma variedade de modelos pragmáticos tem sido empregada para garantir o sucesso na comunicação do evangelho.

Contudo, antes de a igreja evangélica sucumbir à tentação de conceber estratégias que acomodem o evangelho ao espírito desta época, precisamos ouvir cuidadosamente a carta de Cristo à igreja em Filadélfia. Nessa carta, Cristo fala a uma pequena e encurralada igreja, assaltada por feroz oposição à sua confissão cristã, e calorosamente lhes assegura que poria diante deles uma “porta aberta” de oportunidade para o testemunho de seu nome (Apocalipse 3.8). Por causa de seu firme apego à verdadeira confissão acerca de Jesus Cristo, o testemunho da igreja em Filadélfia será um farol a conduzir os seus membros e outros à comunhão com o Deus vivo e à entrada em seu templo-santuário.

O arranjo dessa carta em muito se assemelha ao das outras. Ela começa com uma importante identificação do autor da carta, o qual sozinho detém a “chave de Davi” e possui a autoridade para conceder entregada no reino de Deus (v. 7). Então a carta estende uma palavra de encorajamento à igreja em Filadélfia, prometendo uma “porta aberta” de oportunidade em vista de sua obstinada perseverança (v. 8). E conclui com uma rica segurança de comunhão com o Deus vivo em seu eterno templo-santuário.

O modo como o autor dessa carta identifica a si mesmo apresenta um pano de fundo especialmente importante para a sua mensagem. As palavras dessa carta vêm daquele que é “o santo, o verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi, que abre, e ninguém fechará, e que fecha, e ninguém abrirá”. “Santo” e “verdadeiro” são atributos divinos na Escritura e no livro do Apocalipse (6.10). Cristo, assim, assegura os cristãos da Filadélfia de que suas palavras têm autoridade divina. O próprio Cristo é a verdadeira testemunha cuja palavra é absolutamente confiável. Os destinatários dessa carta são assegurados desde o princípio de que Jesus é o verdadeiro Messias e de que o testemunho deles acerca de Cristo é completamente verdadeiro.

Essas palavras iniciais de identificação são reminiscentes da linguagem que identifica Cristo em Apocalipse 1.18. Elas também invocam explicitamente a linguagem de Isaías 22.22, onde Eliaquim é identificado como o servo do Senhor a quem havia sido outorgada autoridade para administrar as chaves de acesso à casa de Davi. O que Isaías profetizou acerca de Eliaquim prenunciava Jesus Cristo, que tem autoridade absoluta sobre a chave da casa de Deus e do reino eterno. Ninguém, seja judeu ou gentio, entra na casa de Deus ou tem lugar entre o povo de Deus a menos que Cristo lhe conceda acesso ou entrada.

Com essas notáveis palavras de identificação ressoando em seus ouvidos, a carta se volta à promessa que Cristo estende à igreja em Filadélfia. Cristo “conhece” as obras dela. Ele está ciente de que a igreja em Filadélfia era, quando vista sob a perspectiva de números ou de prestígio social, uma igreja de “pouca força” (Apocalipse 3.8). Contudo, essa igreja havia “guardado” a palavra de Cristo e não havia “negado” o seu nome. O seu testemunho da verdade acerca de Jesus havia permanecido firme, mesmo quando aqueles da “sinagoga de Satanás” se opuseram ao seu testemunho e confissão de Cristo.

A essa igreja fiel Cristo promete uma “porta aberta” de oportunidade para o testemunho do evangelho da salvação por meio da fé em Jesus Cristo, o verdadeiro Rei do povo de Deus. Por causa de sua perseverante fidelidade ao evangelho, essa igreja, localizada numa posição geográfica estratégica no mundo antigo, desfrutará do privilégio de chamar tanto judeus como gentios a reconhecerem Jesus como Salvador e Senhor. O Cristo, que detém a chave da entrada no reino de Deus, reassegura a essa encurralada igreja que ela será singularmente privilegiada no testemunho e na missão do evangelho.

Porque a igreja em Filadélfia guardou a palavra de Cristo com paciente resignação, ela pode estar confiante de que será poupada na “hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro” antes da vinda de Cristo. Essa segurança, ao contrário da interpretação de alguns, não é uma promessa de que os crentes em Filadélfia serão “arrebatados” antes de a hora da provação chegar, mas sim que eles serão preservados em meio a toda prova que vier. Nada os separará do amor de Deus em Cristo. E, assim, à medida que eles seguram com firmeza a sua “coroa”, são encorajados a olharem adiante, para o futuro, quando eles e todos aqueles que compartilham da sua fé em Cristo habitarão na presença de Deus para sempre.

A mensagem dessa carta à igreja contemporânea é surpreendentemente clara. Nenhuma mensagem poderia ser mais relevante para uma igreja evangélica sob risco de perder a fé no antigo evangelho e em seu poder de transformar pecadores segundo a imagem de Jesus Cristo.

Tradução: Vinícius Silva Pimentel
Revisão: Vinícius Musselman Pimentel
Fonte:http://www.ministeriofiel.com.br

sábado, 11 de abril de 2015

Precisamos voltar novamente às Escrituras.

A Reforma Protestante do século XVI voltou à doutrina apostólica da salvação pela graça independente dos méritos humanos. Agostinho de Hipona no século V já havia condenado o Pelagianismo, que ensinava que o homem não está em estado de depravação total e que ele é tão livre quanto Adão antes da queda para escolher o bem e o mal e que o homem tem poder em si mesmo para escolher e fazer o bem. A doutrina da salvação conforme a interpretação romana desviou-se da verdade bíblica, pregando o sinergismo, ou seja, a salvação como resultado de cooperação humana-divina. Essa idéia popularizou-se até mesmo entre o evangelicalismo brasileiro, quando muitos crêem que Deus não negará sua graça àqueles que fazem o que lhes é possível fazer ou seja, “Deus ajuda quem cedo madruga”.
A doutrina bíblica da sola gratia precisa ser resgatada novamente. A igreja evangélica brasileira precisa passar por uma nova reforma. Precisamos voltar novamente às Escrituras e enfatizar alguns pontos fundamentais, como seguem:
1. O homem, morto em seus delitos e pecados não pode jamais escolher a Deus por si mesmo – A salvação do homem é uma iniciativa divina. Tudo provém de Deus. A queda não trouxe apenas alguns transtornos e feridas para o homem, trouxe-lhe morte. O homem não está apenas ferido, mas morto em seus delitos e pecados. O homem em seu estado natural é inimigo de Deus. Ele é escravo do pecado. Ele é prisioneiro de Satanás, do mundo e da carne. Se Deus não tomasse a iniciativa da nossa salvação estaríamos rendidos ao pecado e condenados à perdição eterna.
2. A escolha da graça é soberana e não depende de méritos humanos – Foi Deus quem nos escolheu e não nós a ele. Foi ele quem nos amou primeiro e não nós a ele. Até nossa resposta ao amor de Deus é obra de Deus em nós. É ele quem opera em nós tanto o querer quanto o realizar. Nossa salvação foi planejada e determinada por Deus na eternidade, consumada por Cristo na cruz e aplicada pelo Espírito Santo em nós sem qualquer mérito nosso. O apóstolo Paulo diz: “Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia” (Rm 9.16). Não depende do desejo nem do esforço do homem, mas da misericórdia de Deus. A Reforma insistia nesse conceito teocêntrico, exaltando a eleição divina contra o livre-arbítrio e o descer divino contra o ascender humano em todas as suas formas.
3. A graça de Deus é suficiente para a nossa salvação – A nossa salvação é resultado da obra única e monergista do Espírito Santo em nós, aplicando em nosso coração os efeitos do sacrifício de Cristo. Não podemos nem precisamos cooperar com obras, sacrifícios ou penitências para sermos salvos ou aceitos por Deus. Somos aceitos no Amado, o eterno Filho de Deus. Qualquer esforço humano para ajudar Deus em seu propósito redentor é uma pretensão tola e um atentado inconseqüente à soberania divina. A salvação é pela graça mediante a fé e isto não vem de nós, é dom de Deus, não de obras para quem ninguém se glorie, diz o apóstolo Paulo (Ef 2.8,9). A salvação é de Deus, é realizada por Deus, é aplicada por Deus, é garantida por Deus, para que a glória seja só de Deus.

COMO SER O SAL DA TERRA

A questão é: o que é que Jesus estava tentando ensinar com essa mensagem, com essa figura do sal, o qual não existe para estar dentro do ...