quarta-feira, 24 de maio de 2017

COMO SER O SAL DA TERRA

A questão é: o que é que Jesus estava tentando ensinar com essa mensagem, com essa figura do sal, o qual não existe para estar dentro do saleiro; que não existe para estar protegido, guardado, mas que é sal da terra, e não sal dentro do sal; sendo sal dentro de um contexto totalmente diferente do seu próprio conteúdo de sal. O que Jesus está querendo dizer quando diz aos discípulos:
"Vocês vão viver em meio a diferenças, a coisas que lhes são estranhas. Vou jogá-los dentro de algo que é radicalmente o oposto de vocês. Vocês não estão no mundo para procurar uniformidade para as suas próprias vidas. Ao contrário, vocês vão viver num ambiente essencialmente avesso a vocês, para que possam alterá-lo."
O que Jesus estava querendo dizer com isso? Pelo menos três coisas. A primeira é acerca da mensagem existencial que nos é trazida por Jesus. Quando Ele diz "Vós sois o sal da terra", Jesus está afirmando um conteúdo existencial extremamente diferente. Ele quer dizer:
"Vocês vão ser o elemento diferenciador deste planeta, dando gosto à Terra."
A Terra a que Ele está-se referindo não é a terra arável e cultivável na qual se pode plantar uma semente; mas a sociedade humana. Segundo Jesus, viver neste mundo não tem sabor, é amargo; a existência é insípida e sem prazer. O que Jesus está dizendo é que a Sua expectativa, quanto à nossa existência no mundo, é a mais prazerosa possível. Ninguém fala de sal, de gosto, de tempero, sem falar de uma existência com sabor, alegria, incitamento, desafio e sem aventura. Quando Jesus nos diz que somos o sal da terra, Ele nos afirma que a nossa vida tem que ser a mais saborosamente fantástica que esse mundo já viu, uma vez que ela tem de ter, no seu cerne, um conteúdo de gosto para o desgosto da terra. Ele nos diz ainda que devemos ser o paladar de Deus nessa terra insípida, sendo o elemento que traz sabor a uma existência inteiramente destituída de sabor. Agora, o que isso tem a ver com o projeto da existência da Igreja no planeta? às vezes, vejo muitos projetos eclesiásticos existindo para tirar o sabor, estragar o prazer e arruinar a vida. Onde há gosto, nós o tiramos. Onde existe a esperança, passamos a pregar o pessimismo. A segunda coisa que Ele está dizendo quando afirma que somos o sal da terra é que há uma dimensão ética nessa vocação. Se por um lado levamos sabor ao mundo, levando-lhe um conteúdo existencial radicalmente diferente daquele que o mundo tem em si mesmo, por outro lado não somos iguais ao mundo. Aliás, a nossa utilidade, diz Jesus, está em que mantenhamos dentro da Terra, dentro da sociedade humana, enquanto damos sabor e gosto, a diferença. "Vós sois o sal da terra".
Nós somos o sal, a terra é a terra. Quando o sal fica com gosto de terra, tornando-se insípido, vira monturo, não sendo possível diferenciá-lo de um monte qualquer. Para ser sal, tendo sentido e significação, torna-se necessário manter o conteúdo imaculado. Destarte, a diferença não vai ser estabelecida e medida por critérios visíveis, como tamanho de cabelo, o uso ou não de batom, o porte ou não de jóias, o ter ou não ter... A diferença não é esta. A diferença é ética, a qual se relaciona com as demais dimensões da vida, começando com as de natureza mais privada e indo para aquelas mais públicas. Não se está falando, aqui, de legalismos ou de literalismos; porém da manutenção do espírito de justiça, de verdade, de bondade, que se traduz em comportamento bondoso, que jamais se torna frouxo, e de uma liberalidade humana que jamais se torna libertina, mas que mantém um conteúdo de verdade, a qual não se transforma num "justicismo" executor, mas de uma verdade vivida em amor. Essa dimensão é diferenciadora, a qual se carrega, juntamente com Jesus, para dentro do mundo. Isso não pode ser negociado; isso não pode ser alterado. Só quando se mantém isso é que, mesmo nos vestindo como os outros cidadãos à nossa volta; ainda que fazendo parte de uma mesma comunidade lingüística, portanto, falando uma mesma língua; embora sendo pessoas vivendo uma mesma época que outras, somos radicalmente diferentes da geração da qual fazemos parte. A terceira coisa que Jesus diz quando afirma que somos o sal da terra é algo relativo à natureza social.
A primeira dimensão é existencial (leva-se gosto ao desgosto do planeta) . A segunda dimensão é de natureza ética (é-ser sal na terra, e não da terra; é-ser sal não dentro do saleiro, mas na terra, fazendo-se parte de algo que é totalmente diferente da nossa natureza intrínseca, mantendo a diferença, porém, conservando o conteúdo) . A terceira diferença tem uma dimensão social. Jesus não diz:
"Você é o sal da terra."
Mas:
"Vós sois o sal da terra".
Isso é plural, é comunitário, é coletivo, é social. Não é uma andorinha sozinha trazendo o verão, porém é uma revoada de pássaros esperançosos com uma nova época, com uma nova estação. Não é um cavaleiro solitário com a intenção quixotesca de transformar o mundo, no entanto é alguém inserido numa comunidade de fé, olhando para fora e dizendo:
"Você, eu, nós enfim, vamos viver como o sal da terra."
Isso, portanto, conquanto não iniba nossos sonhos pessoais, nossas potencialidades individuais e nossos desejos mais íntimos, tal dimensão nos compele a rever a nossa vida, a nossa existência e o nosso projeto pessoal como tendo necessariamente que fazer parte de algo maior do que nós, que é o nosso próximo. Não é uma questão de ser o sal da terra, mas de nós sermos o sal da terra, em nome de Jesus.


Autor: Caio Fábio


terça-feira, 23 de maio de 2017

O evangelho verdadeiro e sua singularidade.A essência do Evangelho de Paulo

Após se apresentar como apóstolo de Cristo, Paulo repudia
vigorosamente qualquer evangelho que não se harmonize com
o que tem pregado, realçando que o aprendera do próprio
Cristo, sem mediação de ninguém, nem mesmo dos apóstolos
de Jerusalém.
SAUDAÇÕES INICIAIS
GÁLATAS 1.1-5
1. Paulo, apóstolo enviado, não da parte de homens nem
por meio de pessoa alguma, mas por Jesus Cristo e por
Deus Pai, que o ressuscitou dos mortos,
2. e todos os irmãos que estão comigo, às igrejas da Galácia:
3. A vocês, graça e paz da parte de Deus nosso Pai e do
Senhor Jesus Cristo,
4. que se entregou a si mesmo por nossos pecados a fim de
nos resgatar desta presente era perversa, segundo a vontade
de nosso Deus e Pai,
5. a quem seja a glória para todo o sempre. Amém.
O autor da carta, Paulo, apresenta-se logo no início como
“apóstolo enviado, não da parte de homens nem por meio de
pessoa alguma, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai...” (1).
o evangelho verdadeiro e
sua singularidade
1.
18 A ESSÊNCIA DO EVANGELHO DE PAULO
Conforme visto no estudo sobre os aspectos introdutórios, Paulo
vinha sofrendo ataques de falsos mestres que, atuando entre
as igrejas da Galácia, diziam que ele não tinha a mesma posição
e autoridade dos apóstolos de Jerusalém. Por isso, a fim de que
sua epístola não fosse recebida como uma carta qualquer, vazia
de credibilidade e poder e, assim, fosse de pronto desprezada,
Paulo, de antemão, enfatiza aos seus leitores que o que têm em
mãos são ensinos procedentes de um apóstolo verdadeiro;
alguém que recebeu essa função do Filho de Deus e do próprio
Pai. Nisto, entre outras coisas, ele se diferenciava daqueles que,
já em seu tempo, se autodenominavam apóstolos, movidos
apenas pelo desejo de se destacar entre os crentes comuns e,
assim, enganá-los (2Co 11.13; Ap 2.2).
No v. 1, Deus Pai é mencionado como aquele que ressuscitou
Jesus dentre os mortos. A menção da ressurreição de Cristo é
importante aqui porque foi o Cristo ressurreto quem
diretamente investiu Paulo no ofício apostólico (Rm 1.5).
Ademais, a ênfase na ressurreição era sempre conveniente
numa época em que os homens estavam tão familiarizados
com o pensamento grego que, em algumas de suas
manifestações, considerava a matéria má, a ponto de mais tarde,
dentro de uma roupagem cristã, negar a encarnação do Filho
(1Jo 4.2; Hb 2.14) e a ressurreição física (1Co 15.12; 2Tm 2.18).
Ao escrever a Carta aos Gálatas, Paulo estava na companhia
de um grupo de irmãos. Não sabemos onde o Apóstolo estava
quando escreveu essa epístola e, portanto, nem de que cidade
eram os irmãos que tinha em sua companhia. Seja como for,
Paulo faz alusão a eles como se fossem participantes da
composição da carta (2). Sem dúvida o objetivo disso era
sensibilizar os destinatários ao mostrar-lhes que os apelos
ali constantes não eram fruto das preocupações de uma mente
isolada, mas que essas preocupações eram compartilhadas
por irmãos na fé sinceros, que se uniam a Paulo em suas
exortações, fazendo com ele um coro.
O EVANGELHO VERDADEIRO E SUA SINGULARIDADE 19
Eis aqui uma forma produtiva de como a igreja deve
demonstrar unidade: aliando-se aos ministros em seus apelos
e exortações, dando assim maior força às suas mensagens e
mostrando aos que estão no erro a reprovação unânime do
povo de Deus. De fato, nada encoraja mais os rebeldes do que
a consciência de que há crentes que não concordam com as
reprovações que lhes são dirigidas.
Como é seu costume, Paulo deseja que seus destinatários
desfrutem da graça e da paz que vem de Deus Pai e do Senhor
Jesus Cristo (3). A graça é o favor de Deus ministrado aos
homens quando estes nada fizeram para merecê-lo. A paz é a
ausência de intrigas nas relações entre as pessoas e também
a serenidade interior experimentada por quem desfruta de
saúde e do suprimento das necessidades em geral. A fonte de
tudo isso, para Paulo, é Deus.
Se, por um lado, o Pai foi descrito como quem ressuscitou
Jesus dentre os mortos (1), no v. 4, ao mencionar novamente
as duas Pessoas, Paulo focaliza Cristo, apontando-o como
aquele que “se entregou a si mesmo por nossos pecados”. A
morte voluntária de Cristo é afirmada aqui (Jo 10.17-18), bem
como o seu sentido teológico, ou seja, o fato de sua morte ser a
satisfação pelos nossos pecados (1Jo 2.2; 4.10). Para os gálatas,
fascinados com a idéia de que a observância da Lei Mosaica
poderia salvá-los, era crucial que Paulo frisasse que somente a
morte de Cristo pôde satisfazer as exigências de Deus. Buscar
satisfazer a justiça divina através de obras humanas seria o
mesmo que afirmar a insuficiência da cruz (Gl 2.21).
Ao sofrer a morte que era a punição pelos nossos pecados,
Cristo não somente teve como alvo nos substituir no castigo
a nós devido. Ao tirar-nos dentre os condenados à morte, ele
conseqüentemente nos resgatou “desta presente era perversa”
(4). O verbo traduzido como “resgatar” é exairew e também
significa livrar ou libertar do poder de outra pessoa. Há aqui
um breve lampejo do tema “liberdade cristã”, presente em toda
´
20 A ESSÊNCIA DO EVANGELHO DE PAULO
a epístola. A “presente era” da qual Cristo nos resgatou é o
atual sistema cultural com seus valores, crenças e apelos.
Trata-se de um sistema que rejeita Deus e, por isso, é perverso
e merecedor de justo castigo.
Cristo sofreu a nossa condenação e, assim, nos libertou deste
mundo condenado. Não somos mais participantes do seu
destino e também não devemos mais ser participantes de suas
práticas e modo de pensar. Fomos tirados de uma Sodoma que
em breve conhecerá o fogo do juízo e, não sendo mais seus
cidadãos, não devermos adotar seu estilo de vida (Rm 12.1-2).
Paulo conclui dizendo que todo esse livramento aconteceu
pela vontade do Pai (Ef 1.5; Tg 1.18). A origem da salvação está
sempre em Deus. É ele quem parte em busca do homem (Gn 3.9;
Os 11.1-2; Lc 19.10). O contrário nunca acontece (Jo 5.40; Rm
3.11). Por isso é natural que a seção termine com o apóstolo
atribuindo e ele “a glória para todo o sempre. Amém.”

Pastor. Marcos Granconato.

domingo, 21 de maio de 2017

COMO SER O SAL DA TERRA

A questão é: o que é que Jesus estava tentando ensinar com essa mensagem, com essa figura do sal, o qual não existe para estar dentro do ...